Nesta semana tivemos a notícia da perda de um grande músico, maestro e compositor italiano: Ennio Morricone. Vimos vários artistas lamentarem sua morte, como o ator Antônio Banderas e a banda Metallica. Ennio morreu na manhã desta segunda-feira (6), aos 91 anos, deixando como legado os frutos de uma carreira lendária.

Se tu gostas de cinema, muito provavelmente já ouviste alguma das centenas das bandas sonoras que ele escreveu para filmes. Dentre elas estão algumas das mais atemporais, como a do “Cinema Paradiso” e a da “Trilogia dos Dólares”, como ficou conhecida — que inclui “Por um Punhado de Dólares” (1964), “Por Mais Alguns Dólares” (1965) e “O Bom, o Mau e o Vilão” (1966), apenas para citar algumas. A habilidade de captar em algumas linhas musicais a essência de um filme era uma das suas marcas características. Hans Zimmer, também compositor de bandas sonoras, escreveu que Ennio lhe ensinara o valor e a dificuldade que há numa melodia simples, pura e honesta. Frisina, compositor e diretor do coro da Diocese de Roma comenta sua grande capacidade de compreender o essencial e capturar a alma do filme expressando-a de forma essencial, simples e imediata.

Poderíamos falar sobre tantos aspetos da vida e obra de Ennio… Hoje o CUFC desafia-te a conhecer um lado menos conhecido de sua trajetória: sua relação com Deus. Sim, um dos maiores compositores do cinema manteve uma relação bastante íntima com o sagrado:

“Provenho de uma família cristã. A minha fé nasceu em família. Os meus avós eram muito religiosos. Com minha mãe e minhas irmãs, sempre rezávamos antes de dormir. Recordo o período de guerra. Durante aqueles anos terríveis rezávamos o terço. Ficávamos muito impressionados. Ainda me vejo, sonolento, respondendo as Ave-Marias da minha mãe. Sempre fomos religiosos. No domingo íamos à Missa e recebíamos a Comunhão.”1

Muito difícil é falarmos de sua fé sem comentarmos a banda sonora do filme “A Missão”, do qual falamos aqui , em que a referência espiritual ou até mesmo explicitamente religiosa era recorrente. O tema do Divino sempre “foi para ele uma realidade com a qual tinha que lidar, considerada sempre como um ápice, como algo a que ele aspirava” (Frisina).

Em 2014, esteve presente na celebração dos 200 anos da restauração da Ordem que contou com a presença do Papa Francisco. Foi nesta ocasião que Ennio Morricone encontrou-se pessoalmente com o Papa. Ele mesmo nos narra esse encontro:

“Numa manhã, enquanto andava para comprar jornais na Piazza del Gesù, aproximou-se de mim um jesuíta e pediu que eu compusesse uma “Missa” pelos 200 anos da restauração da Companhia após a supressão em 1773. Por que não? Um pouco antes da apresentação, o Papa veio visitar a Igreja e me levaram para encontrá-lo. Sozinhos com ele, eu e minha esposa Maria caímos em lágrimas; Francisco nos olhava em silêncio”, e conclui: “Não pensem que eu me emocione com facilidade. Chorei somente duas vezes, pelo filme A Missão e ao encontrar o Papa.”1

Para hoje, em sua homenagem, convidamos-te a ouvir essa obra, que foi escrita em honra do Papa Francisco e apresentada na Chiesa del Gesù em 2015. Ennio falava dela com entusiasmo, como se fosse um ponto final de sua carreira. Apesar de não fazer parte de sua obra para cinema, ela representa uma marca que podemos levar connosco da vida do compositor: “A música é seguramente próxima a Deus. A música é a única arte verdadeira que nos aproxima verdadeiramente do Pai Eterno, e da Eternidade.”

Link para o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=jECzxt6gngk

Referências:

1https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2020-07/ennio-morricone-filme-missao-encontro-papa-francisco.html

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2020-07/ennio-morricone-frisina-temor-respeito-sagrado.html

https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2020/07/06/ennio-morricone-famosos-lamentam-morte-de-maestro-e-compositor-italiano.ghtml

Categorias: Cultura