{"id":513,"date":"2026-09-24T16:05:29","date_gmt":"2026-09-24T15:05:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.diocese-aveiro.pt\/sdam\/?p=513"},"modified":"2026-09-24T16:05:29","modified_gmt":"2026-09-24T15:05:29","slug":"mensagem-de-sua-santidade-papa-francisco-para-o-dia-mundial-das-missoes-2015","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.diocese-aveiro.pt\/sdam\/?p=513","title":{"rendered":"MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DAS MISS\u00d5ES 2015"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"width: 970px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/opf.pt\/images\/entrada\/001.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"360\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Miss\u00e3o: o que o amor n\u00e3o pode calar<\/p><\/div>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #663300;\"><b><span style=\"font-size: large;\"><i>MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO<br \/>\nPARA O DIA MUNDIAL DAS MISS\u00d5ES<\/i><\/span><\/b><\/span><span style=\"color: #663300; font-size: large;\"><b><i> 2015<\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s,<\/i><\/p>\n<p>Neste ano de 2015, o Dia Mundial das Miss\u00f5es tem como pano de fundo o Ano da Vida Consagrada, que serve de est\u00edmulo para a sua ora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o. Na verdade, entre a <i>vida consagrada <\/i>e a <i>miss\u00e3o<\/i> subsiste uma forte liga\u00e7\u00e3o, porque, se todo o baptizado \u00e9 chamado a dar testemunho do Senhor Jesus, anunciando a f\u00e9 que recebeu em dom, isto vale de modo particular para a pessoa consagrada. O seguimento de Jesus, que motivou a apari\u00e7\u00e3o da vida consagrada na Igreja, \u00e9 reposta \u00e0 chamada para se tomar a cruz e segui-Lo, imitar a sua dedica\u00e7\u00e3o ao Pai e os seus gestos de servi\u00e7o e amor, perder a vida a fim de a reencontrar. E, dado que toda a vida de Cristo tem car\u00e1cter mission\u00e1rio, os homens e mulheres que O seguem mais de perto assumem plenamente este mesmo car\u00e1cter.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o mission\u00e1ria, que pertence \u00e0 pr\u00f3pria natureza da Igreja, \u00e9 <i>intr\u00ednseca tamb\u00e9m a cada forma de vida consagrada<\/i>, e n\u00e3o pode ser transcurada sem deixar um vazio que desfigura o carisma. A miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 proselitismo, nem mera estrat\u00e9gia; a miss\u00e3o faz parte da \u00abgram\u00e1tica\u00bb da f\u00e9, \u00e9 algo de imprescind\u00edvel para quem se coloca \u00e0 escuta da voz do Esp\u00edrito, que sussurra \u00abvem\u00bb e \u00abvai\u00bb. Quem segue Cristo n\u00e3o pode deixar de tornar-se mission\u00e1rio, e sabe que Jesus \u00abcaminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa mission\u00e1ria\u00bb (Exort. ap. <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#A_unidade_prevalece_sobre_o_conflito\"><i>Evangelii gaudium<\/i>, 266<\/a>).<\/p>\n<p>A miss\u00e3o \u00e9 uma <i>paix\u00e3o por Jesus Cristo<\/i> e, ao mesmo tempo, uma <i>paix\u00e3o pelas pessoas<\/i>. Quando nos detemos em ora\u00e7\u00e3o diante de Jesus crucificado, reconhecemos a grandeza do seu amor, que nos dignifica e sustenta e, simultaneamente, apercebemo-nos de que aquele amor, sa\u00eddo do seu cora\u00e7\u00e3o trespassado, estende-se a todo o povo de Deus e \u00e0 humanidade inteira; e, precisamente deste modo, sentimos tamb\u00e9m que Ele quer servir-Se de n\u00f3s para chegar cada vez mais perto do seu povo amado (cf. <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#O_prazer_espiritual_de_ser_povo\"><i>Ibid.,<\/i> 268<\/a>) e de todos aqueles que O procuram de cora\u00e7\u00e3o sincero. Na ordem de Jesus \u2013 \u00abIde\u00bb \u2013, est\u00e3o contidos os cen\u00e1rios e os desafios sempre novos da miss\u00e3o evangelizadora da Igreja. Nesta, todos s\u00e3o chamados a anunciar o Evangelho pelo testemunho da vida; e, de forma especial aos consagrados, \u00e9 pedido para <i>ouvirem a voz do Esp\u00edrito que os chama a partir para as grandes periferias da miss\u00e3o<\/i>, entre os povos onde ainda n\u00e3o chegou o Evangelho.<\/p>\n<p>O cinquenten\u00e1rio do Decreto conciliar <i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decree_19651207_ad-gentes_po.html\">Ad gentes<\/a> <\/i>convida-nos a reler e meditar este documento que suscitou um <i>forte impulso mission\u00e1rio<\/i> <i>nos Institutos de Vida Consagrada<\/i>. Nas comunidades contemplativas, recobrou luz e eloqu\u00eancia a figura de Santa Teresa do Menino Jesus, padroeira das miss\u00f5es, como inspiradora da \u00edntima liga\u00e7\u00e3o que h\u00e1 entre a vida contemplativa e a miss\u00e3o. Para muitas congrega\u00e7\u00f5es religiosas de vida activa, a \u00e2nsia mission\u00e1ria surgida do <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/index_po.htm\">Concilio Vaticano II<\/a> concretizou-se numa extraordin\u00e1ria abertura \u00e0 miss\u00e3o <i>ad gentes,<\/i> muitas vezes acompanhada pelo acolhimento de irm\u00e3os e irm\u00e3s provenientes das terras e culturas encontradas na evangeliza\u00e7\u00e3o, de modo que hoje pode-se falar de uma generalizada interculturalidade na vida consagrada. Por isso mesmo, \u00e9 urgente repropor o ideal da miss\u00e3o com o seu centro em Jesus Cristo e a sua exig\u00eancia na doa\u00e7\u00e3o total de si mesmo ao an\u00fancio do Evangelho. Nisto n\u00e3o se pode transigir: <i>quem acolhe, pela gra\u00e7a de Deus, a miss\u00e3o, \u00e9 chamado a viver de miss\u00e3o.<\/i> Para tais pessoas, o an\u00fancio de Cristo, nas m\u00faltiplas periferias do mundo, torna-se o modo de viver o seguimento d\u2019Ele e a recompensa de tantas canseiras e priva\u00e7\u00f5es. Qualquer tend\u00eancia a desviar desta voca\u00e7\u00e3o, mesmo se corroborada por nobres motiva\u00e7\u00f5es relacionadas com tantas necessidades pastorais, eclesiais e humanit\u00e1rias, n\u00e3o est\u00e1 de acordo com a chamada pessoal do Senhor ao servi\u00e7o do Evangelho. Nos <i>Institutos Mission\u00e1rios<\/i>, os formadores s\u00e3o chamados tanto a apontar, clara e honestamente, esta perspectiva de vida e ac\u00e7\u00e3o, como a discernir com autoridade aut\u00eanticas voca\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias. Dirijo-me sobretudo aos<i> jovens<\/i>, que ainda s\u00e3o capazes de testemunhos corajosos e de empreendimentos generosos e \u00e0s vezes contracorrente:<i> n\u00e3o deixeis que vos roubem o sonho duma verdadeira miss\u00e3o, <\/i>dum seguimento de Jesus que implique o dom total de si mesmo. No segredo da vossa consci\u00eancia, interrogai-vos sobre a raz\u00e3o pela qual escolhestes a vida religiosa mission\u00e1ria e calculai a disponibilidade que tendes para a aceitar por aquilo que \u00e9: um dom de amor ao servi\u00e7o do an\u00fancio do Evangelho, nunca vos esquecendo de que o an\u00fancio do Evangelho, antes de ser uma necessidade para quantos que n\u00e3o o conhecem, \u00e9 uma car\u00eancia para quem ama o Mestre.<\/p>\n<p>Hoje, a miss\u00e3o enfrenta o desafio de respeitar a necessidade que todos os povos t\u00eam de <i>recome\u00e7ar das pr\u00f3prias ra\u00edzes e salvaguardar os valores das respectivas culturas.<\/i> Trata-se de conhecer e respeitar outras tradi\u00e7\u00f5es e sistemas filos\u00f3ficos e reconhecer a cada povo e cultura o direito de fazer-se ajudar pela pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o na compreens\u00e3o do mist\u00e9rio de Deus e no acolhimento do Evangelho de Jesus, que \u00e9 luz para as culturas e for\u00e7a transformadora das mesmas.<\/p>\n<p>Dentro desta din\u00e2mica complexa, ponhamo-nos a quest\u00e3o: \u00abQuem s\u00e3o os <i>destinat\u00e1rios privilegiados<\/i> do an\u00fancio evang\u00e9lico?\u00bb A resposta \u00e9 clara; encontramo-la no pr\u00f3prio Evangelho: os pobres, os humildes e os doentes, aqueles que muitas vezes s\u00e3o desprezados e esquecidos, aqueles que n\u00e3o te podem retribuir (cf. <i>Lc<\/i> 14, 13-14). Uma evangeliza\u00e7\u00e3o dirigida preferencialmente a eles \u00e9 sinal do Reino que Jesus veio trazer: \u00abexiste um v\u00ednculo indissol\u00favel entre a nossa f\u00e9 e os pobres. N\u00e3o os deixemos jamais sozinhos!\u00bb (Exort. ap. <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#V._Uma_m\u00e3e_de_cora\u00e7\u00e3o_aberto\"><i>Evangelii gaudium,<\/i> 48<\/a>). Isto deve ser claro especialmente para as pessoas que abra\u00e7am a vida consagrada mission\u00e1ria: com o voto de pobreza, escolhem seguir Cristo nesta sua prefer\u00eancia, n\u00e3o ideologicamente, mas identificando-se como Ele com os pobres, vivendo como eles na precariedade da vida di\u00e1ria e na ren\u00fancia ao exerc\u00edcio de qualquer poder para se tornar irm\u00e3os e irm\u00e3s dos \u00faltimos, levando-lhes o testemunho da alegria do Evangelho e a express\u00e3o da caridade de Deus.<\/p>\n<p>Para viver o testemunho crist\u00e3o e os sinais do amor do Pai entre os humildes e os pobres, os consagrados s\u00e3o chamados a promover, no servi\u00e7o da miss\u00e3o, <i>a presen\u00e7a dos fi\u00e9is leigos.<\/i> Como j\u00e1 afirmava o Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, \u00abos leigos colaboram na obra de evangeliza\u00e7\u00e3o da Igreja e participam da sua miss\u00e3o salv\u00edfica, ao mesmo tempo como testemunhas e como instrumentos vivos\u00bb <i>(<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decree_19651207_ad-gentes_po.html\">Ad gentes<\/a>,<\/i> 41). \u00c9 necess\u00e1rio que os consagrados mission\u00e1rios se abram, cada vez mais corajosamente, \u00e0queles que est\u00e3o dispostos a cooperar com eles, mesmo durante um tempo limitado numa experi\u00eancia ao vivo. S\u00e3o irm\u00e3os e irm\u00e3s que desejam <i>partilhar a voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria inscrita no Baptismo.<\/i> As casas e as estruturas das miss\u00f5es s\u00e3o lugares naturais para o seu acolhimento e apoio humano, espiritual e apost\u00f3lico.<\/p>\n<p>As <i>Institui\u00e7\u00f5es e as Obras Mission\u00e1rias da Igreja<\/i> est\u00e3o postas totalmente ao servi\u00e7o daqueles que n\u00e3o conhecem o Evangelho de Jesus. Para realizar eficazmente este objectivo, aquelas precisam dos carismas e do compromisso mission\u00e1rio dos consagrados, mas tamb\u00e9m os consagrados precisam duma estrutura de servi\u00e7o, express\u00e3o da solicitude do Bispo de Roma para garantir de tal modo a<i>koinonia<\/i> que a colabora\u00e7\u00e3o e a sinergia fa\u00e7am parte integrante do testemunho mission\u00e1rio. Jesus colocou a unidade dos disc\u00edpulos como condi\u00e7\u00e3o para que o mundo creia (cf. <i>Jo<\/i> 17, 21). A referida converg\u00eancia n\u00e3o equivale a uma submiss\u00e3o jur\u00eddico-organizativa a organismos institucionais, nem a uma mortifica\u00e7\u00e3o da fantasia do Esp\u00edrito que suscita a diversidade, mas significa conferir maior efic\u00e1cia \u00e0 mensagem evang\u00e9lica e promover aquela unidade de intentos que \u00e9 fruto tamb\u00e9m do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>A Obra Mission\u00e1ria do Sucessor de Pedro tem um <i>horizonte apost\u00f3lico universal<\/i>. Por isso, tem necessidade tamb\u00e9m dos <i>in\u00fameros carismas da vida consagrada<\/i>, para dirigir-se ao vasto horizonte da evangeliza\u00e7\u00e3o e ser capaz de assegurar uma presen\u00e7a adequada nas fronteiras e nos territ\u00f3rios alcan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, a paix\u00e3o do mission\u00e1rio \u00e9 o Evangelho. S\u00e3o Paulo podia afirmar: \u00abAi de mim, se eu n\u00e3o evangelizar!\u00bb (<i>1 Cor<\/i> 9, 16). O Evangelho \u00e9 fonte de alegria, liberdade e salva\u00e7\u00e3o para cada homem. Ciente deste dom, a Igreja n\u00e3o se cansa de anunciar, incessantemente, a todos \u00abO que existia desde o princ\u00edpio, O que ouvimos, O que vimos com os nossos olhos\u00bb (<i>1<\/i> <i>Jo<\/i> 1, 1). A miss\u00e3o dos servidores da Palavra \u2013 bispos, sacerdotes, religiosos e leigos \u2013 \u00e9 colocar a todos, sem excluir ningu\u00e9m, em rela\u00e7\u00e3o pessoal com Cristo. No campo imenso da actividade mission\u00e1ria da Igreja, cada baptizado \u00e9 chamado a viver o melhor poss\u00edvel o seu compromisso, segundo a sua situa\u00e7\u00e3o pessoal. Uma resposta generosa a esta voca\u00e7\u00e3o universal pode ser oferecida pelos consagrados e consagradas atrav\u00e9s duma vida intensa de ora\u00e7\u00e3o e uni\u00e3o com o Senhor e com o seu sacrif\u00edcio redentor.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que confio a Maria, M\u00e3e da Igreja e modelo de missionariedade, todos aqueles que, <i>ad gentes <\/i>ou no pr\u00f3prio territ\u00f3rio, em todos os estados de vida, cooperam no an\u00fancio do Evangelho, de cora\u00e7\u00e3o concedo a cada um a B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica.<\/p>\n<p><i>Vaticano, 24 de Maio \u2013 Solenidade de Pentecostes \u2013 de 2015.<\/i><\/p>\n<p align=\"center\"><b>FRANCISCO<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DAS MISS\u00d5ES 2015 &nbsp; Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, Neste ano de 2015, o Dia Mundial das Miss\u00f5es tem como pano de fundo o Ano da Vida Consagrada, que serve de est\u00edmulo para a sua ora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o. 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