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Jornadas de Formação do Clero – Síntese dos trabalhos

Jornadas de Formação do Clero

Diocese de Aveiro | 3-5 de Fevereiro de 2015

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Síntese dos trabalhos

O clero da Diocese de Aveiro reuniu-se durante os dias 3 a 5 de Fevereiro para refletir o tema “Da Missão à Evangelização e da Evangelização à Missão”, assim como também uma oportunidade de convívio e partilha entre o Clero, consideravelmente presente em bom número ao longo dos dias. O programa das Jornadas de Formação inscreveu-se na continuidade da Missão Jubilar da Diocese, tentando dar mais alguns contributos à reflexão e aprofundamento de alguns temas, nomeadamente alguns desafios lançados à Igreja pelo Papa Francisco como aqueles que derivam da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium e do Sínodo dos Bispos sobre a Família. Nestas que são as primeiras Jornadas de formação do clero com o seu Bispo António Moiteiro, procurou-se dar espaço também à sua intervenção para delinear algumas perspetivas de futuro para a Diocese de Aveiro.

Neste sentido, o Sr. Bispo convidou-nos a viver estes dias numa dupla dimensão: no horizonte de saída que o Papa Francisco sugere desde o início do seu Pontificado, mas também numa atitude de exame de consciência das nossas opções e critérios pastorais.

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Logo no primeiro dia, o Sr. Bispo António Couto (Bispo da Diocese de Lamego) apresentou algumas chaves de leitura da Evangelii Gaudium, advertindo a uma leitura que vá para além das frases mediáticas. Insistiu bastante no padrão educativo e evangelizador que olha para as pessoas, sobretudo os mais jovens, como comunicadores da alegria e não apenas recipientes de uma mensagem. Esta consciência faz que todos sintam a “urgência de uma Igreja em saída”, sendo este o caminho com saída que a Igreja de hoje deve saber percorrer. Salientou assim a “energia da alegria” que perpassa toda a exortação papal e apontou o dedo a uma “Igreja que muitas vezes parece mais viúva do que esposa de Jesus Cristo”, ressalvando a importância de “avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária que não pode deixar as coisas como estão”. D. António Couto afirmou que “o primeiro anúncio é o elemento fundamental de toda a pastoral” e que “a dimensão missionária tem que ser o horizonte permanente da ação da Igreja”. Evidenciou o “vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres que são os privilegiados do Evangelho”, pedindo que não só os bispos e os padres, mas também os cristãos leigos, sejam “pessoas comovidas, com lágrimas nos olhos” e apontou também a necessidade de as paróquias seres “casas de portas abertas”, “santuários onde os sedentos vão beber” a fim de que “quem encontra a paróquia encontre Cristo, sem glosas e sem filtros. Desafiou, já a terminar, a uma evangelização “non stop”, ao primado da graça sobre as estratégias e ao Espírito Santo não condicionado.

O Jornalista António Marujo apelou a uma formação mais ativa e intensa dos cristãos em relação à Doutrina Social que permita repensar toda a acção social da Igreja. Foi neste sentido que propôs que a Igreja deveria saber criar uma “alternativa aos modelos económicos e financeiros vigentes”, que assentasse nos principais pilares da doutrina social, como o primado do bem comum sobre a propriedade privada ou o primado da pessoa sobre o capital e que a instituição Universidade Católica deveria revestir na sua proposta uma verdadeira alternativa aos modelos económicos vigentes. Na sua partilha elencou algumas periferias da Evangelii Gaudium como a “cidade e a pastoral urbana”, a “multiculturalidade”, a “solidão”, a “religiosidade popular” e a “pobreza”. Estas periferias são um apelo à missão para que concretize do sonho do Papa Francisco de “chegar a todos”

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No segundo dia, depois de um tempo de assuntos vários de pastoral diocesana, o Frei José Nunes, OP, desenvolveu o tema da Pregação e a sua relação com a ação evangelizadora da Igreja. Apresentou a homilia como oportunidade de pregação e evangelização ao alcance dos ministros ordenados, destacando a longa apresentação que o Papa Francisco faz na Exortação Evangelii Gaudium. Recordou que “toda a humanidade é destinatária da evangelização”, mas não da mesma forma. Segundo o conferencista, há evangelização para fora (ad gentes), uma para dentro (ad intra) e também uma “nova evangelização” destinada a tantos batizados que hoje precisam de novo do anúncio do Evangelho. Num segundo momento da intervenção intitulada “Evangelizar a pregação”, o conferencista tratou de relevar os requisitos pedagógicos ao nível das leis da comunicação, dando conta da importância não só do “saber o que dizer na homilia” mas também do “como dizer” e elencou as diversas formas de comunicação a valorizar nesta prática homilética.

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A terminar as Jornadas de formação, o Sr. Patriarca de Lisboa – D. Manuel Clemente – justificou a necessidade que o Papa teve em voltar a trazer o tema da Família para a vida presente da Igreja, depois de tanto ter sido já dito. Existe na Igreja uma dificuldade na receção dos Documentos do Magistério. A problemática familiar está no cerne de um problema maior que afeta a sociedade e a Igreja que apresentou como sendo uma crise do compromisso comunitário. Existe um maior tecido urbano, e a crescer, e a falta de laços de solidariedade, percebendo-se uma sociedade que caminha para um anonimato geral. Repetiu e resumiu a frase “tecnologicamente é possível, a mim apetece, logo tenho direito”. É a expressão de uma mentalidade pós-moderna, que chamou uma “nova forma de gnose”, e que se traduz no posso, quero e tenho direito. A forma de “governance” do Papa Francisco procura ajudar a Igreja a não deixar adormecer a atenção necessária à Família nas suas diversas problemáticas. Partilhou ainda a forma como muitos destas problemáticas sociais, eclesiais e sacramentais foram colocada na Assembleia Sinodal. Já a terminar, o Sr. Patriarca frisou a expressão de convite do Papa Francisco às comunidades cristãs para que sejam ilhas de misericórdia num mar de indiferença de forma a renovar também as comunidades em chave familiar, onde as famílias sejam sujeito de evangelização.

Pe. João Alves

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