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Olhou-os com misericórdia… Carta pastoral na semana dos Seminários

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Olhou-os com misericórdia…

A semana de oração pelos seminários, que decorre nos dias 8-15 de novembro e que quase coincide com o terminar do ano da vida consagrada, é um tempo propício para refletir acerca da necessidade do ministério ordenado e da presença dos consagrados na vida das dioceses. Os objetivos que o papa Francisco traçou para o Ano da Vida Consagrada podem perfeitamente ser aplicados ao nosso presbitério: olhar com gratidão para tantos sacerdotes e diáconos que gastaram a sua vida nas paróquias que constituem o todo da Diocese; o apelo a viver com paixão o presente, porque a lembrança agradecida do passado impele-nos a implementar, de maneira cada vez mais profunda, os aspetos constitutivos da nossa vida sacerdotal; e abraçar com esperança o futuro que se funda n`Aquele em quem pusemos a nossa confiança (cf. 2Tm 1,12) e para quem «nada é impossível» (Lc 1,37).

1. Somos chamados a semear (Mc 4, 1-10)

Semear requer algumas condições. A semente não germina em qualquer terreno. Se o terreno é bom, a pequena semente converte-se em árvore frondosa. Tal como a semente que, se não tiver um terreno que a acolha e quem a cuide, não pode germinar e dar fruto, também a Palavra de Deus, que é viva e eficaz, precisa de um terreno adequado e ser cultivada para que possa dar fruto.

Ao êxito inicial de Jesus na Galileia, segue-se uma crise profunda: os familiares não compreendem a sua missão e os doutores da lei caluniam-no. É neste contexto que Jesus narra parábolas, como voz de alento e de esperança. A Palavra de Deus é eficaz, mas a sua germinação depende das condições do terreno.

Jesus expõe a parábola do semeador perante uma multidão (Mc 4,2-9). As diferentes qualidades de terra, que possibilitam ou impossibilitam a germinação da semente, representam os ouvintes da Palavra: uns aceitam-na e outros rejeitam-na.

A semente que cai em boa terra expressa o mistério do crescimento e a força da Palavra de Deus (Mc 4,26-29). Temos de aprender, confiadamente, que os frutos pertencem a Deus e a nós compete-nos semear. Para germinar é preciso tempo, e como vivemos numa sociedade absorvida pela cultura do ‘imediato’, custa-nos entender o mistério escondido na semente que germina. O trabalho do homem é importante, mas não dá o crescimento; este depende da ação gratuita de Deus. Podemos ver isto mesmo no Salmo 127: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os construtores”.

2. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores (Lc 10, 2)

O pedido de Jesus «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos; por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe» (Lc 10,2), tem de despertar e ressoar profundamente na nossa vida de discípulos de Jesus e na vida de todas as comunidades cristãs da nossa diocese de Aveiro. Ninguém se pode excluir desta missão; é necessário continuar a chamar porque a seara onde o Evangelho se semeia é o mundo, e os operários são poucos para a dimensão da messe. Este mandato de Jesus «pedir que haja operários…» não é exclusivo do bispo, dos sacerdotes, diáconos ou consagrados, mas sim uma obrigação de todos. A nossa Diocese pode e deve empenhar-se mais nesta nobre missão da vida da Igreja; estamos numa área geográfica populosa, onde há bastantes crianças e jovens, pelo que temos de promover uma cultura vocacional em todos os setores da vida diocesana. A melhor forma de o fazermos é intensificarmos a oração pelas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada.

A oração cristã não é simplesmente pedir coisas a Deus, mas permanecer diante d’Ele o tempo necessário para nos deixarmos fascinar por Ele. O tempo da oração é o tempo “da encarnação de Deus em nós”, o tempo em que nos deixamos inspirar e transformar à Sua imagem. O cristão é uma pessoa que testemunha que Deus lhe falou e lhe comunicou os seus gostos: o da pobreza, da humildade, da justiça, até se libertar dos seus próprios gostos e interesses. Rezar é, pois, deixar-se encher da fonte de paz e amor, para descobrirmos os planos de Deus em nós.

É nosso desejo que em todas as paróquias se constituíssem grupos de oração pelas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada. Não podemos ficar indiferentes a este desafio. É importante chamar, mas cada um de nós tem a missão de pedir que o Senhor da messe mande operários para a sua messe.

3. É Deus quem faz crescer (1Cor 3, 7)

O discurso do papa Francisco aos bispos portugueses na Visita ad Limina, no transato mês de setembro, diz-nos que a «Igreja em Portugal precisa de jovens capazes de dar resposta a Deus que os chama, para voltar a haver famílias cristãs estáveis e fecundas, para voltar a haver consagrados e consagradas que trocam tudo pelo tesouro do reino de Deus, para voltar a haver sacerdotes imolados com Cristo pelos seus irmãos e irmãs». Estas palavras do Santo Padre interpelam-me a fazer alguns apelos à nossa comunidade diocesana, os quais considero serem necessários, na nossa pastoral, se queremos desenvolver uma cultura vocacional. A Palavra precisa de ser compreendida e partilhada, tornando-se serviço e generosidade, e não somente compreendida.

Famílias, acolhei com alegria o dom da vocação nascida no vosso seio.

Jovens e adolescentes, não vos deixeis seduzir pelo ócio, porque o Reino dos céus precisa de vós; cultivai o encontro pessoal com Jesus Cristo, vivido numa dinâmica vocacional, segundo a qual Deus chama e o ser humano responde.

Paróquias e movimentos apostólicos, sede mediadores da proposta vocacional; dai dimensão vocacional à vossa catequese, de modo que todos possam responder, alegres e felizes, ao bom Deus que chama.

Sacerdotes e consagrados, cultivai a oração e a profundidade espiritual, essenciais para a evangelização.

Jesus aguarda continuamente uma resposta: o nosso ‘Sim’ generoso ao seu chamamento.

Enche-me de alegria poder terminar esta Carta pastoral com uma boa notícia, ao mesmo tempo que lanço um pedido a toda a Diocese.

1º. No domingo, dia 15 de novembro, no encerramento da semana dos seminários, é ordenado diácono o Gustavo André da Silva Fernandes, aluno do nosso seminário, às 16:00 H, na igreja matriz da paróquia da Branca, no arciprestado de Albergaria-a-Velha, onde está a trabalhar pastoralmente. Peço, de um modo particular aos adolescentes e jovens, que participem ativamente na celebração e façam a experiência de ver concretizado o chamamento de Jesus num jovem da sua idade.

2º. No presente ano letivo, o nosso seminário de Aveiro tem 9 jovens no 10º, 11º e 12º anos, alguns adolescentes e jovens, a frequentar o pré-seminário em ordem ao seu discernimento vocacional; e no seminário dos Olivais temos 4 estudantes de teologia: 1 no 5º ano e 3 no 4º ano. A oração e o compromisso em propor a vocação sacerdotal e de consagração aos adolescentes, jovens e até adultos, é o primeiro meio desta cultura vocacional que todos estamos chamados a realizar. Além disto, estendo a mão à generosidade de toda a comunidade diocesana na ajuda material à formação dos futuros pastores, quer através da instituição de bolsas de estudo quer através de ofertas individuais. O vosso contributo é muito importante.

Que a Virgem do Sim nos ensine a ser generosos em responder às propostas que o Espírito de Deus nos vai fazendo cada dia; e que a intercessão de Santa Joana Princesa, nossa Padroeira, nos incentive a pedirmos ao «Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara».

Senhor Jesus,

Ao passares junto a nós, olhas-nos com misericórdia, chamas-nos e escolhes-nos.

Concede-nos a graça de, seduzidos, nos erguermos para Te seguir.

Que o Teu olhar misericordioso dê, aos sacerdotes e consagrados, a fidelidade;

Aos seminaristas, amor à vocação;

Aos jovens, alegria para o caminho.

Senhor Jesus,

Concede a toda a Igreja, felizes e santas vocações sacerdotais e de consagração.

Ámen.

 

 

† António Moiteiro, vosso bispo e irmão.

 

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