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Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor

“A Ressurreição” descreve Cristo que destruiu as portas do inferno e está a puxar Adão e Eva para fora dos seus túmulos. Fresco na cúpula da Igreja de Chora – Istambul, Turquia. 

VIGÍLIA PASCAL

– Ano A –

Breve comentário

Logo após a narração da paixão de Jesus que se conclui com a sua sepultura e com o cuidado dos sumos sacerdotes em colocarem guardas no sepulcro para impedir que os discípulos lavassem o seu corpo, o evangelista passa para o primeiro dia da semana, ao romper do dia, quando duas mulheres do grupo se dirigem ao sepulcro.

No dia anterior, sábado e festa solene da Páscoa, tinham permanecido na cidade, observando a lei do repouso sabático. Era costume da época os familiares e amigos do defunto irem ao sepulcro até ao terceiro dia para se assegurarem se a sepultura não teria sido prematura.

Mateus usa a linguagem bíblica para vincar que a ressurreição de Jesus tem uma marca sobrenatural e divina. Por isso, tal como no momento da morte, há um grande terramoto e a intervenção do Anjo do Senhor que desce do céu, remove a pedra e senta-se sobre ela, para além de referir o seu aspecto em traços que vincam a sua personalidade celeste (aspecto como relâmpago, túnica muito branca). Não é referido o aspecto que de Jesus ressuscitado pois a descrição do anjo faz saltar à nossa mente o episódio da Transfiguração e o aspecto de Cristo glorioso.

Mateus não descreve a ressurreição de Jesus nem diz que ela tenha ressuscitado no momento em que a pedra é removida, mas dá-nos chaves para a compreensão do acontecimento.

O anjo faz de mensageiro e convida as mulheres a não temerem e anuncia a ressurreição do «crucificado». Jesus continua a ser o crucificado mesmo ressuscitado.

«Não está aqui, pois ressuscitou, como tinha dito». O anúncio pascal continua. Vê-se ainda o interesse de Mateus pelo cumprimento das profecias. Jesus tinha predito várias vezes a sua morte e a sua ressurreição; o sepulcro vazio não é a prova da ressurreição, mas um sinal.

O anúncio pascal termina com uma ordem: ide anunciá-lo aos seus discípulos. Esta é para eles uma palavra de perdão. Jesus precede-os. Esta expressão tem dois significados. O primeiro é: Jesus já está na Galileia e está à vossa espera. O segundo: Jesus voltará a ser o vosso guia.

Tendo partido do sepulcro, com temor e grande alegria, correram a anunciá-lo aos seus discípulos.
Neste ponto Marcos falava do medo das mulheres que voltaram para trás sem dizer nada a ninguém. Mateus muda a perspectiva e introduz a aparição de Jesus às mulheres, enquanto estas estavam a ir para cumprir o que o anjo lhes tinha dito. Jesus dá às mulheres um anúncio de paz e de alegria. A atitude das mulheres é descrita com termos muito habituais em Mateus. A atitude justa a ter diante de Jesus é a adoração (como fizeram os magos, Mt 2,1-12, como queria Satanás no deserto que Jesus lhe fizesse, Mt 4,9). Jesus não acrescenta nada às palavras do anjo, excepto o facto de chamar «meus irmãos» aos seus discípulos. É hora de recomeçar, de voltar às origens para o início duma nova vida.

Pe. Franclim

Diocese de Aveiro

 

 

DOMINGO DE PÁSCOA

– ANO A –

 

Breve comentário

O evangelista João escreve para um grupo de pessoas que, na sua maior parte, não teve qualquer contacto pessoal com a figura do Jesus histórico. A sua relação com Jesus ressuscitado baseava-se no contacto íntimo que a fé proporciona. Por isso, S. João começa por acentuar alguns aspectos de encontro físico com a realidade do túmulo vazio, apresentando experiências concretas.

Maria Madalena vai ao túmulo «de madrugada», quando já começa a haver alguma luz, o que não se parece conciliar com a referência «quando ainda estava escuro». Ela dirige-se ao túmulo ainda possuída pela ideia da morte, em «trevas», e não dá conta que o «dia» já começou. É o primeiro dia: começou uma nova criação!

Maria Madalena fica consternada perante a pedra removida. A palavra usada por João significa sobretudo um mausoléu. Isso indica que o túmulo de Jesus era especial. Havia duas classes de sepulcros a que podemos chamar covas ou cavernas: as mais comuns eram poços de tipo vertical. Sobre a cavidade, como tampa do poço, havia uma pedra ou lousa que cobria o buraco impedindo que as feras de chegarem ao cadáver. Já as covas de tipo horizontal eram sepulcros escavados ao nível do chão com uma abertura de aproximadamente um metro de diâmetro de modo que um adulto tinha de baixar-se para conseguir entrar. Uma pedra, que nalguns casos era uma roda deslizante sobre um carril escavado, tapava a entrada. Este parece ser o túmulo que quase todos os evangelistas chamam sepulcro novo, escavado na rocha, no qual José de Arimateia colocou o corpo de Jesus.

Conclui, imediatamente, que o Senhor não se encontra no túmulo! Alguém o deve ter levado. É isto que ela vai comunicar a Pedro e ao «outro discípulo que Jesus amava». Sente-se perdida sem Jesus. Há uma atitude de procura, mas busca um Senhor morto.

O evangelista refere a pressa com que os dois discípulos se dirigem ao sepulcro: vão a correr, mas o outro discípulo chega em primeiro lugar. Apesar disso, deixa que Pedro entre em primeiro lugar, mantendo a precedência habitual em relação aos outros discípulos.

Pedro analisa o estado das coisas: «vê os panos de linho por terra e o sudário que cobrira a cabeça de Jesus. O sudário não estava com os panos de linho no chão, mas enrolado num lugar à parte». Isto é sinal evidente que o cadáver não foi roubado, pois quem o roubasse não se daria ao trabalho de deixar tudo em ordem.

Depois de Pedro entra também «o outro discípulo». E o evangelho diz: «Viu e acreditou». Mas nada diz da reacção de Pedro que tinha entrado antes. E no final acrescenta esta frase: «Ainda não conheciam a Escritura, que Ele devia ressuscitar dos mortos. Isto significa que o Antigo Testamento por si só não comunica a compreensão total do que contém. A luz para compreender o verdadeiro sentido do Antigo Testamento vê-se no preciso momento em que o Discípulo Amado «viu e acreditou». A sua experiência da ressurreição foi como uma luz que entrou nos olhos dos discípulos e das discípulas e lhes revelou o sentido total e pleno do Antigo Testamento. Aquele discípulo, que está em sintonia com Jesus, a Vida, compreende os sinais da morte e do amor de Jesus. Parte dos sinais para chegar à fé no encontro pessoal com o Ressuscitado. Reconhece o mistério da presença por meio da ausência.

A experiência do ressuscitado tem dois aspectos: negativo e positivo. É, em primeiro lugar, a experiência da ausência que, todavia, se descobre como sinal de vida. Em segundo lugar, reconhece e experimenta a vida anunciada. Jesus morreu, mas não é cadáver e está vivo e presente. É inútil buscá-lo no sepulcro, ele não está ali. O sepulcro é passado que remete para o presente. Será a reflexão posterior dos acontecimentos vistos à luz das Escrituras que irá ajudar a compreender o sentido da Ressurreição.

Pe. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

 

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