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XII Domingo do Tempo Comum – Ano A

Breve comentário

No domingo passado, a página do evangelho ensinava-nos que Jesus envia os discípulos de todos os tempos a «evangelizar», dizendo o que Ele dizia e fazendo o que Ele fazia… deixando, assim, que Ele continue a dizer e a agir através deles.

«O que vos digo à escuras… pregai-o sobre os telhados». Jesus quer transmitir-nos uma certeza que está presente no seu coração: todos os homens têm necessidade absoluta do evangelho. A revelação de Deus Pai que, através do Filho, chama todos a serem felizes com a sua própria felicidade, era feita por Jesus a todos mas depois ele explicava-a aos seus discípulos de maneira mais esmiuçada e num longo caminho educativo.Tudo o que eles escutaram, apreenderam e viveram na relação com Ele, é uma experiência tão rica que não pode permanecer dentro do seu grupo, para uso e consumo próprio, mas todos os homens devem ser participantes disso, todos devem sabê-lo, a mensagem de Jesus devem chegar a todos. Para atingir este fim, os discípulos devem recorrer a todos os expedientes, de todos os meios: desde a palavra escrita aos instrumentos mais variados e poderosos de comunicação. Um anúncio público que não pode descuidar nenhuma pessoa, nenhuma idade, nenhuma categoria. Um anúncio que proclame todas as palavras de Jesus todos os aspectos da Revelação, sem atender aos gostos pessoas de quem anuncia ou de quem escuta.

No texto imediatamente anterior a este (vv. 16-25) Jesus anunciou abertamente as perseguições contra os discípulos enviados em missão. Por isso, encoraja-os: «Não temais». É um dos imperativos mais frequentes na Bíblia, sempre na boca de Deus no seu contacto com uma pessoa ou um grupo. Ao homem habituado a conviver com o medo, a deixar-se ficar prisioneiro do medo, Deus oferece a certeza da sua presença.

Jesus retoma insistentemente esta exortação divina e, neste caso, apresenta alguns motivos para que os seus discípulos não temam. Em primeiro lugar, a palavra de Jesus, mesmo confiada a poucos, irá desenvolver-se como a semente duma árvore (cf. Mt 13,31-32). O próprio Deus se encarregará de dar a conhecer e difundir a revelação de Jesus: é este o sentido dos dois passivos (ser revelado, ser conhecido, por Deus).

Em segundo lugar, Jesus não promete aos discípulos poupá-los dos males que temem. Mas quer abrir-lhes aos olhos: onde estão o verdadeiro bem e o verdadeiro mal? A vida terrena não é o maior bem, tal como a morte não é o maior mal. O verdadeiro bem é a vida eterna e o verdadeiro mal é ser privado de Deus. É este o sentido da expressão «temei antes a Deus» (isto é, reconhecê-lo, amá-lo, fazer a sua vontade). Deus é infinitamente mais poderoso que os perseguidores e é d’Ele que depende o nosso destino definitivo, a vida eterna ou a ruína eterna.

«Todo aquele que se declarar…». O martírio (= testemunho) é a forma mais elevada de anúncio. Porém, nós podemos dar à nossa vida, todos os dias, a dimensão do «martírio» quando realizamos todos os gestos na radicalidade do amor a Deus e ao próximo.

O terceiro motivo sobre o qual Jesus assenta a exortação a pôr de parte o temor é o amor paterno e providente de Deus por cada um dos seus filhos. Deus cuida de todas as criaturas até mesmo do mais simples pássaro. Cada um dos seus filhos é precioso a seus olhos, como são preciosos os seus sofrimentos e o seu empenhamento em se manterem fiéis.

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

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