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Não tenhais medo! Eu estou convosco! – homilia no dia da Igreja diocesana

 

Homilia do Dia da Igreja diocesana

Não tenhais medo! Eu estou convosco!

 

  1. Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma

A passagem do evangelho, que acabámos de escutar, é como que uma resposta ao texto do profeta Jeremias que escutávamos na primeira leitura: mostra a luta interior daquele que se sente chamado e seduzido por Deus e que tem de falar e proclamar aquilo que os outros não querem escutar.

Jeremias queixa-se a Deus porque o escolheu para uma missão tão difícil, mas, ao mesmo tempo, sente que Deus o seduziu com a sua palavra, que pode trazer luz a esta terra. Mesmo que sejam perseguidos os profetas (e hoje continuam a existir perseguições em nome de Jesus), Deus suscitará outros profetas, como Jeremias, que continuarão a missão dada por Deus.

Esta é a tónica da história da salvação. Quem confia em Deus não tem nada a temer. O Deus que conduziu o seu povo através do deserto é o mesmo que hoje nos dá força e nos diz o mesmo que disse a Pedro e aos seus companheiros, açoitados pelas ondas do mar, «Coragem! Sou eu! Não temais!» (Mt 14, 27). Foi no meio das dificuldades nos inícios da pregação do evangelho que os apóstolos experimentaram a mão amiga de Deus que não os deixava abandonados. Por isso, entendemos o grito do evangelho de hoje: «Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma».

Temos de ter muito presente que o profeta não é mais importante do que a sua mensagem, nem a missão do evangelizador é mais do que o próprio evangelho. Por isso, é muito importante a explicação de Jesus: o que vos digo em segredo – que é a revelação do verdadeiro evangelho e do reino de Deus, mensagem fundamental de Jesus – não o guardemos apenas para nós; os outros também o devem experimentar e conhecer. Não se reduz tudo apenas a uma adesão pessoal, mas a experiência que fazemos de Deus e da Boa Nova que Jesus nos oferece é para ser comunicada aos outros.

Nós estamos reunidos no Dia da Igreja Diocesana para fazermos também a mesma experiência dos apóstolos: Deus está connosco e não devemos ter medo de ser suas testemunhas com a nossa palavra e com as nossas obras. O grito que deve ressoar hoje em cada um de nós é este: Não tenhais medo, Eu estou convosco.

2. Olhar para este ano e perspetivar o futuro

Num dia como este é bom fazermos uma análise do que foi a nossa caminhada como comunidade diocesana ao longo deste ano pastoral e olharmos para o ano que se aproxima.

De tudo o que de bom foi feito desejo realçar, entre muitas coisas que nos enchem de esperança, a peregrinação diocesana a Fátima, o esforço conjunto na celebração das 24 h para o Senhor, o crescimento em comunhão das nossas comunidades cristãs com os seus pastores, as visitas pastorais a este arciprestado de Ílhavo, a instituição de dois seminaristas do nosso seminário no ministério de acolitado e o esforço por criarmos uma cultura vocacional na nossa diocese.

Por outro lado, sinto que podíamos ter feito mais nos desafios que nos propusemos realizar: Apostar na formação cristã de todos os agentes de pastoral, ir ao encontro dos jovens, prestar atenção às famílias e aos inúmeros desafios que se lhes deparam, empenhar-se na libertação e promoção dos mais pobres.

O Programa do próximo ano pastoral, há pouco apresentado e cuja elaboração foi fruto do esforço de muita gente, propõe que demos atenção ao mandamento novo do amor, condição essencial do nosso ser cristão. O episódio do lava-pés, ícone do programa do próximo ano, convida-nos a viver numa atitude de serviço, ajuda e acompanhamento dos mais pobres e fragilizados. Ao longo deste ano tornemos operativo o objetivo geral do nosso Programa Pastoral: promover uma Igreja diocesana que vive a caridade na alegria da misericórdia, consciente de que o exercício da caridade é próprio do ser da Igreja e está alicerçado no seguimento de Jesus. A celebração do Congresso Eucarístico Diocesano, no final desta caminhada de três anos de programação pastoral, deverá ser um momento de fortalecimento da fé pelo exercício da caridade, assumindo as «esperanças que inspiram as atividades dos homens, as purifica e as ordena para o Reino dos céus. A esperança protege contra o desânimo, sustenta no abatimento, dilata o coração na expetativa da bem-aventurança eterna. O ânimo que a esperança dá preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade» (CCE 1818).

        3. «Santa» Joana Princesa, modelo do nosso ser discípulos

Iniciámos hoje, com a tomada de posse do Tribunal Diocesano, um caminho que desejamos nos conduza à canonização da nossa padroeira. São duas as razões pelas quais nos devemos empenhar neste Processo e que dizem respeito à nossa vida como comunidade diocesana:

1º Colocarmos a Beata Joana Princesa como modelo da nossa vida e, para isso, a necessidade de estudarmos a sua vida, imitarmos as suas virtudes e fazer dela modelo de santidade para cada um de nós. Esta preocupação pela sua canonização tem de ser um objetivo de toda a diocese, de fazermos tudo aquilo que está ao nosso alcance para que a nossa padroeira seja proposta como modelo de santidade para toda a Igreja. Porque acreditamos na sua santidade, queremos que outros a conheçam e caminhem com ela ao encontro de Jesus Cristo.

2º O horizonte para o qual se deve orientar toda a nossa pastoral é a santidade. «À vida dos Santos, não pertence somente a sua biografia terrena, mas também o seu viver e agir em Deus depois da morte. Nos Santos, torna-se óbvio que quem caminha para Deus não se afasta dos homens, antes pelo contrário torna-se verdadeiramente próximo de cada um deles» (DCE 42). Porque «Santa» Joana Princesa caminha connosco e é próxima de cada um de nós, desejamos imitá-la no seu amor a Jesus crucificado e aos pobres que hoje, tal como ontem, vivem no meio de nós e batem à nossa porta.

 

Pedimos a intercessão da bem-aventurada Joana Princesa para a nossa diocese e suas gentes e assumamos o compromisso de ser uma Igreja em saída, pronta a oferecer a todos a vida de Jesus e a sua misericórdia.

 

Aveiro (Santuário de Schoenstatt), 25 de junho de 2017.

+ António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro

 

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