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TOMADA DE POSSE DO NOVO VIGÁRIO GERAL

TOMADA DE POSSE DO NOVO VIGÁRIO GERAL

        No passado dia 07 de julho, durante a Eucaristia, celebrada pelo nosso Bispo no termo do retiro espiritual dos sacerdotes, o Padre Manuel Joaquim Estêvão da Rocha tomou posse do múnus de vigário geral da Diocese. O sr. D. António Moiteiro, após a votação indicativa dos sacerdotes, por decreto de 04 de julho nomeara-o para esse cargo pastoral. Sucedeu a Mons. João Gonçalves Gaspar, que exerceu as mesmas funções durante mais de vinte e nove anos, e ao Padre Doutor Georgino Rocha, que foi Pró-Vigário Geral desde 1999.

Concluída a cerimónia da profissão de fé e do juramento de fidelidade. Aqui se transcrevem as palavras de Mons. João Gaspar e as do Padre Dr. Georgino Rocha, bem como as do novo Vigário Geral.

Gratidão

Caros sacerdotes e diáconos. – Terminou há instantes a etapa mais longa, mais preocupante e mais responsável da minha vida sacerdotal ao serviço da Diocese de Aveiro, às nossas comunidades e a todos vós; foram quase trinta anos. Agradeço a vossa compreensão, colaboração e amizade, que nunca me faltaram. Estou-vos muito grato por tudo.

Dou graças a Deus pelo dom do meu sacerdócio; e também Lhe agradeço a coragem que me concedeu e concede, na dedicação pessoal a todos os Bispos de Aveiro. De todos, sem exceção, eu aprendi muito; e com eles quem colaborei em muitas alíneas, nunca me esquivando ao que me foi sendo solicitado.

Como decerto alguns já sabem pelas minhas confidências, desde jovem eu sempre aspirei outro serviço pastoral, no meio do povo e nalguma paróquia. O meu desejo íntimo foi sempre sobreposto pela vontade de todos os Bispos. «Não tem pena de mim?» – perguntou-me D. João Evangelista em 1953; «não se esqueça que necessito de si» – replicou-me D. Domingos em 1958; «quem me há de ensinar os caminhos da Diocese e valer-me em possíveis situações» – repetiu-me D. Manuel em 1962; «preciso de si como meu colaborador próximo e responsável» – teimou D. António Marcelino em 1988, escolhendo-me para seu vigário geral; «quero confiar no seu testemunho e na sua ação» – disse-me D. António Francisco em 2006; «continue com o seu trabalho, como até aqui» – logo me manifestou D. António Moiteiro em 2014. Perante isto, embora com sacrifício, deixei-me vencer pela vontade dos primeiros responsáveis da Diocese, para não sofrer com pesos na consciência. Estou certo de que nisto me ajudaram a presença contínua de Deus, o estímulo maravilhoso do Evangelho de Cristo, a mão condutora da nossa Mãe e Mãe de Jesus e o exemplo singular da Princesa, nossa Padroeira, para quem amar a Deus era servir. Porém, a partir de agora, se o nosso Bispo me permitir, continuarei a colaborar convosco, na medida das minhas possibilidades de saúde.

Caro Padre Manuel Joaquim Rocha – sr. Vigário Geral – conte comigo, se porventura necessitar. Desejo-lhe muita coragem e muita determinação, colaborando com o nosso Bispo, sempre para bem do Povo de Deus, que está presente nesta nossa Diocese de Aveiro. Posso garantir-lhe que não lhe vão faltar a amizade e o conselho dos nossos fiéis leigos, mas sobretudo dos nossos sacerdotes e diáconos e ainda com os nossos sacerdotes da vida consagrada; e também pode contar com a oração das nossas religiosas e consagradas. Sobretudo, estarão presentes a graça fortificadora de Deus, o auxílio materno da Virgem Santa Maria, a Senhora da Apresentação, e a proteção da Princesa Santa Joana.

Mons. João Gaspar

 

Facto marcante, hora de esperança

A Cúria diocesana vive uma hora marcante na sua missão pastoral. A nomeação do novo Vigário Geral, P. Manuel Joaquim Estevão da Rocha, pelo nosso Bispo, Dom António Moiteiro, constitui o seu rosto mais visível e, ao mesmo tempo, o pulsar do seu novo ritmo. Tudo acontece num instante: leitura do decreto de nomeação, profissão de fé, assinatura. E o selo do abraço a confirmar o assumir das novas funções.

Para este instante se encaminha o processo de auscultação ao presbitério que o Senhor Bispo decidiu tornar indicativa. Para este instante se polariza a oração de tantos amigos da Igreja diocesana, uma vez aberto o caminho de escolha pelo pedido de cessação de funções do senhor Vigário Geral, Mons. João Gaspar, e do Pró-Vigário Geral, P. Georgino Rocha.

Este facto marcante faz-me revisitar o tempo em que exerci esta e outras funções como cooperador próximo dos Bispos da Diocese. Pude reencontrar a memória agradecida de rostos amigos em tantas paróquias e comunidades religiosas, movimentos e secretariados, instâncias diocesanas e nacionais. Pude rever gestos de atenção solícita de Dom Manuel de Almeida Trindade, de Dom António Marcelino, de Dom António Francisco e de Dom António Moiteiro. Pude sentir, mais uma vez, o sorriso brilhante de tantos colegas que, do seio de Deus, me acenam e iluminam. Pude acolher de novo, como em súplica insistente, a voz de quem sofre e não vê saída airosa para a sua situação, de quem quer caminhar na vida, mas anda à procura de sentido que valha a pena, de quem não pactua com uma sociedade “líquida” e não dispõe de um ponto firme nem de apoio inabalável para a sua fé, as suas lutas e canseiras, de quem sonha com uma família estável, mas a realidade “fala” mais alto e não cessa de surpreender.

A nomeação do novo Vigário Geral ocorre ainda no ano pastoral dedicado à esperança, integrado no triénio da misericórdia que nos propusemos viver com alegria. É o momento de reganhar a esperança que nos é proposta, tendo já como horizonte próximo a caridade operativa. Esta feliz coincidência não será certamente fortuita, mas providencial, pois como reza o lema original da nossa Diocese: “Amar a Deus é servir”. E servir por amor é certamente a melhor expressão do culto a Deus, da liturgia do Senhor e da acção do Espírito Santo que, por meio da Igreja, incessantemente nos renova e cuida da casa comum da nossa humanidade.

Que Maria, a Senhora da Misericórdia, e Santa Joana, a amiga dos pobres e a defensora da liberdade de consciência, velem com solicitude pela nossa Igreja diocesana em saída missionária e alcancem de Deus uma especial bênção para o novo Vigário Geral no desempenho das suas funções.

P. Georgino Rocha

 

Reflexões no momento da tomada de posse de Vigário Geral

O papa Francisco na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium desafia a Igreja e cada um de nós a entrarmos numa nova etapa evangelizadora marcada pela alegria de sermos cristãos onde os caminhos a apontar serão a generosidade e a coragem, mas também, sem impedimentos nem receios.

Se esta é a proposta, quais serão os caminhos a trilhar?

  1. Não será pela via institucional, de cima para baixo, por meio de decretos reformistas, bons na sua intenção mas desadequados no tempo. Será, quanto a mim, uma tentação: esperar do bispo ou de quem ele delegue a solução para os problemas.
  2. Penso também que não será caminho a seguir se cada um de nós decidir avançar sem olhar os outros, convencido da sua sabedoria e capacidade: uma Igreja feita paróquia ou comunidade em autogestão. Isso exige a obediência.
  3. Será deste jogo entre a criatividade e a obediência que, presumo, poderemos encontrar o caminho. Assim a criatividade está centrada em primeiro ligar nos caminhos abertos pelo Espírito de Jesus Cristo e que se encontra concretizado num Plano de Pastoral que a Diocese gizou, aprovou e propôs a todos os diocesanos. “Não temos que fazer tudo…” – disse-nos o Padre Licínio no dia 25 de Junho no santuário de Schoenstatt, mas também não podemos, pura e simplesmente, pô-lo de lado. É proposta a fazer crescer em Comunidade. Por outro lado a obediência, palavra já muito gasta – mas que S. Tomás diz pertencer à esfera da razão e não da vontade –  significa escutar (ob audiens), escutar mais em profundidade, escutar os outros. “Dou graças a Deus pela obediência – dizia o P. Alberto Brito numa das suas conferências no nosso retiro espiritual – dou graças a Deus pela obediência que me fez conhecer, ultrapassado o obstáculo, o que antes nunca tinha sonhado”.
  4. Criatividade e obediência serão, pois, dois caminhos a seguir nesta nova etapa. E deixai que junte um terceiro: a fidelidade. Neste momento da encruzilhada em que me encontro e adaptado à minha vida, fidelidade a Jesus Cristo o Sacerdote e fidelidade ao mundo concreto em que vivemos e onde se insere esta Igreja da qual faço parte e que sirvo na pessoa do Bispo que me escolheu. Eu sei que o Vigário Geral não tem Agenda própria mas poderá ter algumas adendas…
  5. E vou terminar, conjugando o verbo confiar:

– Confio que o Deus de Jesus Cristo me vai ajudar nesta nova missão e que Nossa Senhora do Socorro ou da Apresentação me continuarão, de braços abertos, a oferecer o Filho ou a acolher o peregrino e que os meus pais, lá do alto, continuarão a velar por mim.

– Confio na ajuda de todos e de cada um de vós: padres, diáconos, consagrados/as e leigos mas, particularmente na ajuda e incentivo dos meus irmãos padres. Sois – somos – uma peça fundamental em todo este trabalho. Mais velhos ou mais novos, doentes ou com saúde, conto muito convosco. – Obrigado

P. Manuel J. Rocha

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