Pages Navigation Menu

XVII Domingo do Tempo Comum – Ano A

Breve comentário

Termina neste domingo o discurso em parábolas que preenche todo o capítulo 13 do evangelho segundo Mateus.

O ponto fundamental das duas primeiras parábolas não está no achado do tesouro ou da pérola, mas na decisão que tomam os dois protagonistas em vender tudo o que têm para comprar o que descobriram ou encontraram. No primeiro caso trata-se provavelmente dum jornaleiro que se vê perante um tesouro escondido no campo em que está a trabalhar. Isto facilmente poderia acontecer na Palestina pois, em tempos de guerra e de invasões os proprietário enterravam os seus bens, em moedas ou joias, e por vezes morriam sem ter podido revelar  o esconderijo a familiares ou amigos. A única hipótese de ficar com o tesouro é desfazer-se de tudo o que tem para comprar aquele campo. Segundo o costume da época, o tesouro não pertence a quem o encontra mas ao dono do campo. Por isso, não basta tê-lo encontrado. É preciso comprar o campo para se tornar também proprietário do tesouro.

É clara a mensagem desta parábola: o Reino de Deus é um valor supremo, uma preciosidade única e inestimável. Vale a pena qualquer sacrifício e renúncia para o obter, para fazer parte dele, mas isto exige sabedoria para tomar a decisão radical. O acento não está posto no sofrimento que tal escolha pode comportar ma na alegria da descoberta.

O protagonista da segunda parábola é um negociante que arrisca tudo o que tem para comprar uma pérola que sabe valer a pena. A parábola apresenta a mesma mensagem do tesouro escondido mas, além da preciosidade do Reino, mostra também a sua beleza incomparável, para além se sublinhar a «procura». O Reino de Deus é algo a procurar sem tréguas. Mas a descoberta será sempre surpreendente e superior ao esperado.

O sentido religioso destas duas parábolas só se pode captar em toda a sua profundidade se forem confrontadas com as sentenças evangélicas em que Jesus propõe um escolhe decisiva e radical perante o reino de Deus. Exemplo desta decisão é a dos discípulos que deixam tudo para seguir Jesus (Mt 4,20.22; 8,22; 9,9; 19,21.27.29).

A terceira parábola retoma o tema da parábola do trigo e do joio. Serve-se da imagem da pesca no lago de Tiberíades, onde havia mais de vinte espécies de peixes, em que eram usadas grandes redes de arrasto, puxadas por dois barcos, e que apanhavam toda a espécie de peixes. Ao chegarem à margem, os pescadores faziam a escolha dos peixes bons, que colocavam nas canastras, lançando fora os que não prestavam ou eram impuros perante a Lei (Lv 11,10-11). São dois tempos distintos: a pesca e a separação dos bons e dos maus. Para a comunidade dos discípulos, agora é o tempo da pesca ao largo, o tempo de lançar a rede do evangelho para apanhar a todos sem distinção. A separação final, o juízo, cabe somente a Deus.

A última parte, dirigida aos discípulos, define o seu estatuto de discípulos com uma semelhança que sublinha também a sua responsabilidade. O discípulo não é um adepto duma escola ou doutrina mas é aquele que entra na lógica do reino dos céus como foi apresentada no discurso em parábolas. Daqui a sua sabedoria comparável à dum dono de casa que «tira do seu tesouro coisas novas e antigas». A novidade é a «justiça superior» que surge da nova interpretação definitiva da vontade de Deus já revelada aos antigos. O evangelista quer, assim, harmonizar a novidade messiânica, revelada e realizada por Jesus, com a promessa bíblica antiga.

Pe. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  • Facebook
  • Google+
  • Twitter
  • YouTube