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As bem-aventuranças, programa de vida de D. António Francisco

Homilia de D. António Moiteiro na Eucaristia de 7º dia por D. António Francisco, na Sé de Aveiro a 18 setembro 2017

As bem-aventuranças, programa de vida de D. António Francisco

 

Estamos aqui reunidos nesta tarde e na nossa Sé de Aveiro para fazermos memória do Senhor D. António Francisco dos Santos, bispo de Aveiro entre 8 de dezembro de 2006 e 21 de fevereiro de 2013 e agradecemos a sua vida de crente e pastor da Igreja de Jesus.

Escolhemos propositadamente o texto das bem-aventuranças por sabermos quanto lhe era querida esta cena do Evangelho e quanto ela moldou a sua vida de sacerdote e de bispo nas comunidades a que foi chamado a servir.

As bem-aventuranças não são a expressão de um ideal abstrato, mas elas são como que o rosto onde podemos contemplar o próprio Jesus. São como que um autorretrato do Jesus dos Evangelhos, «porque Ele, sendo rico, se fez pobre por cada um de nós» (2Cor 8,9), o que chora, o manso, o que tem fome e sede de justiça, o misericordioso, o puro de coração, o que trabalha pela paz, o perseguido por causa da justiça… Olhando para Jesus podemos afirmar com todo o rigor que Ele é o único ser humano que cumpriu e viveu até às últimas consequências as bem-aventuranças.

 

«Combati o bom combate, terminei a minha carreira, permaneci fiel» (2Tim 4,8).

Estas palavras de S. Paulo ao seu discípulo Timóteo tiveram a sua concretização quando no passado dia 11, de manhã, o Senhor chamou a si o nosso querido D. António Francisco.

As bem-aventuranças foram na vida de D. António Francisco essa pérola pela qual vale a pena deixar tudo ou o diamante precioso que é necessário adquirir. Por isso, ele afirmava no decorrer da Missão jubilar e, mais concretamente, no dia 12 de maio de 2012, na solenidade em honra de Santa Joana Princesa que «o Evangelho é, todo ele, um poderoso convite às bem-aventuranças. Elas tipificam a felicidade oferecida por Jesus. Proclamam uma felicidade que não está subjugada à cultura do êxito, já que pode ser encontrada até nas situações sentidas como mais adversas como a pobreza, a perseguição, etc. Anunciam uma felicidade que não repousa no «ter», no «possuir» ou no «lucrar», mas que pelo contrário, assenta no «dar», no «oferecer», no «servir», no «entregar».

Este é o autorretrato que, à distância de cinco anos, vemos hoje em D. António Francisco. Um homem próximo, amigo, pastor atento e sempre disponível e onde as palavras de Jesus «Há mais alegria em dar do que em receber» tiveram uma extraordinária concretização. A diocese não pode esquecer a sua paixão pela caridade, o ardor pela evangelização dos praticantes e dos não crentes e o seu espírito de oração. Já em Aveiro foi construtor de «uma Igreja bela, como uma casa de família».

Ao longo destes dias pude verificar quanto a Igreja de Aveiro apreciava e amava o pastor que tinha um coração do tamanho das pessoas com quem se encontrava (sobretudo dos sacerdotes) e onde podíamos ver o rosto misericordioso de Deus, revelado no seu Filho Jesus que deu a vida por nós. O Senhor D. António Francisco acreditava na bondade das pessoas porque ele também era um homem bom e essa bondade vinha-lhe da sua fé em Cristo ressuscitado, que se manifestava na sua maneira bondosa de ser pastor.

«O caminho pastoral não se encerra em nenhum lugar. Também a missão não termina aqui nem agora. Este é, apenas, o início de uma nova etapa de caminho nos desafios por Deus semeados no íntimo da vida de cada um de nós, na alma de cada comunidade cristã e na força dos testemunhos apostólicos que nos dizem que há por toda diocese dinamismo e vigor, iniciativas e propostas de uma fé professada, celebrada, vivida, testemunhada e anunciada com alegria». Estas foram as últimas palavras dirigidas à Igreja do Porto reunida em Fátima na sua peregrinação diocesana. Estávamos longe de pensar quanto elas iriam ter outra forma de atualização passados dois dias!

Ao longo de pouco mais de sete anos ele foi pastor desta Igreja de Aveiro. A sua memória tem de continuar viva entre nós e, por esta razão, vamos publicar as homilias e outros escritos mais significativos do período em que foi nosso pastor, de tal modo que ao celebrarmos os doze anos da sua entrada na Diocese – oito de dezembro – possamos ter nas mãos o seu magistério em terras de Aveiro.

Senhor D. António Francisco: junto de Deus, que incansavelmente procuraste ao longo da tua vida, de Maria, que tanto amavas, e de Santa Joana Princesa a quem tanto recorreste, intercede por esta Igreja que continua peregrina ao serviço do Reino de Deus.

Bem hajas por tudo.

Ámen.

 

Sé de Aveiro, 18 de setembro de 2017.

+ António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro.

 

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