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XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano A

Breve comentário

Após a parábola dos vinhateiros homicidas, em que Jesus termina afirmando: «Ser-vos-á tirado o Reino de Deus e será dado a um povo que produzirá os seus frutos», os chefes dos sacerdotes e os fariseus perceberam que se referia a eles. Procuravam prendê-lo, mas tiveram medo das multidões, pois elas consideravam-no um profeta (21,46).

Então, Jesus dirige-se uma vez mais aos responsáveis do judaísmo com uma parábola polémica na linha da anterior em que os vinhateiros ultrajaram e mataram os servos enviados e, por fim, o filho do dono da vinha. Esta imagem de violência vai encontrar eco na nova parábola: um grupo de convidados não só rejeita o convite do rei, mas ultraja e mata os servos enviados. Tendo em conta a simetria das situações, somos tentados a identificar os servos enviados pelo rei, como na parábola anterior, com os profetas que em nome de Deus fazem a proposta de salvação – o banquete nupcial – ao povo de Israel.

A imagem do banquete era, na cultura da época, entendida como lugar do encontro, de comunhão. Era também uma maneira de confirmar a categoria social de cada família pela categoria dos convidados. Por outro lado, ser convidado por uma pessoa muito importante era considerado uma grande honra. O convite feito por um rei era irrecusável, sob pena de se tornar uma ofensa bastante grave. No caso da nossa parábola, já não se trata de mera recusa mas de guerra aberta, com a morte dos servos.

Um elemento decisivo para a interpretação da parábola proposta por Mateus é a reacção do rei indignado: «Mandando as suas tropas, exterminou aqueles assassinos e incendiou a sua cidade». É fácil reconhecer aqui uma clara referência à destruição da cidade de Jerusalém no ano 70 d.C.. Tendo isto em conta, devemos ver nos servos enviados pelo rei não uma referência aos profetas mas aos missionários cristãos que, efectivamente, foram rejeitados, perseguidos e mortos. Um outro elemento é a imagem do banquete nupcial. Já no Antigo Testamento, o reino de Deus e o conjunto dos bens messiânicos são apresentados com a imagem dum grande banquete preparado para todos os povos (Is 25,6). Mas, no nosso texto, trata-se dum banquete nupcial que o rei preparou para o seu filho. Facilmente vemos Deus Pai na figura do rei e o seu filho Jesus.

Sempre nesta linha, o terceiro envio dos servos, depois da punição dos primeiros convidados, refere-se à missão junto dos pagãos. Estes tomam o lugar dos judeus que, com a sua recusa, se mostraram indignos do banquete nucpial. Na nova missão, o objectivo é reunir todos aqueles que se encontram, maus e bons, desde que aceitem o convite.

Mas os novos convocados pela nova missão cristã não podem ter ilusões. Se na comunidade actual existem agora «maus e bons», não será assim no final pois o juízo de separação será feito. Por isso, Mateus actualizou a parábola original, completando-a com a sequência final da inspecção do rei à sala do banquete em que encontra um convidado sem a veste nupcial, que era gratuitamente posta à disposição à entrada do banquete, pelo que é posto fora. O sentido do traje nupcial exigido para o banquete das núpcias do «Cordeiro» é a coerência entre fé e vida, entre palavras e obras, isto é, uma fidelidade activa. Não basta dizer sim ao chamamento: é necessário estar em condições de poder ser escolhido.

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

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