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XXXI Domingo do Tempo Comum – Ano A

Breve comentário

O texto de hoje refere o último dos ensinamentos públicos de Jesus. É bom recordar que Jesus está em Jerusalém, estando próximo o momento da sua prisão e foi mantendo um duro confronto com as diversas categorias de pessoas: sumos sacerdotes, anciãos, herodianos, escribas, fariseus, etc.. Jesus não contesta a religiosidade judaica enquanto tal, mas a tentativa de alguns, os chefes em particular, alterarem os valores autênticos com atitudes sem coerência. Com este texto, o evangelista Mateus procura chamar a atenção da sua comunidade para não caírem nos mesmos erros.

A referência ao ensino dos escribas, «sentados na cátedra de Moisés», era real nas sinagogas, mas também como algo simbólico porque se tornou um sinal de poder. Por isso, Jesus pregava estando sentado no chão (Mt 5,1). Jesus não veio para abolir a Lei mas para a levar a cumprimento, isto é, os mandamentos autênticos são para pôr em prática: «Fazei e observai tudo o que eles vos dizem»

            No Sermão da Montanha Jesus já tinha dito: «Se a vossa justiça não for superior à dos escribas e dos fariseus não entrareis no reino dos céus» (Mt 5,20), seguindo-se a interpretação autêntica da Lei: «Ouvistes o que foi dito… mas eu digo-vos». Assim, supera a observância formal da Lei porque chegou o reino de Deus. Anunciando que o reino de Deus está aqui, Jesus oferece um novo critério de acção que não suprime a Lei, mas revela o seu sentido autêntico.

A religiosidade pode ser um puro motivo de exibicionismo (vv.5-7) contrário ao que foi ensinado no discurso da montanha. As boas obras devem ser praticadas em segredo e não para que os outros vejam e louvem quem as faz.  Mais importante para o discípulo não é o consenso social e o respeito dos homens, nem os títulos de honra (Rabbi – mestre). Deus é nosso Pai e ninguém se pode interpor a Ele. Por isso, o discípulo de Cristo deve evitar conferir a si mesmo alguns títulos: rabbi, pai, mestre, pois são todos irmãos.

A comunidade de Jesus está delineada no discurso das Bem Aventuranças com as suas exigências radicais. Esta comunidade tem o seu ideal no «serviço» (Mt 20,28) do Filho do Homem, modelo da Igreja. A autoridade do chefe perde a sua atracção, já não um ideal: «O maior entre vós seja vosso servo». Nas palavras de Jesus está, portanto, muito mais que uma polémica com os escribas e fariseus, muito mais que uma exortação a ser coerentes. É uma chamada de atenção à própria identidade do seus discípulos, à novidade que eles são chamados a testemunhar.

P. Franclim

Diocese de Aveiro

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