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XXXII Domingo do Tempo Comum – Ano A

Breve comentário

Este texto do evangelho segundo Mateus está inserido no chamado «discurso escatológico» que vem na sequência do comentário dos discípulos acerca da grandiosidade do templo ao qual Jesus responde: «Vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra: tudo será destruído». Sainda do Templo, e sentado no Monte das Oliveiras, contemplando o Templo, os discípulos perguntam-lhe em particular: «Diz-nos quando acontecerá tudo isto e qual o sinal da tua vinda e do fim do mundo» (Mt 24,2-3). Nos dois capítulos seguintes vai alertando os seus discípulos para não se deixarem enganar nem pelos de fora nem pelos de dentro, apelando sobretudo para a vigilância.

A parábola das dez virgens exclusiva do evangelho de Mateus. Como sempre, parte do costume bem conhecido aos tempos de Jesus mas que nos pode surpreender porque é bastante diferente dos nossos tempos e costumes ocidentais. Na espera das núpcias, ao pôr-do-sol, o noivo dirigia-se com os seus amigos a casa da noiva que esperava a sua chegada já vestida e acompanhada pelas companheiras da sua juventude (as virgens da parábola); o grupo era acompanhado por expressões de alegria tipicamente orientais, enquanto as tochas iluminavam a noite. A seguir, organizava-se o cortejo nupcial composto por dois grupos (parentes e amigos dos dois noivos) que, percorrendo as ruelas da aldeia e entoando os antigos cantos que encontramos também no livro do «Cântico dos Cânticos», se dirigiam para a casa do esposo para celebrar o banquete nupcial e selar o matrimónio dos dois jovens. A festa nupcial durava sete dias e, por vezes, o dobro!

Para captar a mensagem do texto, para além do ponto de partida real, é necessário ter em conta os simbolismos de cada elemento. O contexto é o do encontro final com Cristo juiz no fim dos tempos; as virgens representam os fiéis em atitude de espera do Reino; as lâmpadas acesas são símbolo de vigilância; o óleo das lâmpadas indica a fidelidade e a perseverança no agir; por isso, a resposta das virgens prudentes não é hostil e egoísta como poderia parecer à primeira vista; é, antes de mais, realista, tal como a observação que a motiva («Talvez não chegue para nós e para vós»); mas sobretudo coerente com o simbolismo indicado: o cumprimento de boas obras, o agir bem (segundo a vontade de Deus) comporta uma resposabilidade pessoal. Ninguém pode fazer em vez de nós aquilo que nos é pedido. Quem acorda tarde para esta realidade arrisca-se a ficar de fora da alegre comunhão com Deus, aqui representada no banquete nupcial.

Com esta parábola, Mateus procura responder a uma situação concreta da sua comunidade: ao entusiamo inicial de espera da 2ª Vinda do Senhor seguiu-se um tempo de despreocupação; pensando numa vinda sempre mais tardia, os cristãos começaram a cair na «preguiça» moral e espiritual e numa mediocridade da vida cristã. Daí a chamada de atenção final: «Vigiai porque não sabeis o dia nem a hora».

Este tema fulcral  da parábola das dez virgens surge bem na linha de Mateus: «Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos céus mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus (7,21).  Por outro lado, o modo de contrapor a situação e os protagonistas é típico de Mateus: «Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha… Porém, todo aquele que escuta estas minhas palavras e não as põe em prática poderá comparar-se ao insensato que edificou a sua casa sobre a areia» (7,24-26).

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

 

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