Pages Navigation Menu

I Domingo do Advento – Ano B

Breve comentário

Com o tempo do Advento iniciamos um novo Ano Litúrgico em que, na maior parte dos domingos, vamos ler o Evangelho segundo Marcos. O texto deste domingo é a conclusão do capítulo 13 (vv. 13-37), conhecida como o pequeno apocalipse de Marcos, por causa da linguagem simbólica que apresenta. A palavra chave que a Igreja reserva para a liturgia do 1º domingo do Advento é: VIGIAI! Vigiar, estar atento, esperar o dono da casa que deve voltar, não se deixar adormecer.

Convém situar o texto no seu contexto. Há já três dias que Jesus se encontra em Jerusalém e seus arredores depois da sua entrada triunfal. Aproveita para ir várias vezes ao Templo, onde pode encontrar muita gente mas também ser encontrado pelos diversos grupos que se confrontam com ele (cc. 11-12). O texto deste domingo está na  duma das vezes que Jesus está no pátio principal do Templo de Jerusalém, partindo duma observação que lhe faz um discípulo: «Mestre, olha que pedras e que construção!» (Mc 13,1). Jesus esclarece as ideias: «Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja destruída» (Mc 13,2). O Templo, sinal tangível da presença de Deus no meio do seu povo eleito, Jerusalém, a cidade sólida e compacta para onde sobem as tribos do Senhor, para louvar o nome do Senhor, tudo isto, sinal seguro da promessa feita a David, sinal da aliança, tudo isto será destruído… É apenas um sinal de algo que virá no futuro.

Saindo do Templo, Jesus atravessa o Vale do Cédron e sobe ao monte das Oliveiras, donde se podia contemplar toda a grandiosidade do Templo, e senta-se a olhar para a cidade e o seu Templo. Com ele estão quatro discípulos: Pedro, Tiago, João e André, que nos reportam ao início da actividade pública de Jesus pois são os primeiros chamados. Eles perguntam-lhe quando será a destruição do Templo e qual será o sinal de que isso está para acontecer. A esta pergunta, e numa linguagem simbólica inspirada no livro de Daniel, Jesus limita-se a anunciar os sinais premonitórios (falsos messias e falsos profetas que enganosamente anunciarão a vinda eminente do tempo, perseguições, sinais nos poderes celestes: cf. Mc 13,5-32). Porém, quanto àquele dia e àquela hora, ninguém conhece… só o Pai (Mc 13,32).

Assim se compreende a importância da espera vigilante e atenta aos sinais dos tempos que nos ajudam a acolher a vinda do «dono da casa». Jesus pedia muitas  vezes aos seus que vigiassem. Poucos dias depois, no jardim das Oliveiras, antes da sua prisão, o Senhor diz a Pedro, Tiago e João: «Ficai aqui e vigiai comigo» (Mc 14,34). É este o apelo forte do texto de hoje: a vigilância. Mas o que significa «vigiar»? A palavra grega (agrypnéo – vigiar) indica alguém que pernoita no campo, atento a qualquer ruído para não ser colhido de surpresa, a dormir.

Mais do que fazer cálculos e previsões sobre o fim, há que empregar o tempo de hoje a realizar o que foi a cada um inteiramente confiado («deu autoridade e a cada um a sua tarefa»). O porteiro, provavelmente o responsável da comunidade, não pode adormecer, deve vigiar mais do que qualquer um para ajudar os outros a manterem-se acordados.

O Filho do Homem virá pedir contas das tarefas desempenhadas e do que cada um realizou na sua vida, e não só aos responsáveis. Por isso, o apelo final: «O que vos digo a vós, digo a todos: VIGIAI!».

 

Pe. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  • Facebook
  • Google+
  • Twitter
  • YouTube