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III Domingo do Advento – Ano B

Breve comentário

O texto deste 3º Domingo é tirado do Prólogo do Evangelho de João. Tal como os outros evangelhos o fazem, cada um ao seu estilo, o evangelista João procura esclarecer a diferença entre o Precursor e o Messias, apresentando João Baptista como um protagonista essencial da entrada na história do Verbo de Deus, que é Vida dos homens e Luz do mundo. Entre os discípulos de João Baptista nem todos aceitaram Jesus como o Messias, mantendo-se assim, até ao séc. IV, duas correntes messiânicas: os que receberam o baptismo de João e os que receberam o baptismo em nome de Jesus. Daí que é fundamental esclarecer o papel importante de João na História da Salvação, mas não como Messias.

A primeira parte (Jo 1,6-8) já deixa bem claro que João, mais do que um Precursor de Cristo, é um «homem enviado por Deus… para dar testemunho da Luz». Não era a Luz, mas devia dar testemunho da Luz, aquela luz verdadeira que ilumina todo o homem. O próprio Jesus dirá mais adiante: «Quem me segue não caminha nas trevas».

A segunda parte (Jo 19-28) é o início dos diversos testemunhos em favor de Cristo, começando com o testemunho de João em relação aos judeus (e fariseus) que em todo o IV Evangelho são apresentados como inimigos de Jesus. Estes, como representantes do povo, são a concretização do que já foi dito no Prólogo: «Veio para o que era seu e os seus não o receberam» (1,11).

Num diálogo insistente, João dá o seu testemunho e declara que não é o Cristo, o Messias, que não é a LUZ.

Também não é Elias nem o Profeta. Ao perguntar se ele não seria Elias ou o Profeta, os sacerdotes e levitas procuram saber se João atribui a si mesmo uma função messiânica. Segundo o pensamento da época, a manifestação do Messias seria precedida pelo regresso de Elias (conforme anuncia o profeta Malaquias – 3,1-3) ou da vinda do prometido Profeta anunciado pelo livro do Deuteronómio, um profeta como Moisés (Dt 18,18).

O rito do baptismo, já praticado pelos grupo religioso dos essénios em Qumran, tinha uma dimensão messiânica porque, por meio dele, se obtinha a purificação necessária para participar da salvação. Por isso, tem sentido a pergunta da embaixada: «Então porque baptizas…?».

João apresenta-se como a personificação do Antigo Testamento, como a voz que anuncia a grande libertação (Is 40,3) que virá com o Messias. O baptismo de água que ele realiza sugere e anuncia o baptismo do Espírito de que falará expressamente mais adiante (Jo 1,33).

Enquanto João faz ouvir a sua voz e baptiza com água, faz saber aos seus ouvintes que «no meio de vós está alguém que não conheceis, aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias».

O anúncio de Cristo por João Batista é dado com toda a humildade. Ele nem se considera digno do serviço mais humilde: desatar a correia das suas sandálias. E, no entanto, a tanta grandeza corresponde uma situação paradoxal: os sacerdotes e levitas não conhecem esta personagem que está no meio deles. Toda a atenção deve, pois, voltar-se para o desconhecido que já está presente mas que os judeus não conhecem, ou melhor, não conseguirão reconhecer porque são «cegos».

A referência às sandálias é vista por alguns peritos como um elemento da lei do levirato (Dt 25,5-10 e Rt 4,7-9). O irmão dum homem que morreu ser ter filhos tinha o dever de tomar como esposa a cunhada viúva e dar descendência ao seu irmão. Quem renunciava a este dever tirava em público a sandália e entregava-a ao parente mais próximo que assumia o encargo no seu lugar. Assim, João Baptista não se considera digno de ser esposo da humanidade para lhe dar uma descendência, isto é, reconhece a sua inferioridade diante de Jesus. Mais adiante irá definir-se como o amigo do esposo (Jo 3,29).

Como acontecerá muitas vezes ao longo de todo o evangelho, também aqui é indicado o lugar onde tudo se passa, para sublinhar o significado e a importância das informações e do testemunho de João. Estamos no âmbito do concreto e da história. De facto, o evangelista João se, por um lado, nos apresenta uma obra cheia de simbolismo («sinais») é, por outro lado, o evangelista mais concreto e preciso nas informações temporais e geográficas que fornece aos leitores.

Pe. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

 

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