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IV Domingo do Advento – Ano B

 

Breve comentário

Depois da figura de João Baptista, hoje é apresentada Maria, a mãe de Jesus, como modelo de espera e de acolhimento daquele que está para entrar na história, na nossa história pessoal. Por isso, é importante captar a atitude de Maria em relação a Deus e Àquele que vem.

O texto deste domingo, que já foi lido no dia da Imaculada Conceição, embora seja apresentado em estilo de narrativa ao estilo dos mestres judeus, é essencialmente uma catequese destinada a anunciar quem é Jesus, salientando a sua divindade. Assim, mais do que tentar procurar o que aconteceu, é necessário perceber o que o texto catequético nos ensina.

Além de solene, o início é insólito, porque normalmente é o inferior que vai ter com o superior. Deus torna-se presente onde vivem os homens, no quotidiano da vida. A destinatária é apresentada com uma qualificação, «virgem», seguindo-se outros pormenores:  a condição social de mulher desposada, a descendência davídica do marido, o nome do marido e, por fim, não sem solenidade, o seu nome: Maria. A abundância de pormenores são um primeiro indício do papel importante que Maria tem na missão que Deus lhe quer confiar.

A saudação é fora do comum, quer porque em nenhum caso uma mulher até então tinha sido saudada daquela maneira, quer porque o seu conteúdo sai fora dos esquemas habituais: «Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo». A iniciativa amorosa de Deus em relação a Maria é compendiada no termo «graça», que exprime o novo nome dado a Maria. A expressão «cheia de graça» significa, pois, que Maria é objecto da predilecção e do amor de Deus.

«O Senhor está contigo»: a ideia da missão está implícita. Quando Deus está com Israel ou com um seu eleito, isto significa não apenas protecção mas também ajuda para a missão. A saudação insólita causa a perturbação de Maria (v. 29). O anjo retoma a linha da saudação. «Não temas, Maria». É um convite à serenidade e à esperança. Depois de ter tranquilizado Maria, retoma o termo «graça». «Encontrar graça» é um semitismo para indicar o benévolo acolhimento dado a um subalterno. É um favor da parte de Deus concedido a poucos.

A mensagem anuncia um nascimento e a missão do que vai nascer. São especificados aspectos fundamentais de Jesus: ser grande, Filho do Altíssimo, receber o trono de David, reinar para sempre, ser Filho de Deus.

Perante um anúncio tão extraordinário, Maria reage com uma pergunta: «Como será possível? Não conheço homem». É a segunda reacção de Maria, desta vez verbal, tida para melhor entender a mensagem. «O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra». O texto exclui categoricamente a iniciativa e papel do homem na concepção, mas não explica como Deus intervém, nem como age o Espírito. Ele «virá» sobre Maria como há-de vir sobre os Apóstolos (Act 1,8).

Da presença criadora do Espírito não pode senão nascer um filho santo: a expressão «por isso» explica a passagem da concepção ao nascimento e prepara o nome «Filho de Deus» que aparece aqui pela primeira vez no Evangelho de Lucas e representa o vértice teológico de toda a mensagem: o filho de Maria é também Filho de Deus. A possibilidade efectiva de realizar o humanamente impossível é confiada à intervenção de Deus, para o qual não existem limitações: «para Deus nada é impossível» (citação de Gn 18,14, a propósito do futuro nascimento de Isaac).

A terceira reacção de Maria é completa e definitiva: «Eis a serva do Senhor…». A mesma autodefinição vai ser encontrada mais tarde no Magnificat (1,48). É o assentimento, a participação da vontade e do coração que escuta, o abandono a qualquer referência pessoal para confiar só na palavra divina.

É o terceiro nome atribuído a Maria. O primeiro, «Maria», é dado pelos homens, o segundo, «cheia de graça», por Deus e agora o terceiro, «serva do Senhor», dá-o a si mesma. Ela reconhece que Deus a escolheu para o seu serviço, a fim de lhe dar uma tarefa, uma missão.

A resposta de Maria implica uma expressão de alegria, manifesta o vivo desejo de ver realizado o desígnio divino. Colocado no fim do episódio, vale como resposta ao «alegra-te» inicial: a adesão de Maria dá-se na plena disponibilidade mas também no alegre desejo.

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

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