Pages Navigation Menu

II Domingo do Tempo Comum – Ano B

Depois do tempo do Natal, a Liturgia oferece-nos uma página do Evangelho desundo S. João com as palavras de João Baptista que fazem referência ao Messias, ligadas à profecia do Servo de Yahweh que Isaías nos apresenta, o chamamento dos primeiros discípulos, que o reconhece como Messias  Filho de Deus. A intenção é clara: oferecer, antes da narração da vida pública de Jesus, um quadro completo dos acontecimentos da revelação sobre a sua figura e missão. No próximo domingo será retomada a leitura do evangelho segundo Marcos.

Na linha duma sucessão de dias de apresentação de Jesus, o evangelista João mostra-nos a figura de João Baptista que está a terminar a sua missão. Ele estava de novo ali, parado, enquanto Jesus passava. Jesus já tinha iniciado o seu caminho, a sua missão.

João fixou o olhar em Jesus. O verbo emblépein, traduzido aqui por fixar o olhar, significa ver dentro, captar o íntimo da pessoa. Aquele Jesus que passa é percebido e apresentado como o Cordeiro de Deus.

No dia anterior, João tinha identificado Jesus como o «Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (cf. Jo 1,29). Na mente do evangelista Jesus é o novo Cordeiro pascal cujo sacrifício libertará do pecado e da morte (Jo 19,14); é o Servo do Senhor que, como cordeiro levado ao matadouro, tomou sobre si os pecados de muitos e sofreu pelos culpados (Is 53,7.12); é o novo Isaac, o filho bem amado do Pai, o cordeiro de substituição (cf. Gn 22,1-18) que se oferece espontaneamente por amor.

É o testemunho de João que incita os dois discípulos a seguirem Jesus, verbo que indica o movimento concreto mas também o seguimento de Jesus e o caminho para o cumprimento das promessas de salvação.

«Que procurais?» é a primeira palavra de Jesus no Evangelho de S. João. Eles andavam à procura de algo que pensavam encontrar em João Baptista e que agora procuram em Jesus. Chamam-lhe Rabbi («mestre»), um título comum dado a qualquer mestre daquele tempo, porque esperam aprender alguma coisa com ele.

«Vinde e vede» é a nova palavra de Jesus como resposta à pergunta: «Onde moras?». Reaparece o verbo ver em estreita ligação com de vir o que em S. João tem num estreita contacto com o verbo crer (Cf. 6, 37.44)

Para conhecer o íntimo de Jesus é necessário morar, permanecer com Ele. Onde Jesus vive devem viver também os seus discípulos intimamente unidos a Ele (cf. Jo 14,2). Este contacto pessoal com Jesus é de grande importância na vida dos dois discípulos, que só assim são capazes de intuir que Jesus é o Messias e assim o anunciarem.

A hora décima não parece ser apenas uma recordação forte do impacto que aquele primeiro encontro teve nos dois discípulos, particularmente em João evangelista. A hora décima é a hora da plenitude, do aperfeiçoamento. Jesus é a plenitude. Quem procura, encontrará nele a resposta plena à sua procura; encontrará Jesus como a plenitude da revelação, como o único revelador. Eles permaneceram com ele aquele dia, isto é, a partir daquele dia ficaram com Jesus.

André, a partir da experiência pessoal com Jesus, tem necessidade de a comunicar a outros. Por isso, leva o seu irmão Simão a Jesus.

Agora é Jesus quem fixa o olhar, penetra no íntimo de Simão, para colher a sua identidade e dar-lhe o nome (Pedro) que define a sua missão. Jesus indica que este discípulo será a pedra, o fundamento sólido da nova comunidade.

 

Pe. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  • Facebook
  • Google+
  • Twitter
  • YouTube