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IV Domingo da Quaresma – Ano B

Breve comentário

O texto do evangelho deste domingo é uma parte do diálogo de Jesus com Nicodemos, um fariseu membro do Sinédrio que deseja Jesus para saber algo mais da doutrina que aquele novo mestre, Jesus de Nazaré, anda a ensinar. Procura Jesus de noite para não ser visto pelos seus correligionários e, desta forma, não comprometer a posição que tinha na sociedade religiosa do seu tempo. Porém, mais tarde vemo-lo a defender Jesus (cf. Jo 7,48-52) e a estar no momento em que Jesus foi descido da cruz e colocado no túmulo (cf. Jo 19,39).

Na primeira parte do texto (vv. 14-15) temos a comparação com a serpente de bronze levantada por Moisés no deserto como primeiro anúncio da elevação e exaltação do homem Jesus sobre a cruz.

Aos filhos de Israel, mordidos pelas serpentes venenosas do deserto, Moisés oferece a possibilidade de salvação, olhando para uma serpente de bronze. Quando o homem consegue levantar a cabeça e olhar para o alto, Deus prepara para ele uma alternativa. Não obriga, mas está põe à disposição. O Filho do Homem, no deserto do mundo, será levantado sobre a cruz como sinal de salvação para todos aqueles que sentirem a necessidade de continuar a viver e não se deixarem morder por escolhas erradas. Olhando Jesus, fixando o olhar no amor que Ele manifestou, e crendo nele obtém-se a salvação, a vida na sua plenitude, a vida eterna.

A segunda parte do texto apresenta a missão de Jesus como Filho do Homem exaltado que encontra a sua origem no amor de Deus pelo mundo que quer salvar, concedendo-lhe a vida para sempre.

A expressão «Filho unigénito» faz lembrar a atitude de Abraão em relação ao seu filho Isaac, a quem está disposto a sacrificar por amor a Deus (cf. Gn 22,16). Neste caso é quem, por amor dos homens, entrega o seu Filho em sacrifício. Por isso, a atitude de Deus para com a humanidade não pode ser de julgamento-condenação mas de salvação. Deus oferece a salvação ao homem que a quer aceitar e viver na Luz, ou seja, no Filho de Deus, praticando as obras da Luz, deixando de estar nas trevas, isto é, no pecado. A não aceitação da proposta de vida que Deus oferece implica para o homem a sua própria condenação.

O texto gira à volta de alguns verbos fundamentais: levantar, amar, enviar, crer. Alguns verbos referem-se a Deus: o primeiro verbo é «levantar»: pôr em evidência, erguer para que todos vejam e percebam o grande dom recebido. O segundo verbo é «amar»: só Deus sabe amar assim, sem pedir nada em troca. Toda a história da salvação é história do amor de Deus por nós. O terceiro verbo é «enviar»: o Pai enviou o Filho unigénito, aquele que ele ama, para que o mundo se salve. Os outros verbos dizem respeito a nós, à nossa atitude em relação a Deus e ao seu dom. Somos chamados a «acreditar», isto é, a acolher o seu amor. Da fé jorra a vida, como duma fonte. Se cremos verdadeiramente, o nosso comportamento exprimirá a nossa fé: é o que significa ser «filhos da Luz», tal como Jesus que é a Luz verdadeira que veio a este mundo.

Porque ama a humanidade, Deus enviou o seu Filho único ao mundo com uma proposta de salvação. Essa oferta nunca foi retirada; continua aberta e à espera de resposta. Diante da oferta de Deus, o homem pode escolher a vida eterna, ou pode excluir-se da salvação.

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

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