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Ascensão do Senhor – Ano B

Breve comentário

O texto deste domingo pertence à actual conclusão do evangelho de Marcos que não foi escrito por Marcos mas bem cedo, provavelmente no séc. II, por alguém que quis dar um final ao evangelho, talvez por este se ter perdido. A actual conclusão foi desde sempre considerada canónica. Trata-se duma espécie de resumo dependente de João e de Lucas, notando-se também algumas ligações ao texto dos Actos dos Apóstolos.

O texto começa por apresentar o envio dos discípulos, com um firme «Ide», insistindo que o Evangelho, fonte de salvação para os que crêem, não é apenas para alguns mas para todos («toda a criatura») e em toda a parte («por todo o mundo»). A reacção ao anúncio, fé ou incredulidade, têm como correspondentes a salvação ou a condenação (cf. Jo 3,18).

Os sinais devem ser lidos à luz do simbolismo bíblico já apresentado pelos profetas para referir os novos tempos messiânicos que se realizam na pessoa e acção de Jesus e agora continuam através dos seus discípulos. São os mesmos sinais de que fala o livro dos Actos (cf. Act 16,16-16; 2,1-11; 28,3-6; 3,1-10; 9,31-35), sempre feitos por acção do Senhor («em meu nome»). Aquele Jesus que na Palestina acolhia os pobres, revelando-lhes amor do Pai, agora é o mesmo que continua presente no meio de nós, nas nossas comunidades. Através de nós, ele continua a sua missão para revelar a Boa Nova do amor de Deus aos pobres. Até hoje, a ressurreição acontece. Nenhum poder deste mundo é capaz de neutralizar a força que emana da fé na ressurreição (Rm 8, 35-39). Uma comunidade que quer ser testemunha da ressurreição deve ser um sinal de vida, deve lutar contra as forças da morte para que o mundo seja um lugar favorável à vida.

A ascensão de Jesus, tal como é narrada no livro dos Actos (1,9 e Lc 24,51), tem como fundo a imagem bíblica do mundo e uma referência à subida ao céu de Elias (2Rs 2,11; 1Mc 2,58). A Jesus é atribuído o título de Kyrios (= Senhor); a expressão «Senhor Jesus» nos evangelhos está presente apenas neste texto, mas é típica de S. Paulo e dos Actos. Também a indicação «sentou-se à direita de Deus (com referencia ao Salmo 110,1), trata-se dum modo de descrever os acontecimentos que faz supor que o autor já coloque aqui um texto em uso na primeira comunidade para professar a fé na glorificação e entronização do Ressuscitado.

Com a profissão de fé na ascensão ao céu, a primeira comunidade recorda e celebra a glorificação de Jesus Cristo, homem e Deus, junto do Pai, e o termo das aparições aos seus. De agora em diante será a Escritura e o testemunho dos cristãos a tornar presente Cristo sobre a terra.

            Os apóstolos têm a certeza de não estarem sozinhos na missão que lhes foi confiada: o Senhor age com eles e por meio deles.

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

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