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Domingo de Pentecostes -Ano B

Breve comentário

Este texto foi lido, em parte, no 2º Domingo da Páscoa. Agora, em dia de Pentecostes, Festa do Espírito Santo, é novamente proposto.

Para um olhar menos atento, trata-se duma repetição e, além do mais, despropositada, visto estar a referir-se a um acontecimento passado há cinquenta dias. De facto, por motivos litúrgicos e seguindo a cronologia apresentada pelo livro dos Actos dos Apóstolos (cronologia de carácter teológico na medida em que o mesmo autor – Lucas – no final do Evangelho já apresenta a Ascensão) separamos as diversas partes do mesmo mistério.

O mistério pascal é único. E é esta realidade que S. João procura evidenciar ao falar da Morte de Jesus já como glorificação: Morte, Ressurreição, Ascensão e dom do Espírito são realidades do mesmo mistério, do mesmo momento, do mesmo processo. Por isso, S. João refere-nos que Jesus, inclinando a cabeça, entregou o espírito. Não se trata duma expressão eufemista para indicar a morte mas para dizer o que diz: Jesus, no momento da sua morte (inclinando a cabeça) entregou o Espírito Santo.

O evangelista João, ao escrever sessenta anos depois dos acontecimentos, começa por recordar que tudo se passou no primeiro dia da semana, já consagrado como o dia do Senhor. É na tarde, ou seja, a hora em que os cristãos costumavam reunir-se para a celebração do Dia do Senhor.

A ressurreição de Jesus é um acontecimento de ordem sobrenatural. O evangelista João já tinha falado da ressurreição de Lázaro como um sinal de que Jesus era a Ressurreição e a Vida. Mas a ressurreição de Lázaro foi um tornar a viver, um voltar atrás à vida natural para, um tempo mais tarde, voltar a viver. A ressurreição de Jesus é um passo para a frente: é um vencer a morte para uma vida que não mais acaba. Jesus continua a ser o mesmo, mas de modo diferente, tendo ultrapassado as barreiras naturais e físicas. É isto que S. João quer dizer ao apresentar Jesus, que surge no meio dos seus discípulos, estando as portas fechadas.

Jesus veio e pôs-se no meio deles. Agora, Jesus é capaz de se tornar presente para os seus quando ele quer; ele quer estar com os seus discípulos em qualquer circunstância. A «Paz» não é apenas uma saudação ou um desejo, mas o dom efectivo da paz, conforme Jesus já tinha dito: «Deixo-os a paz, dou-vos a minha paz (Jo 14,27). A seguir, faz-se reconhecer, apresentando-se como o mesmo que foi crucificado, com os sinais da morte o lado, as mãos e os pés. Aquele que se apresenta diante dos discípulos não é apenas o Mestre, o personagem do passado, mas o «Senhor». Com a sua ressurreição, Jesus demonstrou ser verdadeiro Deus porque é senhor da vida e da morte. Ele já tinha anunciado aos seus amigos que, com a sua visita depois da paixão e morte, o seu coração seria inundado por uma enorme alegria (Jo 16,22). Por isso, os discípulos alegram-se ao verem o Senhor.

«Como o Pai me enviou, também eu vos envio». Jesus, o Enviado por excelência, envia os seus discípulos. O «como» não é uma simples comparação entre dois actos de envio, mas a continuidade intrínseca de uma missão única: o Filho estende aos discípulos a sua própria missão, que ele recebeu do Pai. Para esta missão, Jesus comunica (soprando) aos seus discípulos o Espírito (sopro) Santo. Na criação do homem, o Senhor Deus insuflou-lhe nas narinas o sopro da vida.

Agora é Jesus quem faz dos seus discípulos homens novos, animando-os com uma energia diferente, a força de Deus, o Espírito Santo. Ao mesmo tempo confere aos seus discípulos o poder de perdoar os pecados, o poder que é reservado a Deus e a seu Filho, na medida em que se trata da mesma missão salvífica.

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

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