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Dia da Igreja Diocesana – homilia

Dia da Igreja Diocesana
 

DIA DA IGREJA DIOCESANA

“Dai-lhes vós mesmos de comer”

 

  1. Jesus ensina contra as tradições

Deus deve ocupar o primeiro lugar no coração e na vida de cada um de nós. Os mandamentos dados por Deus a Moisés e hoje recordados na leitura do livro do Deuteronómio e no texto do Evangelho de S. Marcos lembram-nos que o amor a Deus e o amor aos irmãos são a lei suprema à qual tudo deve estar sujeito.

Os fariseus criticam os discípulos porque apanham espigas no dia de Sábado. A crítica apoia-se em que arrancar espigas era um trabalho que não estava autorizado no sábado, e na mentalidade judaica o cumprimento da lei é o supremo valor. O critério de Jesus é diferente: há coisas mais importantes que a lei, como pode ser, neste caso, satisfazer a necessidade que o homem tem de comer. Toda a lei está ao serviço do homem, não como o jugo que o oprime e o escraviza: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado». A lei tem uma finalidade libertadora e não opressora. Qualquer lei que resulte em prejuízo do homem fica sem valor, porque deixou de cumprir a sua finalidade. A lei do Sábado, embora sendo de origem divina, fica sem efeito perante a necessidade do homem.

A lei em si não é um mal. É necessária para a nossa convivência. O próprio Jesus, habitualmente, cumpre os preceitos da lei. Esta não é o supremo valor, mas que o valor máximo, a que todos os outros se devem subordinar, é o bem do ser humano, seja qual for a circunstância em que se encontre: com saúde ou doente é sempre a dignidade do ser humano, enquanto imagem e semelhança de Deus, que nós devemos preservar e promover.

Quero congratular-me com o sim à vida, mesmo na sua etapa final, que esta semana o Parlamento do nosso país votou maioritariamente. A vida é um dom de Deus e devemos defendê-la desde o seu início até ao seu final.

 

  1. Viver a alegria da misericórdia

Encerramos com a celebração deste Dia da Igreja Diocesana o triénio pastoral cujo lema “Igreja de Aveiro, vive a alegria da misericórdia” nos acompanhou ao longo destes três anos. Na apresentação do Plano Diocesano de Pastoral escrevi: «São vários os desafios que emergem da situação em que vivemos: A fragilidade de tantas famílias, a precarização do trabalho, a “turbulência” dos jovens sem horizontes de esperança para o futuro imediato, o envelhecimento da população e a solidão dos idosos, e tantos outros. Estes desafios vêm alertar-nos para a alegria da missão, para a força da misericórdia vivida com fé, esperança e caridade. Desafios que exigem um redobrado esforço da sociedade e das suas instituições, a que a Igreja se associa por dever de missão solidária em prol do bem comum».

Este Plano foi sendo vivido, com mais ou menos intensidade, com maior ou menor empenhamento por toda a Diocese, tentando ver caminhos de futuro e procurando a chamada conversão pastoral a que o Papa Francisco nos tinha interpelado na sua Exortação Apostólica A Alegria do Evangelho.

Podíamos ter feito mais e melhor, mas convosco quero dar graças a Deus por tantos colaboradores que meteram mãos ao trabalho e fomos crescendo na convicção de que sozinhos nenhuma comunidade ou agente de pastoral cresce no dinamismo de ser discípulo missionário. Isto significa olhar mais para fora de nós mesmos e não nos enredarmos em questões que não nos deixam ver o conjunto da nossa Igreja Diocesana e a sua missão de anunciar a Boa Nova de Jesus.

O nosso Congresso Eucarístico Diocesano quis ser isto mesmo: centrar a vida da Diocese no anúncio de Cristo vivo e ressuscitado, presente na Eucaristia. A morte de Cristo não deixou a comunidade dos discípulos desamparada: o Deus invisível tornou-se presente, ainda que o mundo O ignore.

A Eucaristia une-nos, em primeiro lugar, a Cristo, que se nos oferece como alimento: “O que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6, 56). Mas também nos une a todos os irmãos: “Formamos um só corpo os que participamos do mesmo pão” (1Cor 10, 17). Por isso, a Eucaristia é um compromisso com Cristo, que nos exige uma união real com Ele; uma união de coração e de obras; uma aceitação do Seu amor, que se manifesta no cumprimento dos Seus mandamentos.

E é também um compromisso com os irmãos. Se formamos um só corpo, temos de nos ajudar uns aos outros; precisamos de estar ao serviço dos irmãos. Receber o seu Corpo e o seu Sangue como alimento significa sermos discípulos de Jesus, seguirmos os seus passos, mas também um compromisso com o mundo em que vivemos. Quando Jesus diz “tomai e comei” quer afirmar que tomemos a vida nas nossas mãos e recebê-lO na Eucaristia exige luta e esforço para sair do pecado e superar as situações difíceis que não estão de acordo com o projeto cristão.

O pão partido e repartido é também compromisso pessoal de cada um de nós em sermos testemunhas da Sua morte e ressurreição. Jesus parte o pão e oferece-o aos seus discípulos e, com este gesto, convida-nos a assumir um compromisso, integrando-nos na sua obra redentora e continuando a sua missão. Assim o entenderam os primeiros discípulos, dando testemunho da ressurreição de Jesus assumiram todas as suas consequências, como são as perseguições, as incompreensões dos seus contemporâneos e até o martírio.

 

  1. Jesus chamou-os … e seguiram-no

O próximo triénio pastoral, que estamos a preparar, pretende descobrir o dom da vocação como seguimento de Jesus, como resposta ao seu chamamento. A relação pessoal com Jesus, a identificação com Ele, com o seu projeto e caminho, é o que define o discípulo. Por esta razão o caminho dos discípulos não pode ser outro senão o caminho de Jesus. Todos os modelos humanos são parciais e provisórios. O único modelo definitivo é Jesus. O discípulo é, pois, alguém apaixonado por Cristo, a quem reconhece como o mestre que o conduz e o acompanha ao longo da sua vida.

Ser discípulo é seguir Jesus – o que implica uma relação muito estreita com Ele. A vocação cristã é o caminho da santidade, como nos recorda o Papa Francisco: «Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais» (G et Ex 15).

Que a exemplo da vocação e prontidão de Maria, e de Santa Joana Princesa, modelo de caridade cristã, levemos Jesus Cristo, fonte da caridade e rosto do amor, a toda a nossa Diocese de Aveiro.

 

Senhor Jesus, fonte de todo o bem,

abri os olhos do nosso coração

às necessidades e aos sofrimentos dos irmãos.

Inspirai as nossas palavras e obras

para confortarmos os que andam cansados e oprimidos.

 

Fazei que a nossa Igreja de Aveiro,

animada pelo Congresso Eucarístico Diocesano

e transformada pela caridade,

saiba viver e anunciar o amor de Cristo,

presente na Eucarsitia,

e testemunhe a esperança de um mundo novo.

 

Nós Vos pedimos, Senhor Jesus,

concedei-nos muitas e santas vocações

laicais, sacerdotais e de consagração,

a fim de que as nossas obras deixem um rasto de luz

e todos juntos saibamos testemunhar

a alegria do Evangelho.

Amen.

Aveiro, 3/6/2018

+ António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro.

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