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XI Domingo do Tempo Comum – Ano B

Breve comentário

O texto de hoje, que contém duas parábolas, é a parte final da pequena secção de parábolas do evangelho de Marcos que começa com a parábola do semeador que saiu a semear (4,3-9) e, a seguir, com a sua explicação (4,13-20): a semente é a Palavra que é para ser escutada e dar fruto. Os discípulos, que ouvem a Palavra em particular, devem viver esta Palavra e anunciá-la: é o sentido da parábola da lâmpada que se segue (4,21-25).

Através de parábolas, Jesus vai apresentando o sentido do Reino de Deus. No Antigo Testamento, o Deus de Israel era o verdadeiro rei. Após a entrada na terra de Canaan, vindo do Egipto, os juízes eram os seus representantes do reino de Deus. Por isso, o seu profeta Samuel, último juiz, escutou estas palavras: «Não é a ti que rejeitam, mas a mim, porque não querem mais que eu reine sobre eles (1Sm 8,7). A partir de David, o reino de Deus tem como representante um rei humano, mas a experiência terminou em fracasso, e o reino de Deus acabou por ser um reino futuro e transcendente, sendo rei o próprio Deus ou quem Ele escolhesse. Este Reino nada tem de material ou geográfico, e é formado pelos que aceitam Jesus como Senhor, caminho, verdade e vida.

Toda a atenção da primeira parábola está centrada no crescimento. O papel do homem é reduzido a lançar, a atirar a semente, isto é, a mensagem do Evangelho, para todo o lado. A partir daí, nada depende daquele que semeia: a terra produz por si… Mas o processo é lento e progressivo e não pode ser apressado. O Reino de Deus é uma iniciativa divina e, mesmo aceitando a colaboração humana, está sempre acima de qualquer tentativa humana de conduzir o curso da operação. O tempo da ceifa é uma referência ao juízo no fim de tudo (cf. Joel 4,13).

A segunda parábola parte da constatação do tamanho minúsculo da semente da mostarda. A mostarda é uma planta da família da couve, de grandes folhas, flores amarelas e pequenas sementes, que tem duas espécies principais: branca e preta. A branca chega a atingir 1,2 m de altura e a preta pode chegar até 3m e 4 m de altura. A mostarda negra é comum nas margens do lago de Tiberíades e o seu tronco torna-se lenhoso. Esta variedade só cresce ao longo do lago e nas margens do Jordão. Os pássaros, que parece gostarem das suas sementes, chegam em bandos para pousar nos seus galhos e comer os grãos.

A referência à mostarda é usada por Jesus para evidenciar a capacidade de crescimento do Reino de Deus, apesar da humildade e simplicidade com que se apresenta.

A maior parte da pregação de Jesus às multidões era sob a forma de parábolas, numa linguagem simples que podia se entendida por todos. No entanto, Jesus tinha o cuidado de as explicar aos discípulos, em particular. Não porque os discípulos não percebessem a mensagem, mas porque esta, por vezes, era difícil de aceitar. De facto, como se pode aceitar que alguém pequeno (semente) se torne grande aos olhos de Deus?

O aspecto novo desta pregação evangélica consiste  na estreita relação que Jesus põe entre si e a sua obra e o Reino. Jesus é o Reino, identifica-se com ele. É a  semente lançada à terra dos homens, uma semente pequena, débil, maltratada, injuriada, lançada fora. Porém, esta semente lançada à terra, uma vez morta, ressuscitou e, através dos discípulos estendeu os seus ramos até aos confins da terra. Já o profeta Ezequiel, enquanto se encontrava exilado na Babilónia, tinha anunciado: «Assim fala o Senhor Deus: Depois, Eu próprio tomarei do cimo do cedro, do alto dos seus ramos colherei uma haste, e plantá-la-ei num monte bastante alto. Plantá-la-ei na montanha elevada de Israel: deitará ramos, produzirá frutos e tornar-se-á um cedro magnífico». (Ez 17,22-23).

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

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