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Solenidade do Nascimento de S. João Baptista

Breve comentário

Conforme o anjo tinha anunciado a Zacarias, Isabel deu à luz um filho. Também os festejos tinham sido anunciados: «Terás alegria e regozijo, e muitos se alegrarão com o seu nascimento».

Com termos que recordam o parto de Rebeca (Gn 25,24), o evangelista fala do nascimento de João. A estéril dá à luz um filho. A família e os vizinhos reconhecem nisto uma intervenção divina a favor de Isabel. A alegria é grande e difunde-se, como no caso do nascimento de Isaac: «Quem souber alegrar-se-á comigo», diz Sara (Gn 21,6): a partir de agora está a verificar-se o que o anjo tinha dito a Zacarias: «muitos se alegrarão com o seu nascimento» (Lc 1,14).

Para o povo judeu a circuncisão feita no oitavo dia do nascimento era uma sinal da aliança concluída entre Yahweh e a nação. O cumprimento deste rito não era reservado aos sacerdotes pois até as mulheres, pelo menos numa época tardia (2Mc 6,60), podiam circuncidar, mas o costume devia ser o de mandar vir o encarregado local.

Ao tempo de Jesus só no momento da circuncisão o menino recebia o nome. Pode ligar-se este uso ao facto de Deus ter mudado o nome de Abraão e de Sara com a declaração sobre a lei da circuncisão (Gn 17,5.15). Não era hábito dar ao filho o nome do pai, dado que os povos daquela zona, como muitos outros povos, diferenciavam as pessoas dum certo clã acrescentando o nome do pai (como Simão filho de Jonas; Mt 16,17). No caso de João, talvez a avançada idade do pai sugerisse um procedimento diferente.

Dar o nome à criança poderia caber tanto ao pai como à mãe. O Antigo Testamento está repleto de exemplos que atestam este costume. O facto de Isabel indicar «João» como nome da criança provocou certa objecção, talvez por ser hábito nessa altura escolher um nome que já existisse na família, o que não seria o caso de «João».

Zacarias, mudo desde a aparição do anjo, pediu uma placa para confirmar: «João é o seu nome». Fica assim reconhecida a autoridade da mensagem divina. Já Deus, por meio do anjo, tinha dito a Zacarias qual seria nome do seu filho: João, que significa «Yahweh concede graça» (Yo-hanan).

Os momentos incompreensíveis que os vizinhos viveram, o facto de velhos terem um filho e tudo o que rodeou, causam admiração e um certo sentimento de algo mais profundo. Aquela criança era diferente das outras: Que virá a ser aquele menino? O que é que Deus quer dela? O texto termina laconicamente, não respondendo directamente à questão, mas apontando para a sua manifestação a Israel.

João cresce fisicamente e amadurece longe da vida dos homens, mas próximo de Deus, no deserto, o lugar onde Yahweh pode educá-lo e prepará-lo para a sua missão. Desta forma, Lucas prepara o leitor para o início da actividade de João.

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

 

 

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