Pages Navigation Menu

XIII Domingo do Tempo Comum – Ano B

Breve comentário

Este texto do evangelho de S. Marcos apresenta-nos dois episódios que se entrelaçam, aparentemente distintos um do outro, mas que de alguma forma se completam um ao outro: o pedido de socorro de Jairo pela filha de doze anos que está a morrer, a mulher que sofre há doze anos e é curada ao tocar em Jesus e, finalmente, a constatação da morte da menina e a sua ressurreição ao toque e à palavra de Jesus.

A mulher que tinha um fluxo de sangue encontrava-se numa situação de morte perante a Lei e a sociedade. A doença tornava-a estéril, considerada castigo e maldição por parte de Deus, impura perante a Lei e, por isso, impedida de se aproximar dos outros. Toda a gente a considerava como morta. Daí o medo com que toca em Jesus e, mais ainda, quando foi descoberta no seu gesto.

Ela tinha feito tudo o que lhe era possível («gastara todos os seus bens») para readquirir a vida. Mas não perdeu a esperança e a fé. Conforme a doutrina da época bastaria tocar no manto de alguém impuro, como era o caso daquela mulher, para se ficar igualmente impuro. A mulher pensava o contrário em relação a Jesus. Um simples toque torná-la-ia purificada, curada. Muita gente tocou em Jesus («Vês que a multidão te comprime de todos os lados, e ainda perguntas: ‘Quem me tocou?’») mas só aquela mulher tocou em Jesus com fé.

A mulher dá-se conta de que foi descoberta. Para ela é um momento difícil e perigoso. Segundo a crença da época, um pessoa impura que, como aquela mulher, se metia no meio da multidão, contaminava todos com um simples toque. Tornava todos impuros diante de Deus (Lv 15,19-30). Por isso, o castigo seria ser posta à margem e apedrejada. Porém, apesar deste perigo real, a mulher tem a coragem de assumir o que fez, contando a sua verdade. Então, Jesus, pronuncia a palavra final: «Filha, a tua fé salvoute. Vai em paz e sê curada do teu mal». Com a palavra «filha», Jesus acolhe a mulher na nova família, na comunidade que se forma à volta dele. Acontece aquilo que ela pensava. Jesus reconhece que sem a fé daquela mulher ele não teria podido realizar o milagre.

Ainda hoje, na Palestina, numa curva do caminho perto do lago da Galileia, junto a Cafarnaum, lê-se numa pedra a inscrição: «Aqui, neste lugar, a mulher considerada impura, mas cheia de fé, tocou em Jesus e ficou curada».

É a mesma atitude de fé que Jesus pede a Jairo perante a realidade da morte efectiva da filha («Não tenhas receio; crê somente») e perante a troça e o conselho de toda a gente ali presente («A tua filha morreu; de que serve agora incomodares o Mestre?»).

Acompanhado pelos primeiros discípulos que chamou (que vão aparecer em momentos fundamentais) e pelos pais, Jesus aproxima-se da menina. O evangelista Marcos recorda com simplicidade este acontecimento, tal como lhe deve ter narrado Pedro que a ele assistiu. Jesus pegou-lhe na mão e disse: «Talitha qûm!» (Menina, levanta-te). E ela ergueu-se do sono da morte.

O evangelista, depois de apresentar o poder de Jesus sobre os elementos da natureza (tempestade acalmada) e sobre o mal (cura do endemoninhado), mostra-nos Jesus que se deixa tocar e se sente tocado pela fé da mulher e de Jairo, restituindo a vida plena. Embora agindo com a força de Deus, Jesus age com toda a humanidade: não sabe quem lhe tocou e é a mulher a denunciar-se. Depois de fazer o que só ele podia, preocupa-se com a comida da menina, algo que os pais podem e devem fazer. E, uma vez mais, recomenda que ninguém saiba do sucedido, querendo assim manter o «segredo messiânico.

Pe. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

 

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  • Facebook
  • Google+
  • Twitter
  • YouTube