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XIV Domingo do Tempo Comum – Ano B

Breve comentário

Na primeira parte do seu Evangelho, Marcos apresenta as diversas interpretações acerca de Jesus. Ninguém consegue reconhecê-lo na sua identidade mais profunda, inclusive os seus familiares que já antes tinham ido à procura dele para o levarem para casa por estarem convencidos que Jesus estava louco (Mc 3,21). Quando o encontram, Jesus parece não lhes ligar importância, apresentando os seus discípulos como a sua nova família (Mc 3,31-35).

É com esta nova família que agora ele se apresenta em Nazaré. Ele tinha saído dessa pequena aldeia encravada nas montanhas da Galileia para ir morar em Cafarnaum, nas margens do mar da Galileia e perto da Via Maris, onde a sua pregação facilmente começou a chegar a todo o lado. Muita gente vai dando crédito ao seu ensino, reconhecendo a sua autoridade como mestre e como profeta.

A cena passa-se na sinagoga, em dia de sábado. É a terceira e última vez que Marcos refere uma ida de Jesus a uma sinagoga. Da primeira vez (Mc 1,21-28) Jesus teve sucesso: todos se maravilhavam com o seu ensino e até libertou um possesso dum espírito impuro. Da segunda vez (Mc 3,1-6) já não correu tão bem pois, ao curar um homem com a mão seca em dia de sábado, criou-se forte tensão entre Jesus e os fariseus e partidários de Herodes.

Nesta terceira vez (Mc 6,1-6), como das duas vezes anteriores, começou a ensinar. Em princípio, qualquer judeu tinha o direito de tomar a palavra para instruir a assembleia, mas na prática ninguém o ousava fazer pois o ensino tinha-se tornado monopólio dos doutores da lei que não admitiam concorrência. Os seus conterrâneos, naturalmente instigados pelos doutores da lei, tentaram desmoralizar e desacreditar totalmente as suas palavras e acções de Jesus.

A primeira reacção dos ouvintes é de espanto e admiração perante o ensino. Porém, começam as interrogações, que soam a ataque: Como é que alguém que não estudou consegue ensinar desse modo? Donde lhe vem tudo isso?

A segunda reacção tem a ver com o que ouviram falar acerca dos milagres realizados pelas mãos de Jesus. Donde lhe vem tudo isso? A pergunta entende-se com o que se leu já em Mc 3,22 onde os escribas vindos de Jerusalém acusam Jesus de estar possesso de Belzebu, príncipe de demónios, e por isso, conseguir expulsar demónios.

A terceira reacção resume o resto com um insulto, apelando para a sua origem simples e humilde: ele não passa de filho dum carpinteiro, portanto sem qualquer credibilidade. Os seus compatriotas estão incapazes de ir além do aspecto exterior para ir ao encontro do sentido mais profundo. Daí, escandalizavam-se dele.

Diante disso tudo, Jesus cita um provérbio conhecido por todos: «Não há profeta sem honra excepto na sua pátria, entre os seus parentes e em sua casa». Em contraste com a designação dos compatriotas sobre ele como um simples «carpinteiro», Jesus revela-se como «profeta», uma pessoa inspirada e enviada por Deus para anunciar Palavra de Deus. Ele não aprendeu com nenhum mestre humano, pois as suas palavras vêm de Deus.

Jesus admira-se da falta de fé daquela gente que não aceita o seu ensino e, por isso, são culpados de não usufruírem do seu poder miraculoso. Mas outros aceitarão. Por isso, o caminho de Jesus continua noutras aldeias.

 

Pe. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

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