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XV Domingo do Tempo Comum – Ano B

Breve comentário

O texto deste domingo apresenta-nos o envio em missão dos Doze, com o respetivo discurso. Comparado com o texto de Mateus ou Lucas, o relato de Marcos é mais breve e só contém doutrina e uma série de recomendações práticas para ajudar a distinguir os verdadeiros missionários de alguns pregadores itinerantes que tinham em vista apenas o lucro, o proveito pessoal.

Em Mc 3,14-15, Jesus «estabeleceu Doze para estarem com Ele e para os enviar a pregar, com o poder de expulsar demónios». Não são referidos os critério da escolha: simplesmente, Jesus chamou aqueles que quis (v.13). Eles acompanharam Jesus durante muito tempo, escutando os seus ensinamentos em geral e as explicações que ele lhes dava em particular. Tiveram ocasião de poder presenciar de perto os seus milagres. Chegou o tempo de serem enviados.

Jesus chama e envia os Doze. Trata-se dum número simbólico baseado no número das tribos de Israel. No anúncio do Evangelho ninguém pode ser ficar de fora ou excluir-se a si mesmo. A mensagem proclamada por Jesus deve ser assumida e continuada em comunidade (dois a dois) com o poder sobre as forças (espíritos imundos) que afastam de Deus e da vida autêntica. Jesus deu aos Doze o seu poder contra as forças do mal, ou seja, a autoridade para libertar as pessoas de tudo o que as escraviza e impedem de viver em plenitude. A missão de cada cristão é uma luta contra o que destrói a vida e a felicidade, numa palavra, contra o pecado.

Seguem-se as instruções para a missão. Os discípulos enviados não podem ter a preocupação dos bens materiais a fim de estarem livres e disponíveis para a missão. A grande riqueza que os enviados têm deve consistir na força da Palavra e, por isso, esta missão tem de ser desempenhada com simplicidade e despojamento. O único objecto permitido é o bastão, a arma do pobre, mas também aquilo que ajuda a caminhar as longas distâncias a percorrer. Também a Moisés tinha sido entregue o cajado para a missão de libertação do povo oprimido no Egipto.

O anúncio evangélico consiste em ir ao encontro das pessoas onde se encontram, nas suas localidades e nas suas casas. E qualquer casa serve para estar durante a missão, não devendo andar à procura de outra melhor ou ao sabor de amizades ou das conveniências.

Aos enviados em missão compete fazer o anúncio que pode ser bem acolhido ou não, tal como aconteceu como Jesus. Se não forem acolhidos na sua missão, isto é, no caso de rejeição do Evangelho, os discípulos não devem ter nada em comum com aqueles que os rejeitaram. Sacudir o pó dos pés era um gesto antigo que os israelitas em geral faziam quando deixavam território pagão para entrar na sua terra, considerada terra santa.

O importante e o centro da missão é sempre o convite feito a todos a uma mudança de vida, na linha da pregação de Jesus: «Arrependei-vos e crede na Boa Nova». O sinal da força deste anúncio está na vitória sobre todas as forças do mal, físico ou moral.

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

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