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XVII Domingo do Tempo Comum – Ano B

Breve comentário

No domingo passado acompanhámos no evangelho de Marcos a chegada dos discípulos enviados em missão e o convite que Jesus lhes fez para irem descansar um pouco. Porém, as multidões surgem de novo e Jesus compadece-se daquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor, e pôs-se a ensiná-los. Segue-se a 1ª multiplicação dos pães. Porém, a liturgia acompanha este evangelho, mas sim o de S. João com o discurso do Pão da Vida que se segue. Isto deve-se ao facto de o evangelho de o evangelho de Marcos ser mais pequeno que qualquer um dos outros e não ter matéria suficiente para todos os domingos.

O texto coloca-se na parte do Evangelho de João chamada «livro dos sinais» (de 1,19 a 12,50), na qual são descritos e comentados os 7 grandes «sinais» de auto-revelação realizados por Jesus. Discursos e «sinais» estão estreitamente relacionados: os sinais são explicados pelos discursos que se seguem, num progressivo aprofundamento da revelação divina e no consequente crescimento da hostilidade em relação a Jesus por parte dos seus opositores que o evangelista apelida genericamente de «judeus».

O episódio conhecido como a multiplicação dos pães é o único «milagre» comum aos quatro evangelistas, mas que S. João prefere chamar «sinal». Aliás, a tudo aquilo a que habitualmente chamamos «milagre» João chama-lhe «sinal», precisamente porque aponta sempre para algo que não se vê exteriormente.

Desde o início do evangelho que João vai fazendo uma apresentação de Jesus em confronto com a figura de Moisés. Ao chamar a atenção para a proximidade da Páscoa dos Judeus, fornece uma chave de leitura. Jesus, tal como Moisés, atravessou o mar, acompanhado por uma grande multidão a quem vai alimentar, não apenas com um simples pão/maná mas com o verdadeiro Pão descido do céu.

O facto de, no relato da última Ceia, não referir a instituição da Eucaristia deve concentrar-nos nesta cena e no discurso que se irá seguir como a grande lição que o evangelista quer dar sobre o Pão / Carne que Jesus distribui.

Jesus toma a iniciativa de querer alimentar a multidão. Os discípulos começam por fazer os cálculos para rapidamente concluir que é impossível alimentar a multidão. A única coisa de que dispõem pertence a um rapazito, uma pessoa sem importância social, que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos. O mesmo termo «rapazito» é usado em 2Rs (4,12.14.25; 5,20) para falar do servo do profeta Eliseu, Giezi. O pão de cevada, ao contrário do pão de trigo, era um alimento simples e muito usado pelos pobres. O peixe, no texto «peixinhos», era a comida mais habitual que acompanhava o pão. A soma dos 5 pães com os 2 peixinhos. É precisamente isto que vai chegar para todos!

É útil observar um aspecto importante: a multiplicação só acontece depois da divisão e a divisão do pão acontece só depois de um «rapazito» pôr à disposição de todos os seus poucos recursos. A mensagem fundamental que nos é apresentada aponta, não para a multiplicação de pães, mas para o sentido da partilha que os seguidores de Jesus, tornando-se pequenos, devem realizar com os irmãos.

O gesto de Jesus é simples: tomou os pães, deu graças e distribuiu-o aos presentes. Mas o leitor ou ouvinte já crente facilmente lança o olhar para o gesto eucarístico de que este é um «sinal».

A multidão presente começa a descobrir alguma coisa: Jesus é o Profeta que estaria para vir de que fala o livro do Deuteronómio (18,5: um profeta como Moisés). A Sagrada Escritura conservava a referência ao que «milagre» realizado pelo profeta Eliseu, alimentando 100 pessoas com 20 pães de cevada. O que Jesus fez ultrapassa tudo. Mas Jesus é mais do que o Profeta anunciado e mais do que um Rei que se limite a dar a comer um alimento exterior. Por isso foge da multidão. Não aceita ser instrumentalizado.

Pe. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

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