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XVIII Domingo do Tempo Comum – Ano B

Breve comentário

O entusiasmo da multidão depois da multiplicação dos pães e dos peixes é enorme. Jesus, sabendo que viriam ter com ele para o fazerem rei, retirou-se para o monte. Durante a noite atravessou o lago, a pé, indo ter com os discípulos que lutavam com a tempestade.

Só de manhã é que a multidão dá conta da ausência de Jesus, mas não desanima e vai à procura dele. Aquela gente não entendeu o sentido profundo do gesto realizado por Jesus, pensando somente no sentido material: Jesus poderia resolver os seus problemas imediatos de maneira fácil e sem custos. As pessoas procuram pão e vida, mas somente para o corpo. É isto que Jesus denuncia duma forma dura que as traduções procuram amenizar: «Vós procurais-me, não por terdes visto sinais, mas porque comestes pão e vos saciastes». Na verdade, o verbo traduzido por saciar é o verbo grego chortázô que deriva da palavra chórtos, «palha, feno». Jesus acusou aquela gente de só se preocupar em comer como os animais. Em linguagem dura diríamos hoje «encher a pança», «comer como uma besta». Por isso, as pessoas não conseguem ver mais além, não entendem os sinais. 

Este encontro com a multidão dá-se na sinagoga de Cafarnaum. Jesus aponta para algo superior, fazendo o discurso do Pão da Vida, que começamos a ler neste domingo e se prolongará por mais alguns domingos.

A primeira exigência feita por Jesus àqueles que procuram um alimento que perdura até à vida eterna é uma adesão incondicional à pessoa dele e ao seu projecto. Porém a multidão exige uma prova concreta para esta adesão, o que naturalmente provoca a comparação com a figura de Moisés e com o maná do deserto. Jesus tinha alimentado cinco mil pessoas, mas Moisés, com o maná, alimentou todo um povo durante quarenta anos!

A palavra maná deriva da pergunta feita pelos hebreus perante o que viam: «que é isto?», (em hebraico man-hû). Trata-se do maná lecanora, que se encontra desde o Irão até ao Norte de África, portanto também no norte da Península sinaítica, que é granuloso e aguado, do tamanho da semente do coentro [= cerca de 5 mm de diâmetro], de cor branca, e tem sabor a mel (Ex 16,31). É uma secreção produzida pelo tamarisco, chamado tamarix gallica ou tamarix-mannifera, após a picada dum determinado insecto. Os pequeninos grãos, em jeito de gotas de orvalho «caídas do céu», colhidos de manhã cedo podiam ser moídos dando uma farinha com a qual se podia fazer pão com sabor a mel.

Jesus corrige os seus ouvintes. Não foi Moisés quem alimentou, mas sim o Pai. E é o mesmo Pai quem dará o verdadeiro Pão do Céu. E Jesus não é alguém que vem trazer pão: Ele é o Pão da Vida.

Jesus procura ajudar as pessoas a libertarem-se dos esquemas do passado a que estavam agarrados os seus ouvintes. Para ele, a fidelidade ao passado não significa encerrar-se nas coisas antigas e não aceitar a renovação. Fidelidade ao passado quer dizer aceitar a novidade que vem como fruto da semente plantada no passado.

Os mestres judeus acreditavam e ensinavam que havia no céu um resto de maná que desceria do céu quando viesse o Messias. Numa palavra, o Messias é o Pão do Céu que dá a vida. Daí a primeira grande afirmação de Jesus: Eu sou o Pão da Vida…

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

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