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Jerusalém – Emaús – Jerusalém | Uma reflexão bíblica de apoio ao ano pastoral

 

 

Jerusalém – Emaús – Jerusalém

 (Lucas 24,13-35 – 24,36-49)

 –  Uma reflexão bíblica  –

 

Introdução

Lucas, autor do 3º Evangelho e dos Actos dos Apóstolos, não era judeu, mas sírio pela raça, médico de profissão, conforme informações presentes na Carta aos Colossenses (Cl 4,10-14). Não se pode dizer com segurança quando se converteu ao Cristianismo. Associou-se a Paulo em trechos da segunda e terceira viagens missionárias (Act 16,10-37; 20,5-21,18). Permanecido fiel a ele durante o primeiro cativeiro (Cl 4,14; Flm 24). No ano 60 embarcou com Paulo para Roma (Act 27,1-28,16), para o segundo cativeiro (2Tm 4,11) até à morte deste. Por isso, estando em Roma, teve ocasião de conhecer bem o evangelho de Marcos, para além doutros escritos que foram aparecendo.

Por volta do ano 85 escreve para as comunidades da Grécia e da Ásia Menor (actual Turquia) que viviam numa situação difícil, tanto interiormente como exteriormente. No interior existiam tendências divergentes que tornavam difícil a convivência: fariseus que queriam impor a lei de Moisés (Act 15,1); grupos estreitamente vinculados a João Baptista que não tinham ouvido falar do Espírito Santo (Act 19, 1-6); judeus que se serviam do nome de Jesus para expulsar demónios (Act 19,13); existiam os denominados discípulos de Pedro, outros que eram de Paulo, outros de Apolo, outros de Cristo (1Co 1,12). Vindo do exterior, por parte do Império Romano a perseguição era cada vez maior (Ap 1,9-10; 2, 3.10.13; 6,9-10.12-16) e a infiltração enganadora da ideologia dominante do Império e da religião oficial, sobretudo do culto da figura do imperador (Ap 2,14.20; 13,14-16).

Lucas escreve para comunidades de origem pagã, para que estas recebam uma orientação segura no meio das dificuldades e para que encontrem força e luz na sua vida vivida a partir da fé em Jesus. O prólogo ao evangelho salienta bem esta preocupação:

 

Visto que muitos já tentaram compor uma narração dos factos
que se cumpriram entre nós,
– conforme no-los transmitiram os que, desde o princípio,
foram testemunhas oculares e ministros da Palavra –
, a mim pareceu também conveniente,
após acurada investigação de tudo desde a origem,
escrever-te de modo ordenado, ilustre Teófilo,
para que saibas a solidez das palavras em que foste instruído.

 

Lucas parte da pregação apostólica transmitida por aqueles que foram testemunhas oculares e depois ministros da Palavra, que «muitos» já tentaram escrever, e pretende fazer um relato cuidadoso que apresente a história da salvação, dedicando o livro a Teófilo (= amigo de Deus). Não se trata duma simples recolha de ensinamentos dum Mestre, mas da narração duma história, o relato dum acontecimento.

Esta narração assenta no testemunho daqueles que desde o início viram as acções que se cumpriram no meio deles. Testemunhas deste acontecimento são os apóstolos, na perspectiva lucana os Doze (cf. Act 1,21ss), que viveram com Jesus e aos quais foi confiado o ministério da Palavra. Eles são a linha viva que une o acontecimento Jesus à vida da primeira comunidade cristã, uma linha fundada na Palavra. A Palavra é uma pessoa que, com o seu ensinamento e com as suas manifestações de poder, realizou o que dizia.

Lucas narra com ordem, isto é, narra de modo completo, sem lacunas; a perspectiva histórica do evangelista é clara: ele quer escrever uma história mas que, ao mesmo tempo, é obra dum crente. Ele interpreta o acontecimento Jesus à luz da fé, colocando-o no contexto mais amplo do plano salvífico de Deus.

 

::: aceda ao texto completo :::

 


 

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