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Formando para a missão

Formando para a missão

Se do ponto de vista mais imediato, a carência de padres nos inquieta para as necessidades do trabalho pastoral, uma Igreja que vá perdendo os sinais de consagração é indicador para uma Igreja de que a fé transmitida não é suficiente para arriscar a vida.

A Igreja Portuguesa celebra na próxima semana, entre os dias 11 a 18 de novembro a Semana de oração pelos Seminários. Este ano, o lema “Formar discípulos missionários” recorda-nos um dos apelos mais insistentes do Papa Francisco na Exortação Apostólica “Alegria do Evangelho” (cf.  EG 24, 119, 120, 173). De facto, diz-nos o Papa: «A Igreja “em saída” é a comunidade de discípulos missionários que «primeireiam», que se envolvem, que acompanham, que frutificam e festejam.  Primeireiam – desculpai o neologismo –, tomam a iniciativa!  A comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (cf. 1 Jo 4, 10), e, por isso, (…) vive um desejo inexaurível de oferecer misericórdia, fruto de ter experimentado a misericórdia infinita do Pai e a sua força difusiva.» (EG 24) Este chamamento do Papa é dirigido a todos os cristãos, a todos aqueles que pelo batismo, são sinal do amor de Cristo no mundo. Mas evidentemente, esta interpelação encontra especial eco naqueles que têm a missão de apascentar o Povo de Deus, e por isso mesmo também, entre aqueles que se preparam para o sacerdócio.

Os Seminários têm por missão acolher todos aqueles que em Igreja se sentem vocacionados a ser sinal de Cristo que guia o seu Povo. A formação em Seminário orienta-se para que aquele que se sente chamado, cresça na relação com Cristo, que dá a vida por todos. Isto acontece, antes de mais, por dom de Deus e pelo esforço pessoal de cada um; embora cientes desta liberdade pessoal, o acompanhamento feito pelos formadores do Seminário é um dos caminhos incontornáveis no crescimento pessoal. Na sua reflexão, a Igreja tem insistido no cuidado da formação humana, espiritual, intelectual e pastoral. De facto, creio que o testemunho de cada presbítero que guia uma comunidade é um dos aspetos mais importantes para a credibilidade da fé nos nossos dias. Este cuidado manifesta-se, por exemplo, na forma como cuida, como se relaciona, como sonha e vive a vida pastoral em comunhão diocesana, como celebra a fé e como dá a vida pelo Povo; como primeiria, no seguimento do que nos diz o Papa Francisco. 

Não é novo dizer que a Igreja vive uma crise vocacional. Se do ponto de vista mais imediato, a carência de padres nos inquieta para as necessidades do trabalho pastoral, uma Igreja que vá perdendo os sinais de consagração é indicador para uma Igreja de que a fé transmitida não é suficiente para arriscar a vida. É neste sentido, creio, que o nosso triénio pastoral dedicado às vocações, – e neste ano dedicado à vocação batismal – nos orienta para redescobrir a beleza da fé em Cristo, do amor com que somos amados por Deus. Não é coisa pouca. É realidade que necessita de ser testemunhada, num tempo que procura ansiosamente referências certas e seguras para a vida.

É deste tempo, em comunhão com a Tradição da Igreja, que hão de surgir os padres do amanhã; é do agora do nosso trabalho e empenho, nos grupos de catequese, nos jovens – e talvez, menos jovens –, naqueles que estão à margem, que o Senhor há de “chamar operários para a sua messe” (cf.  Lc 10, 2).

Na Diocese de Aveiro, o acompanhamento aos rapazes e jovens e a todos os que se sentem chamados ao sacerdócio passa normalmente pelo Pré-Seminário. Aqui procuramos acompanhar todos aqueles que em sinceridade e autenticidade se inquietam vocacionalmente.  O Pré-Seminário tem propostas para todos a partir dos 10 anos de idade.

No Seminário Menor reside uma comunidade com adolescentes com quatro elementos; em Caparide, está um rapaz em etapa propedêutica, enquanto no Seminário dos Olivais estão dois jovens em formação. Entre nós, preparam-se para o Ministério Ordenado o Fábio Freches, o Diác.  Jorge Gonçalves e o Diác. Pedro Oliveira.

Serve igualmente esta semana para ajudar no sustento das despesas de formação dos nossos seminaristas.  Para este fim convergem os ofertórios realizados em cada Paróquia da Diocese; não podemos deixar de apelar e agradecer à generosidade de todos, que quer individual, quer coletivamente participam com os seus bens no sustento do Seminário.  Um especial obrigado às famílias dos seminaristas, no esforço que fazem para este sustento em favor de todos.

Em Seminário, queremos assinalar esta Semana sobretudo com dois momentos. No dia 17 de novembro, pelas 21 horas realizar-se-á uma vigília de oração pelos Seminários na Igreja de Avanca.  No dia 18 de novembro, pelas 16 horas, celebrar-se-á a Missa de encerramento da Semana de Oração na Igreja do Seminário. Convidamos todos a estar presentes, assim como contamos com a vossa oração pelos nossos rapazes e jovens, assim como pelos padres e intervenientes na formação dos seminaristas.

 

Padre João Santos, reitor do Seminário de Aveiro, pela equipa formadora.

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