Pages Navigation Menu

Solenidade de Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo

Breve comentário

A Igreja conclui o ano litúrgico com uma grande festa a Jesus, chamando-o com o título de Rei. A solenidade actual foi instituída enquanto na Europa se formavam as grandes ditaduras; esta celebração teve a finalidade de afirmar a unicidade e a singularidade da realeza de Cristo, o «único» Rei justo.

Para festejar Cristo, rei do universo, a Igreja não nos propõe a narração duma manifestação esplendente. Pelo contrário, coloca-nos diante da cena da paixão segundo S. João, na qual Jesus, humilhado e amarrado comparece perante Pilatos, representante dum grande império.

As autoridades judaicas, depois de terem considerado Jesus réu de morte levaram-no a Pilatos, representante da autoridade civil romana, para que lhe fosse dada a morte. Eles não entram o pretório pois, estando próxima a festa da Páscoa, não queriam contaminar-se entrando em lugar de pagãos. Isto faz com o que julgamento seja resultado com contínuas entradas e saídas do pretório para vir falar com os judeus que aguardavam fora do edifício. Por isso, o julgamento de Jesus não tem ninguém a assistir. Poderá passar estranho isto acontecer num processo oficial, mas Jesus não tinha os direitos de cidadão romano.

«Tu és o rei dos judeus?». Este título é um pouco diferente do título com que era indicado o Messias, isto é, o Rei de Israel. Para Pilatos este título podia significar que Jesus era o chefe dum grupo que queria substituir as autoridades locais impostas pelos Romanos, como o tetrarca Herodes Antipas, ou, pior ainda, um revolucionário zelote que queria expulsar os romanos da terra santa. No fundo, era esta a esperança da maior parte do povo judeu.

A realeza de Jesus é o motivo de acusação, de tipo político, o único que podia interessar ao procurador romano, indiferente em relação às questões religiosas, mesmo se na realidade a motivação da condenação de Jesus pelo sinédrio era de tipo religioso (a blasfémia, a pretensão de se fazer Deus).

Em vez duma resposta directa, mesmo que vaga, como lemos nos evangelhos sinópticos (Mt 27,11; Mc 15,2; Lc 23,3), João põe na boca de Jesus uma pergunta que traz à luz a responsabilidade dos judeus e dos sacerdotes na sua condenação: «Tu dizes isso por ti mesmo, ou outros to disseram de mim?». Porém, Pilatos coloca de novo a questão, embora de modo diverso: «Que fizeste?».

Pilatos pergunta a Jesus o que fez de mal para ter sido entregue. Jesus responde à pergunta anterior a respeito da sua realeza. A sua realeza não é um poder de ordem terreno e a prova disso está no facto de ele estar ali a ser julgado. Jesus sempre resistiu às tentativas de o fazerem rei e, várias vezes, rejeitou essa possibilidade. Por isso, sossega o espírito de Pilatos: o reino dele é diferente, não é deste mundo, portanto não representa um perigo para os romanos. Mas, de facto, é Rei!

Para Jesus, apenas uma coisa conta: a verdade. Ele é a Verdade e, portanto, durante toda a sua vida serviu a verdade, deu testemunho da verdade. A verdade sobre o Pai, a verdade sobre a vida eterna, a verdade sobre a luta que o homem deve travar neste mundo, a verdade sobre a vida e sobre a morte. Eis o que é ser rei do universo: entrar na verdade e dar testemunho dela. Todos os discípulos de Jesus são chamados a partilhar a sua realeza, se «escutarem a sua voz».

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  • Facebook
  • Google+
  • Twitter
  • YouTube