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I Domingo do Advento – Ano C

Breve comentário

O novo ano litúrgico que hoje se inicia, durante o qual iremos ser acompanhados pela leitura do Evangelho segundo S. Lucas, abre-se com um período de quatro domingos, o tempo do Advento, em que a Igreja se prepara para celebrar no próximo Natal a vinda histórica de Jesus entre os homens. Ao mesmo tempo reaviva uma dimensão que a acompanha constantemente no seu caminho na história: a dimensão da espera. A Igreja aguarda, não com medo mas com desejo ardente e viva confiança, um futuro que Deus no seu amor prometeu e prepara. A este futuro, para o qual caminhamos, a Igreja chama-lhe «advento», isto é, vinda: a vinda do Senhor Jesus. É neste âmbito que se coloca a página do Evangelho deste 1º Domingo.

O texto do evangelho deste domingo (Lc 21,25-28.34-36) faz parte do chamado «discurso escatológico» (Lc 21,8-36). No Evangelho de Lucas, este discurso é apresentado como a resposta de Jesus à pergunta dos discípulos. Diante da beleza e a grandeza do templo e da cidade de Jerusalém, Jesus tinha dito: «Não ficará pedra sobre pedra!» (Lc 21,5-6). Os discípulos queriam que Jesus lhes desse mais informações acerca da destruição do tempo e perguntavam: «Quando sucederá isso, Mestre, e quais os sinais que indicarão que está para acontecer» (Lc 21,7).

  1. Lucas, ao apresentar este episódio, quer dar respostas às inquietações dos cristãos para os quais escreve. Ao tempo de Jesus (ano 33), perante tantos desastres, guerras e perseguições, muita gente dizia: «O fim do mundo está próximo!». A comunidade do tempo de Lucas (ano 85) pensava a mesma coisa. Além disso, durante a destruição de Jerusalém (ano 70) e da perseguição dos cristãos que já durava 40 anos, havia quem dissesse: «Deus já não controla os acontecimentos da vida! Estamos perdidos! Por isso a preocupação principal do discurso é ajudar os discípulos a discernir os sinais para não serem enganados com os discurso sobre o fim do mundo: «Atenção, não vos deixeis enganar!» (Lc 21,8).

A primeira parte do texto contém uma série de citações ou alusões tiradas do Antigo Testamento que pertencem à linguagem simbólica apocalíptica para significar que Deus vai intervir um dia sobre todas as forças do mal, abalando as convicções e as certezas em que muitos se baseiam e apoiam as suas vidas.

Lucas refere os sinais cósmicos de que antes  (cf. 10-11) já tinha falado, mas toda a atenção está no modo como os homens reagem sem, no entanto, enfatizar demasiado. Aos sinais no céu estão associados os sinais sobre a terra e no mar, isto é, o evangelista insiste no aspecto universal. Todas as coisas deste mundo são corruptíveis, têm um fim. Mas o sentido da história humana não se encaminha simplesmente para a ruína e a desgraça. Aquilo que para muitos é o final de tudo, para os discípulos de Jesus Cristo é tempo de esperança e de certeza de libertação.

A segunda parte do texto alerta os discípulos as duas atitudes possíveis face à finitude e aos problemas da história pessoal e social. A primeira é de fuga, arranjando paliativos e falsas ilusões de bem-estar e de vida. A segunda atitude é permanecer acordado, apoiados na oração, isto é, na força de Deus para olhar os acontecimentos da vida através dos seus olhos.

O Dia do encontro com o Filho do Homem acontecerá sempre. É fundamental poder estar de pé, ou seja, com confiança, perante aquele que vem numa nuvem, como juiz, a interrogar a todos sobre a forma como usaram a sua vida. Porém, para os seus seguidores e amigos, vem numa atitude de amor, libertação e vida.

A exortação final é indicada com o imperativo: vigiai, acompanhado do convite a uma oração constante, tema típico do III Evangelho; a oração é a força que salva o crente do medo que os acontecimentos catastróficos podem suscitar e, em segundo lugar, permite que se possa estar  de pé diante do Filho do Homem, certos dum julgamento favorável, de salvação. A oração é, portanto, a atitude vencedora que deve ser usada todos os dias para enfrentar a vinda do Filho do Homem.

Pe. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

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