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II Domingo do Advento – Ano C

Breve comentário

No tempo do Advento, a liturgia propõe à nossa atenção as figuras de João, o Precursor, e de Maria, a Mãe de Jesus, para orientar a nossa espera e o nosso empenhamento. No 2º e 3º Domingo é João a guiar-nos, com dois textos tirados do capítulo 3 do evangelho de Lucas. Este evangelista estabelece um paralelo muito estreito entre Jesus e João, construindo nos primeiros dois capítulos do seu livro dois dípticos em que apresenta alternadamente Jesus e João Baptista, na sua infância.

O paralelo continua ainda na narração da vida pública com uma atenção precisa: quando a cena é ocupada por Jesus, João desaparece. Lucas quer sublinhar deste modo que com Jesus começa um tempo novo, o tempo da salvação, que João tinha a missão de introduzir.

Lucas é, por excelência, o evangelista da História da Salvação, isto é, a História das intervenções salvíficas de Deus na história dos homens. Ao escrever para cristãos de língua e mentalidade grega, convertidos do paganismo e, portanto, habituados à mitologia e a histórias fantásticas fora deste mundo, Lucas quer marcar bem a diferença entre essas histórias dos deuses pagãos e a «História de Salvação» que vai apresentar.

A intervenção de Deus a favor dos homens acontece dentro da própria história humana, num tempo e num lugar bem determinados. Começa por indicar sete personagens do mundo profano e do mundo religioso. Para chegar ao número 7, que significa totalidade ou plenitude, ele refere Anás, sogro de Caifás, que já não era sumo-sacerdote, embora tivesse importância na vida religiosa. Lucas quer, deste modo, indicar que o que vai narrar tem a ver com toda a vida humana e com todos os povos.

«A palavra de Deus foi dirigida a João». É assim que a maior parte dos livros proféticos do Antigo Testamento começa, situando-se no período de cada reinado. Naquele tempo determinado e num lugar concreto, o deserto, João é apresentado como Profeta ou, como dirá Jesus, mais do que profeta.

A sua missão é preparar o caminho àquele que vem. Este caminho passa por uma atitude interior de conversão, com o sinal exterior do mergulhar na água do rio Jordão, significando a sua vontade de receber o perdão dos pecados que virá quando surgir o Messias.

A pregação de João baseia-se no texto do profeta Isaías (40,3-5), de que Mateus e Marcos só referem o princípio. Lucas cita todo o texto. O profeta anunciava o regresso à pátria dos exilados na Babilónia como um novo êxodo e convida o povo a preparar o caminho do retorno. Precedidos por Yahweh, o povo de Israel atravessará o deserto num caminho recto, sem altos e baixos. Para caracterizar o precursor, a citação é adaptada. Enquanto no livro de Isaías o deserto é o lugar no qual o caminho é preparado, nos evangelhos o deserto é o lugar onde fala João, a voz que prega a conversão com vista à vinda do Messias.

Este regresso foi espiritualizado, tornando-se num convite a uma mudança radical, isto é, a eliminar os obstáculos à Salvação de Deus: a arrogância, as desigualdades e os seus caminhos tortuosos, ou seja, a eliminar tudo o que opõe a Deus, tudo o que é pecado. Só assim se obterá a Salvação de Deus.

Ao longo do seu evangelho, Lucas vai identificar Salvação com perdão dos pecados. E esta salvação tem um rosto concreto: Jesus Cristo que, na altura do nascimento, foi apresentado como Salvador e foi chamado Salvação de Deus pelo velho Simeão.

Todos aqueles que reconhecerem o seu pecado e quiserem endireitar a sua vida receberão o perdão, isto é, a Salvação de Deus. É este o sentido da última frase, no seu tom de universalismo: «E toda a carne verá a salvação de Deus». Esta salvação de Deus é oferecida a todos, de qualquer raça ou nação.

Pe. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

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