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VII Domingo do Tempo Comum – Ano C

Breve comentário

Lucas apresenta o ensino de Jesus como uma revelação de forma progressiva. Várias vezes, desde o início do seu evangelho, Lucas informa os seus que Jesus ensinava a multidão, mas nada refere acerca do conteúdo do ensino (Lc 4,15.31.32.44; 5,1.3.15.17; 6,6). Mas agora, depois de ter dito que Jesus viu a multidão desejosa de escutar a palavra de Deus, traça o primeiro grande discurso que começa com as exclamações: «Felizes vós, os pobres…» (Lc 6,20); «Mas ai de vós os ricos!» (Lc 6,24).

Jesus fala para todos, isto é, «a vós, que quereis escutar», aos discípulos, àquela multidão de pobres e sofredores que veio de todos os lados (Lc 6,17-19).

As palavras que Jesus dirige a esta multidão são exigentes e difíceis: «Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam…». Estes conselhos de Jesus superam as exigências que, naquela época, as pessoas aprendiam desde a infância com os escribas e fariseus nas reuniões semanais nas sinagogas: «Amar o próximo e odiar o inimigo» (Mt 5,43).

No discurso são apresentados exemplos concretos de praticar o novo ensino de Jesus. Ele quer que se ofereça a outra face a quem bater numa e que não se reclame aquilo que é tirado por alguém.   Come entender estas palavras? Entendidas literalmente, parecem favorecer aquelas que nos insultam, roubam e abusam. Mas nem sequer Jesus as observou literalmente. Quando o soldado lhe bateu no rosto, Jesus não ofereceu a outra face, mas reagiu com firmeza: «Se falei mal, diz-me em quê, mas se falei bem, porque me bates?» (Jo 18,22-23). Esta prática de Jesus proíbe-nos de tomar à letra estas palavras. Além disso, o que se segue no discurso ajuda a compreender o que Jesus quer ensinar (Lc 6,31).

Jesus pronuncia esta frase revolucionária: «O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lho vós também». No seu ensino, Jesus soube verbalizar o desejo mais profundo e mais universal do coração humano, o desejo de fraternidade, nascida da vontade de querer bem aos outros em total gratuidade, sem querer tirar daí benefícios, méritos ou recompensas. É nesta fraternidade sincera, bem vivda, que se revela o rosto de Deus.

Quem quer seguir Jesus deve superar a moral dos pagãos. Que pensar daqueles que amam somente aqueles que os amam …? Ou seja, em todas as sociedades as pessoas da mesma família procuram ajudar-se mutuamente. Mas esta prática universal não basta para as pessoas que querem ser seguidores de Jesus. É preciso dar um passo em frente. A resposta é dada a seguir.

A raiz da nova moral consiste em imitar a misericórdia de Deus Pai. A novidade que Jesus quer construir vem da nova experiência de Deus, Pai de amor. O amor de Deus por nós é totalmente gratuito. Não depende do que nós fizermos. Portanto, o verdadeiro amor quer o bem do outro, independentemente do que ele ou ela fazem por mim. Assim, imitamos a misericórdia de Deus Pai e seremos «filhos do Altíssimo, que é bom para com os ingratos e os maus». Seremos «misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso». Estas últimas palavras de Jesus evocam a experiência da misericórdia de Deus que Moisés teve no Monte Sinai: «O Senhor, o Senhor! Deus misericordiosos e piedoso, lento para a ira e rico de graça e fidelidade» (Ex 34,6).

Exemplos concretos de como imitar Deus Pai: não julgar, não condenar, perdoar, dar sem medida!  Isto tornam explícitos e concretos os ensinamentos de Jesus para todos aqueles que o escutavam. É a misericórdia que se manifesta nas parábolas do Bom Samaritano, do Filho pródigo e que se revela na vida de Jesus: «Quem me vê, vê o Pai».

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

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