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VIII Domingo do Tempo Comum – Ano C

Breve comentário

Continuamos a escutar o sermão da Planície, equivalente ao sermão da Montanha que lemos em Mateus. Vê-se que Lucas está preocupado e alerta os leitores para existência de falsos mestres a que ele chama guias cegos a querer guiar cegos. Já S. Paulo se queixava da intromissão nas comunidades de falsos operários, apóstolos enganadores que deturpavam o evangelho de Jesus Cristo.

Esses guias cegos consideravam-se detentores da verdade e, por isso, superiores aos outros, não sendo capazes de ver em si mesmos aquilo que censuravam nos outros. Por isso, são chamados hipócritas, palavra que, numa primeira abordagem, poderá designar a pessoa «falsa», «dissimulada», mas que na raiz aramaica tem o sentido de «perverso», «ímpio». Quem não é capaz de se colocar numa atitude permanente de conversão não tem autoridade para apontar seja o que for ao irmão.

Jesus quer que se faça a correcção fraterna, mas dá uma regra que se deve ter sempre presente. Quem é chamado a fazer a correcção dos irmãos deve ser irrepreensível em tudo. O seu exemplo deve ser perfeito na doutrina, na moral, nas palavras, nas acções, diante de Deus e dos homens. Deve fazê-lo sempre pela verdade, pelas virtudes, pela santidade, pela observância da Palavra. Pela obediência aos mandamentos, por uma vida evangelicamente correcta deve ter os olhos os amor do Pai, o coração de Cristo e da sua caridade crucificada, a sabedoria do Espírito Santo. Se for feita à luz do Evangelho, a correcção produzirá sempre bons frutos.

Com o seu estilo de ensino, comparando com os outros, Jesus proclama-se mestre e não professor. De facto, o professor não vive com os alunos, ao passo que o mestre vive com os alunos e partilha, não lições, mas testemunhos de vida. É ele a matéria, o modelo a imitar.

Com a parábola da árvore que dá bons frutos, Jesus faz-nos saber que crer verdadeiramente nele significa praticar o bem aos outros e não o egoísmo. Porém, a pessoa que não se empenha em imitá-lo terá dificuldade em fazer o bem porque o seu coração é estéril. Não podemos perder a esperança: se os nossos frutos não são grande coisa, podemos mudar, crescer. De certeza que a graça não nos faltará porque Deus é o grande interessado na qualidade da nossa colheita.

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

 

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