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SER BOM DISCÍPULO DE JESUS

Georgino Rocha

Jesus, o mestre da lucidez, continua a instrução dos discípulos na planície da Montanha das Bem-Aventuranças. Prossegue os ensinamentos e as propostas de felicidade, citando exemplos da vida concreta, pois é na realidade do quotidiano que se encontram as sementes do ideal a que todos estamos chamados. Recorre a três breves parábolas bem conhecidas dos ouvintes a que dá um sentido novo: A do cego que guia outro cego; a da trave e do argueiro da vista; e a da árvore e seus frutos. E conclui, centrando o alcance das parábolas no homem bom, “que do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, da sua maldade tira o mal”, e lembrando que “a boca fala do que transborda do coração”.

O sentido novo faz-nos ver a “cegueira” de quem se reduz ao limite do imediato e do egoísmo; da educação para as aparências e o êxito fácil. A trave e o argueiro indicam medidas que distorcem totalmente a realidade e pretendem definir regras de vida. A árvore, tantas vezes usada nos textos bíblicos, comporta um símbolo de sabedoria, de que se destaca o processo de elaboração do bom fruto.

“Vivemos tempos de incerteza e confusão, afirma a Homilética 2019/1, pag. 79, e em vez de pararmos para ver ou escutar a alguém que nos possa orientar, vamos todos sem saber aonde, nem para onde; sem sabermos onde estão os precipícios. Somos cegos guiados por outros cegos. Aonde vai a sociedade? A economia, a política, a educação, a ecologia…? Aonde vai esta Europa cada vez com mais envelhecidos, sem crianças a nascerem e a negar a entrada a outros povos que nos procuram?” Não faltam sintomas de mal-estar generalizado que reclama outra visão da realidade e mais audácia nas propostas de transformação. A começar pela família e avançando por todos os espaços de convivência e organização social e religiosa.

As novas tecnologias, a par dos enormes benefícios, quantos problemas levantam! Basta lembrar a autodependência “obsessiva” e hipersensível e a comunicação simplificada que despersonaliza.”As redes sociais favorecem uma comunicação rápida e múltipla com pessoas que estão longe, mas prejudicam a comunicação face-a-face, as conversas serenas que entram nos temas sem pressas. Somos cegos que se deixam guiar por outros cegos”. E o articulista conclui: “Hoje há necessidade que os instrumentos técnicos se submetam à sabedoria da experiência”.

As sentenças de Jesus pretendem “moldar” o coração dos discípulos chamados a serem mestres da Boa Nova que Jesus lhes confia, a serem guias lúcidos dos que vierem a decidir-se por Ele. Daí, a importância do olhar, não apenas físico, mas ético e espiritual. Daí, a importância de cultivar a pureza no ver e a transparência no agir e irradiar, começando sempre por si mesmo. De contrário, são considerados “hipócritas”, isto é portadores de uma «cegueira inconsciente sobre si mesmo», sem ver e realidade tal qual é, sem dar conta do que acontece à sua volta. Este tipo de cegueira aliena e confunde, desfigura e bloqueia. Irreal!

Sendo assim, o Evangelho que fala sempre da vida, da sociedade, do ambiente em que nos desenvolvemos, fica reduzido a uma abstracção, a uma teoria religiosa, a uma doutrina “sem mordente”, como o café sem “cafeína”, a uma árvore com grande folhagem, mas sem fruto apetecível e saboroso.

O caminho de sabedoria que Jesus percorre com os discípulos tem a sua principal fonte no coração que transborda pela fala da boca, sobretudo. Boa referência para uma visita às nossas conversas, espelho da vida íntima do nosso coração. Oportuno convite a conhecer-nos a nós mesmos para melhor vivermos uns com os outros; convite a uma serena lucidez sobre defeitos e qualidades; convite a aceitar os outros como eles são e a modificar-nos a nós mesmos antes de tentarmos corrigir os outros. (cf Vers dimanche 3 de Março de 2019). Sempre, mas sobretudo nos dias de carnaval e no tempo da quaresma.

 

 

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