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Domingo de Páscoa -Ano C

Anthony van Dyck
The Resurrection, 1631-1632 circa
olio su tela, cm 112 x 95

Breve comentário

«Não está aqui. Ressuscitou!? É este o anúncio da ressurreição de Cristo contido no evangelho de Lucas que a liturgia proclama na Vigília Pascal.

O velho salmista cantava: «A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular. Eis a obra do Senhor, uma maravilha aos nossos olhos». Sabemos que não há uma testemunha ocular desta «maravilha». Os Evangelhos não falam da ressurreição mas do Ressuscitado: «…entrando no sepulcro, não encontraram o corpo do Senhor Jesus».

As mulheres, como tantos outros, tinham sido espectadores da morte do Mestre, como também da sua sepultura. Ainda estavam bem vivos nos seus corações a dor e o desânimo por tudo o que tinha acontecido. Agora, perante a pesada pedra rolada e o sepulcro vazio, a sua reacção é de admiração misturada com medo.

Lucas faz uma descrição atenta e precisa desta piedosa visita ao sepulcro de Cristo; Maria de Magdala, Joana e Maria de Tiago estavam perplexas, com o rosto inclinado para terra para analisar cada canto do sepulcro porque a sua esperança era a de poder honrar, segundo costume, o corpo sem vida  de Jesus com os unguentos preciosos que tinha trazido, mas o corpo de Jesus não estava ali.

Ao espanto pelo sepulcro aberto vazio acrescenta-se o medo pela aparição de dois homens, de vestes luminosas, ali a seu lado. Duas figuras vestidas de luz, dois anjos, mas as mulheres só o perceberam quando eles as interpelaram com as palavras: «Porque procurais o Vivente entre os mortos? Não está aqui; ressuscitou! Recordai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia, dizendo que o Filho do Homem devia ser entregue às mãos dos pecadores, ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia». Era o anúncio da ressurreição.

Agora a perplexidade e o medo transformam-se na urgência de levar a notícia aos Onze, fechados no Cenáculo, cheios de desilusão e de angústia pela eminência de também eles serem presos e mortos. O seu medo devia ser tão grande que acharam um delírio aquilo que as mulheres contaram.

Várias vezes tinham escutado de Jesus o anúncio do que iria acontecer, mas a ideia da ressurreição era para eles uma coisa remota. Pedro, João e Tiago tinham tido a experiência da transfiguração no Tabor e ouviram as palavras provenientes da nuvem misteriosa que indicavam Jesus como Filho de Deus. Porém, a visão da morte e o medo de terem sido discípulos de Jesus fez esquecer tudo.

Todavia, Pedro correu ao sepulcro e também ele constatou que estava vazio. Também ele viu apenas as ligaduras, os sinais daquilo que tinha guardado um morto, mas aquele que ali tinha estado já não estava.  Agora também Pedro é apanhado pela admiração, mas começa a surgir alguma luz na sua mente. O que as mulheres contaram começa a adquirir uma dimensão de verdade. É a luz da fé, a única que nos faz encontrar Cristo ressuscitado; uma luz que, na narração de Lucas é simbolizada por aqueles dois homens, os dois anjos de vestes fulgurantes, uma manifestação sinal da irrupção de Deus na história.

«Recordai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia, dizendo que o Filho do Homem devia ser entregue às mãos dos pecadores, ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia».

            «Recordai-vos!». Jesus, durante a última Ceia, na consagração do pão e do vinho, corpo e sangue oferecidos para a redenção de todos os homens, tinha dito: «Fazei isto em memória de mim», uma memória que não é evocação do passado, mas presença actual do Mistério, da Presença que anima e torna viva a fé.

«Recordai-vos!». Toda a palavra de Deus deve pôr raízes na nossa mente e no nosso coração, numa memória viva e vigilante. Daquele túmulo vazio, sinal de ressurreição de Cristo, devemos aprender que a morte e a dor não têm a última palavra na história do homem. Cristo ressuscitado traz em si a nova humanidade e é o último sim de Deus ao homem novo.

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

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