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IV Domingo da Páscoa – Ano C

Breve comentário

O IV Domingo da Páscoa está centrado na pessoa de Jesus Bom Pastor, coincidindo com o Dia Mundial de oração pelas Vocações. O pequeno texto do ano C é tirado do cap. 10 do evangelho de S. João. O contexto imediato é o da Festa da Dedicação que recorda a re-consagração de templo de Jerusalém, no ano 164 a.C. depois da sua profanação ordenada pelo rei Antíoco IV Epífanes. Esta festa celebrava-se no final de Dezembro (ver 1Mc 4,59). Tinha a duração de oito dias e nela lia-se o capítulo 4 do livro do profeta Ezequiel, texto contra os maus pastores de Israel, repetindo-se o rito do acender as lamparinas do Templo para significar que a liberdade tinha brilhado de modo inesperado, tal como aconteceu com José no Egipto (assim nos conta o escritor judeu Flávio Josefo).

Os quatro versículos do texto evangélico estão na sequência da resposta que Jesus dá ao pedido feito pelos judeus para que dissesse abertamente se era o Messias (10,24) e na linha do discurso do Bom Pastor. Jesus apela para as obras que realiza em nome do Pai, as quais manifestam claramente a sua identidade, para rematar: «… vós não credes porque não sois das minhas ovelhas» (10,26). As obras que realiza e a sua afirmação de ser o Bom Pastor foram já uma resposta implícita ao identificar-se com o Pastor esperado, o Messias davídico segundo o profeta Ezequiel. Os ouvintes a quem Jesus dirige a parábola eram um povo de pastores. É evidente que a parábola é entendida do ponto de vista do homem que partilha quase tudo com o seu rebanho.

Jesus passa a descrever o que significa ser dos seus: escutam a sua voz, isto é, aderem a Ele, não de forma teórica, mas por comportamento de vida (seguem-me), na acção e no empenhamento. «Eu conheço-as»: não se trata dum conhecimento intelectual; em sentido bíblico, «conhecer alguém» significa sobretudo ter uma relação pessoal com ele, viver de algum modo em comunhão com ele. Um conhecimento que não exclui os aspectos da simpatia, amor.

Quem confia em Jesus, escutando e seguindo aquele que tem palavras de vida eterna, goza dos bens messiânicos e dará frutos de vida duradoura. O dom de Jesus aos seus é a vida definitiva, o novo nascimento pelo Espírito que realiza a obra criadora e lhes dá a capacidade de se tornarem filhos de Deus, ao mesmo tempo que exprime segurança: quem o segue será guardado por ele; nenhum ladrão o poderá roubar e nenhuma prova ou perseguição o vencerá porque Jesus, consciente da sua missão, o guarda e o preserva dos perigos na segurança e na paz. Daí que «ninguém as arrebatará da minha mão».

Só quem pertence ao rebanho de Cristo reconhece na sua palavra a qualidade de Messias e de bom Pastor que age em nome do Pai, em unidade de acção de amor. O Pai está presente e manifesta-se em Jesus e, através dele, realiza a obra criadora. A unidade do Filho com o Pai é de amor e obediência. O dom do Pai ao Filho é duplo: o rebanho (que agora são de Jesus: «as minhas ovelhas») e o poder de as salvar, de dar a vida por elas. Esta unidade está presente na afirmação: «Eu e o Pai somos Um». Estamos no cume da revelação de Jesus como Filho de Deus.

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

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