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SEREIS MINHAS TESTEMUNHAS

Festa da Ascensão do Senhor

SEREIS MINHAS TESTEMUNHAS

Georgino Rocha

Ao longo do tempo pascal, a Igreja apresenta-nos o Ressuscitado em várias aparições que credibilizam o que aconteceu a Jesus cruxificado e fazem memória dos seus ensinamentos. Mostra-nos também a reacção dos discípulos que vão refazendo as suas convicções e atitudes. Faz a ponte, como em Lucas, com a Igreja nascente, salientando a função singular do Espírito Santo.

S. Leão Magno, papa do século V, procura o sentido destas semanas e afirma: “Irmãos caríssimos, durante todo este tempo, decorrido entre a ressurreição do Senhor e a sua ascensão, a providência de Deus esforçou-se por ensinar e insinuar, não só nos olhos mas também nos corações dos seus, que a ressurreição do Senhor Jesus era tão real como o seu nascimento, paixão e morte”.

Lucas, o autor dos relatos lidos na liturgia de hoje, localiza a Ascensão em Betânia, nos arredores de Jerusalém, após a aparição aos discípulos e a sua identificação, mostrando os sinais da sua paixão e comendo um pedaço de peixe grelhado. (Lc 24, 46-53). Narra a pedagogia de Jesus que acompanha, recorda, caminha, dialoga, exorta, dá a bênção e faz a promessa de, juntamente com Deus Pai, enviar o Espírito Santo. “Vós sois testemunhas disso”, atesta com toda a clareza. A bênção constitui o legado de toda a sua vida; a promessa garante o Espírito Santo, o Mestre que, de agora em diante, recorda o que aconteceu e descobre o seu sentido profundo, ilumina os caminhos da missão, “unge” e robustece as forças organizativas da instituição eclesial.

“A promessa e a bênção da ascensão comprometem a Igreja na história a testemunhar a presença do Ressuscitado e a esperar a sua vinda gloriosa. Testemunho e espera são os reflexos eclesiais e espirituais do acontecimento da ascensão como promessa e bênção”. (Manicardi). O compromisso envolve todos os membros da Igreja e suas comunidades, que dão rosto humano a Jesus na fase nova da sua “vida oculta”: no pobre e excluído, na família e suas associações, nas assembleias dominicais e suas celebrações, sobretudo eucarísticas, nas fases da vida humana mais débeis e sofridas, nos feitos gloriosos da humanidade em festa, na hora da morte, enquanto “porta aberta” para o grande encontro, a dimensão nova em que Jesus se encontra.

A Festa da Ascensão convida-nos a cuidar do olhar para ler o “oculto” e dar-lhe nome, a escutar a voz secreta da consciência e decifrar as suas mensagens, a estar atento “conectado” ao que acontece e reagir positivamente, vencendo a acomodação do ambiente que nos envolve e adormece.

E Jesus condensa a sua mensagem: Sereis minhas testemunhas até aos confins da terra. Fazei discípulos de todos os povos. Eu estou convosco todos os dias até ao fim do mundo. Servi-vos dos meios adequados à cultura dos povos. Percorrei os espaços da comunicação. Sede simples como pombas e prudentes como serpentes.

E, impelida pela força do Espírito Santo, começa a missão da Igreja; missão que tem revestido muitas formas de realização. No nosso tempo, as formas de relação e os meios de comunicação têm sido muito diversos. Hoje ocorre a celebração o Dia Mundial das Comunicações Sociais como fenómeno envolvente de toda a humanidade. O Papa Francisco e muitos bispos em sintonia com ele publicam mensagens que alertam para a necessidade de colocar as comunidades de redes sociais ao serviço da comunidade humana.

O último parágrafo intitula-se: «Do “like” ao “amen”. Ou seja do gosto à convicção, da atração à adesão livre e confiante. Pode ser um caminho de iniciação à fé cristã. Ficamos com algumas das suas afirmações que têm como referência a rede social e o corpo humano:

A imagem do corpo e dos membros recorda-nos que o uso das redes sociais é complementar do encontro em carne e osso, vivido através do corpo, do coração, dos olhos, da contemplação, da respiração do outro. Se a rede for usada como prolongamento ou expetativa de tal encontro, então não se atraiçoa a si mesma e permanece um recurso para a comunhão. Se uma família utiliza a rede para estar mais conectada, para depois se encontrar à mesa e olhar-se olhos nos olhos, então é um recurso. Se uma comunidade eclesial coordena a sua atividade através da rede, para depois celebrar juntos a Eucaristia, então é um recurso. Se a rede é uma oportunidade para me aproximar de casos e experiências de bondade ou de sofrimento distantes fisicamente de mim, para rezar juntos e, juntos, buscar o bem na descoberta daquilo que nos une, então é um recurso.

Assim, podemos passar do diagnóstico à terapia: abrir o caminho ao diálogo, ao encontro, ao sorriso, ao carinho… Esta é a rede que queremos: uma rede feita, não para capturar, mas para libertar, para preservar uma comunhão de pessoas livres. A própria Igreja é uma rede tecida pela Comunhão Eucarística, onde a união não se baseia nos gostos [«like»], mas na verdade, no «amen» com que cada um adere ao Corpo de Cristo, acolhendo os outros.

Festa da Ascensão: O Senhor Jesus amplia os espaços de comunicação da sua presença de Ressuscitado no mundo. Festa da Ascensão: a Igreja recebe a missão, na forma de mandato, de ir por todo o mundo anunciar a alegre notícia do futuro que nos aguarda e o Espírito Santo vai construindo em nós e no mundo.

 

 

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