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Solenidade da Santíssima Trindade – Ano C

Breve comentário

Este texto do evangelho de João está situado na segunda parte do discurso de adeus de Jesus durante a última ceia, pouco antes da sua prisão. O discurso (Jo 16,4b-33) procura dar resposta a uma situação de prova vivida pela comunidade de João, devido à sua expulsão da comunidade hebraica. Os hebreus não tinham acolhido a pregação dos primeiros cristãos, o que provocava uma sensação de fracasso nestes. Embora não perdendo a fé na mensagem de Jesus e na ressurreição dos mortos, tinham ficado desiludidos com o seu fraco impacto no mundo de então. Como dar de novo confiança a esta comunidade?

O evangelista aponta para a nova situação de Jesus. Ele voltou para o Pai, está glorificado e enche os seus com o dom do Espírito, graças ao qual o encontro entre os discípulos e o Filho é um recíproco «ver». Jesus glorificado estará sempre próximo dos seus e a sua tristeza se mudará em alegria.

É do meio deste discurso que é retirado o texto de hoje que fala particularmente do Espírito da verdade. Escutando o Paráclito («consolador») os discípulos têm a certeza da vitória de Cristo e a força para dar testemunho.

«Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não podeis compreender (suportar) por agora». Jesus não diz que coisas tem ainda para dizer. Talvez se trate do sentido da morte e ressurreição,ou das provas que a comunidade cristã deverá atravessar. Talvez, melhor, se tratasse, da plena revelação de Jesus e da sua glória. De qualquer modo, Jesus não diz aos seus porque não podem suportar. Jesus deu a conhecer aos discípulos tudo o que ouviu do Pai mas, para que eles tenham uma inteligência mais profunda, deve intervir o Espírito.

O Espírito santo é o intérprete autorizado de Jesus, a era do Espírito é aquela em que o passado se ilumina através do presente. São três as acções do Espírito Santo:

conduzir: Ele conduzirá os discípulos para a verdade e verdade plena. Com a morte de Jesus encerra-se o seu discurso terreno, com o Espírito realiza-se uma compreensão totalizante dos elementos dispersos nas palavras e acções de Jesus. Com a iluminação do passado de Jesus, dá-se o revelar do presente, a revelação do Filho glorificado em Deus, que se comunica como tal aos seus.

falar: para conduzir à verdade, o Espírito deve falar, ou melhor exprimir o que ouviu do Filho. O Espírito escutará de Jesus como o próprio Jesus escutava do Pai.

anunciar: se o Espírito fala, diz o que escuta ao Filho para o comunicar. Anuncia, revela uma coisa desconhecida, repete-a novamente. O anúncio, novo para os destinatários, foi recebido por aquele que o transmite; este não é o autor. Portanto, o Espírito será a expressão do próprio Jesus.

Ao longo da história, Jesus, através do Espírito, continuará a ensinar e a esclarecer toda a profundidade da sua mensagem e então os discípulos entenderão toda a verdade sobre ele. Assim estará sempre em comunhão profunda com os seus.

Com esta acção reveladora, o Espírito da verdade glorificará Jesus, dando-o a conhecer aos homens, revelando-o na sua qualidade de Filho de Deus e suscitando nos seus corações a fé nesta pessoa divina; o Espírito recebe de Cristo a sua revelação e a sua salvação para as comunicar aos discípulos.

O que é próprio de Jesus («do que é meu») comunicado ao Espírito, tem a sua fonte em Deus, porque tudo o que Pai tem é também de Cristo. Entre Jesus e Deus (Pai) existe perfeita comunhão de vida e perfeita unidade de acção. Na realidade, o Pai é a origem não apenas da natureza divina do Filho, mas também da sua revelação. O Espírito da Verdade receberá de Cristo todos estes bens divinos e salvíficos, cuja fonte se encontra no Pai.

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

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