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ENVIADOS EM MISSÃO: QUE ALEGRIA

Georgino Rocha

Jesus prossegue o seu caminho para Jerusalém. Decidido e firme. Cria oportunidades e aproveita ocorrências para lançar os discípulos em experiências de missão. De forma ousada e confiante. Faz-lhes advertências e dá-lhes instruções sobre o modo de agir. Com clareza e determinação. Envia-os a anunciar a paz, sinal de que o reino de Deus está próximo. Sem demora e com leveza. Lc 10, 1-12. 17-20.

Acolhe-os, com solicitude, no regresso, escuta, com minuciosa atenção, a comunicação do que havia sucedido a cada um, rejubila com eles pelas maravilhas ocorridas e encaminha as razões do seu estado de espírito, dizendo: “ alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus”.

O caminhar de Jesus tem estes e outros horizontes. Trata-se de aproveitar a metáfora do percurso terreno, com sábia pedagogia, para clarificar opções e definir critérios, moldar sentimentos, amadurecer atitudes, alargar espaços de liberdade, marcar o ritmo e o rumo da missão a realizar em todos os tempos: Ir às aldeias – agregados do povo simples e solidário, visitar cada casa familiar – espaço da proximidade e do perdão que gera a paz, entrar nas cidades e aceitar a hospitalidade oferecida de quem aí mora – gestos de bom acolhimento, de abertura a novas formas de convivência e de partilha, de entrar em círculos mais estreitos de amizade, de dizer em público a relação nova que está a surgir.

O envio dos discípulos é dirigido a todos. O número 72 comporta este símbolo. Eram os povos conhecidos. Neles, está toda a humanidade. A missão é universal. Realiza-se na reciprocidade de dons: oferecer o que cada um tem de valioso e, simultaneamente, receber a oferta que expressa o ser do outro. Todas as culturas estão dotadas de bens apreciáveis, todas as religiões contém expressões e rituais de grande significado. Também as confissões católicas/Igreja encerram ricas mensagens de humanização da pessoa e das sociedades, criam laços de fraterna convivência entre os seus membros, configuram, de modo sacramental, a pessoa e obra de Jesus Cristo prosseguida pelo seu Espírito na Igreja. Entrar em comunhão com os valores humanos e valorizar a originalidade fiel do Evangelho, eis o desafio da missão católica.

O nosso Bispo, a 30 deste mês de Julho, preside à celebração do envio em missão de nove Jovens que vão para Angola e São Tomé e Príncipe durante algum tempo deste Verão. São jovens de algumas paróquias da nossa diocese que, após se terem preparado, partem em regime de voluntariado e são acolhidos por missionários que os acompanham na realização dos serviços que podem fazer. Cada um segundo as suas capacidades tendo em conta as necessidades locais. No regresso, juntam-se em assembleia festiva de boas-vindas e de acção de graças e partilham as maiores surpresas da experiência missionária. E dão graças ao Senhor. Cantando e exultando de alegria. É iniciativa que se faz com muito fruto evangelizador e com normalidade anual desde 1997. Têm participado padres, religiosas e leigos, sobretudo jovens. E muitos outros também o poderiam fazer.

Jesus previne os discípulos de que nem sempre o ambiente é favorável e, por vezes, será francamente hostil. A imagem pastoril expressa-o bem: cordeiros no meio de lobos. Se um lobo se mete num rebanho, quantos destroços lhe faz?! O realismo da alusão de Jesus é muito mais contundente. Um cordeiro no meio de uma alcateia!

O alcance desta prevenção está abundantemente documentada e, de modo especial, nos nossos dias. E o cordeiro, por excelência simbólica, é Jesus Cristo que continua, por meio dos seus discípulos/cristãos, a percorrer os caminhos do mundo, a ir ao encontro das pessoas, onde elas se encontram, a oferecer-lhes a novidade de Deus Amor, fonte de toda a alegria.

O Papa Francisco no sínodo sobre os Jovens ao reflectir sobre o «Jovem ser para os outros», afirma: “Quero agora deter-me na vocação entendida no sentido específico de chamada para o serviço missionário dos outros. O Senhor chama-nos a participar na sua obra criadora, prestando a nossa contribuição para o bem comum com base nas capacidades que recebemos. Esta vocação missionária tem a ver com o nosso serviço aos outros. Com efeito, a nossa vida na terra atinge a sua plenitude, quando se transforma em oferta. Lembro que «a missão no coração do povo não é uma parte da minha vida, ou um ornamento que posso pôr de lado; não é um apêndice ou um momento entre tantos outros da minha vida. É algo que não posso arrancar do meu ser, se não me quero destruir. Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo». Por conseguinte, devemos pensar que toda a pastoral é vocacional, toda a formação é vocacional e toda a espiritualidade é vocacional.

 

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