Pages Navigation Menu

XVI Domingo do Tempo Comum – Ano C

Breve comentário

No seu «caminho» para Jerusalém, Jesus entra numa aldeia, como antes tinha recomendado que os seus enviados fizessem (10,5), e é recebido por uma mulher, o que naquela altura era algo muito estranho. Lucas, ao apresentar este episódio, deve ter em mente o facto de os evangelizadores da Igreja primitiva por vezes serem acolhidos por mulheres (cf. Act 16,14-15). Mas ainda mais estranho é o comportamento de Jesus em anunciar a «Palavra» a uma mulher, algo proibido pela Lei. Maria, em atitude de discípula, está sentada aos pés do Senhor e escuta. Jesus não faz descriminações. Ele vê em cada ser humano, homem ou mulher, uma pessoa à qual Deus dirige o seu amor e as suas exigências. O evangelista apresenta Jesus como Senhor, título que a comunidade lhe dará após a ressurreição como Filho de Deus.

Parece que as mulheres distribuíram as tarefas: Marta assume o papel de dona de casa que prepara a refeição e Maria assume o dever de fazer companhia ao hóspede. Mas, no nosso texto, aquilo que parece normal assume o sentido de lição. Lucas descreve-a como sentada junto aos pés do Senhor, na postura característica do discípulo ao ser ensinado. Ou como foi educado Paulo aos pés de Gamaliel para aprender a observância exacta da Lei. Maria, portanto, como discípula, escutava a palavra.

As regras de cortesia impedem Marta de directamente chamar a atenção da irmã; dirige-se ao Mestre com uma linguagem que já não tem cortesia («não te preocupa…?»). Não é referida a finalidade do pedido de ajuda.

Jesus não condena Marta pelo trabalho («serviços», «servir») que ela está a fazer, até o elogia, mas sim o facto de estar atarefada, preocupada e agitada com muitas coisas. Não se trata dum banquete, não são precisas «muitas coisas». Como hóspede, a atitude de Marta estaria plenamente justificada.  Mas recebê-lo como mestre significa, antes de tudo, escutá-lo para aprender a realizar uma existência em plenitude da verdade. É tornar-se discípula e não simples hospedeira. E nesse ponto, Maria estava com a força da razão que proporciona a verdade. Escutar Jesus como Mestre é o primeiro e principal dever de todo aquele que quer se tornar seu discípulo. Esta é a melhor parte, o fundamento de toda a vida, de todo o serviço aos outros.

Não se trata de opor o «serviço» à escuta da Palavra, mas sim de prioridade, porque uma coisa sem a outra não faz qualquer sentido para aquele que quer seguir Jesus. É o que nos Actos dos Apóstolos vai ser bem vincado: «Não nos convém abandonar a Palavra de Deus para servir às mesas… Quanto a nós, permaneceremos assíduos à oração e ao ministério da Palavra» (Act 6,2.4).

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  • Facebook
  • Google+
  • Twitter
  • YouTube