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XXIII Domingo do Tempo Comum – Ano C

Breve comentário

Depois da paragem em casa de um dos principais fariseus, Jesus regressa ao seu caminho para Jerusalém, seguido de multidões. Porque Jesus nunca se entusiasma com as multidões, pede três condições muito duras àqueles que pretendem ser discípulos. Já tinha falado disso antes (9,23-27.57-62) e falará mais tarde (16,1-31; 18,24-30), o que significa que a questão é fundamental.

Historicamente, estas palavras foram dirigidas a pessoas escolhidas pelo próprio Jesus. Na Igreja de Lucas estas palavras continuaram a ter eficácia e foram escutadas como dirigidas a todos os crentes (as multidões). Utilizando o verbo ser (e não tornar-se) meu discípulo, e os verbos no tempo presente, o evangelista mostra que está a pensar não só na escolha inicial com que alguém se torna discípulo, mas no comportamento que deve caracterizar toda a existência do cristão.

1ª condição: «Se alguém vem a mim e não odeia seu pai, sua mãe, a esposa, os filhos, os irmãos, as irmãs e até a própria vida, não pode ser meu discípulo». O verbo odiar tem o sentido de «pôr em segundo plano», tal como o verbo amar significa «preferir». A escolha de Jesus pode criar contrastes, divisões, provocar desacordos no âmbito da própria família ou dos amigos. Para aprender de Cristo e com Cristo é necessário encontrar nele o núcleo de todo o amor e interesse. O amor de quem segue o Senhor não é um amor de posse, mas de liberdade. Ninguém se deve intimidar pelos vínculos mais sagrados ou queridos se estes forem um impedimento para chegar a Deus.

2ª condição: «Quem não toma a sua cruz e vem atrás de mim não pode ser meu discípulo». É a segunda vez que Jesus insiste em tomar a cruz (9,23). Não se trata das contrariedades ou dos sofrimentos da vida, mas da disponibilidade para testemunhar, mesmo com a vida, a própria fé. Seguir Jesus pode trazer discriminações, problemas com a sociedade, injúrias ou, em extremo, violência física, tal como aconteceu com Jesus. Esta é a cruz que deve tomar quem quer ser discípulo.

As duas parábolas tiradas da vida social e política ajudam o ouvinte/leitor a entender melhor as exigências da proposta evangélica. No ambiente social da época, a reputação era algo muito importante. Por isso, uma pessoa sensata fazia as suas contas antes de começar qualquer trabalho, calculando se podia terminá-lo. Uma obra incompleta expunha o responsável ao ridículo e à troça dos outros. A lição da segunda parábola é semelhante à primeira. Um rei, que quer fazer guerra, deve naturalmente preparar a vitória e evitar a situação desagradável duma derrota: mais vale enviar uma embaixada a pedir a paz.

3ª condição: «Qualquer de vós, que não renuncia a todos os seus haveres, não pode ser meu discípulo».

As duas parábolas já alertaram para a seriedade da vocação cristã que não pode ser aceite de ânimo leve. Por isso, a conclusão final aponta para um relacionamento completamente novo com os bens para aqueles que querem ser discípulos. O apego aos bens é impedimento para uma relação com Deus e com os outros.O livro dos Actos vai explicitar melhor: na comunidade cristã ninguém era pobre porque todos se inter-ajudavam, ninguém entendendo como exclusivo aquilo que possuía (Act 2,44-45; 4,32-35).

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

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