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XXV Domingo do Tempo Comum – Ano C

Breve comentário

A parábola contada por Jesus, se não for bem entendida, deixa-nos naturalmente um pouco perplexos, pois parece ser um elogio à desonestidade.

A Palestina do tempo de Jesus, principalmente na zona norte da Galileia, tinha grandes latifúndios pertencentes a estrangeiros que, ao longo dos muitos séculos de dependência de Israel, se foram assenhoreando dos terrenos. Também os oficiais romanos, quando se aposentavam, recebiam terrenos conquistados a outros povos como compensação dos seus serviços. Como não viviam ali ou não percebiam de agricultura, confiavam as suas terras a administradores.

O administrador geralmente era um escravo de confiança ou um liberto (antigo escravo), pois os romanos consideravam este ofício pouco digno para um cidadão do império. O dono da propriedade entregavaa este toda a administração, desde a produção à venda dos produtos. Não havia um pagamento fixo mas uma percentagem sobre o produto da venda.

Na parábola ou história que Jesus conta, a acusação não é de roubo, mas sim de má administração; o administrador foi negligente nas suas funções, de modo que o dono da propriedade estava a ser prejudicado, não tendo os ganhos que esperava ter.

O dono dum latifúndio toma conhecimento que o seu administrador não é de confiança, exigindo-lhe as contas antes de o despedir. A situação económica e social daquele homem vai mudar radicalmente. Que irá fazer? Não tem forças para cavar e, quanto a mendigar, é preferível a morte, como diz o livro do Eclesiástico (40,28). Só há uma saída habilidosa para quem percebe do ofício…

Por vezes, os devedores atrasam-se no pagamento ou foi-lhes adiantada a mercadoria. Também era tarefa do administrador fazer empréstimos, naturalmente aumentando nos recibos; na altura do reembolso, ele ficava com a diferença.

O administrador passa à acção: convoca os devedores um a um. O primeiro deve cem barris, isto é, cerca de 3600 litros (a produção de 140 oliveiras) e recebe um desconto de 50%. O segundo deve cem medidas de trigo, isto é, 55 toneladas (a produção de 42 hectares de terreno) e recebe um desconto de 20%. E são os próprios devedores a escrever o novo recibo.

Seria de esperar que o patrão ficasse indignado com esta acção do administrador, mas até elogiou a sua habilidade! De facto, ele não foi prejudicado, tendo em conta o sistema habitual. O administrador devia entregar uma certa quantia ao patrão. O que ia além disso era o seu lucro que, por vezes, podia atingir somas elevadas. O que o administrador fez foi simplesmente passar o seu lucro para os devedores, em nada prejudicando o seu patrão. Preferiu perder o dinheiro e, desta forma, ganhar amigos que o pudessem receber, ou como uma espécie de «ajudado» permanente (o termo técnico é «cliente») ou, melhor ainda, como administrador.

É esta lição que Jesus aproveita para as recomendações finais. O verdadeiro bem, oposto ao dinheiro que faltará na hora da morte, recorda o tesouro nos céus (Lc 12,33). Jesus faz um encorajamento a não esquecer o verdadeiro bem que espera o discípulo; para o obter, porém, deve ser fiel no uso dos bens materiais, não os usando apenas em proveito próprio, mas fazendo amigos com eles, ou seja, partilhando.

O final do ensinamento de Jesus apela uma vez mais para a escolha fundamental de hoje que se irá projectar num futuro: «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro


 

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