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XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano C

Breve comentário

Nas vésperas da sua prisão e morte, já em Jerusalém, Jesus vai uma vez mais ao Templo. O Templo de Jerusalém, símbolo maior da religião, era o orgulho de qualquer israelita. Há 46 anos que andava a sofrer grandes obras de ampliação e remodelação e já apresentava um aspecto grandioso e belo. A esplanada do Templo tinha sido aumentada, medindo 300 x 500 metros. Jesus, que está para cumprir a sua missão de entrega, pode neste momento anunciar a destruição do Templo, marcando assim o final do culto antigo para dar origem a um novo culto. De facto, o templo seria arrasado e as muralhas derrubadas, no ano 70. Daí a descrição pedra sobre pedra. A destruição foi completada com a destruição total nos tempos de Adriano que mandou construir no local um templo dedicado a Júpiter, após a rebelião de bar Kokhbah no ano 132 d.C..

Quando acontecerá, qual o sinal? Jesus não responde a estas questões que têm em vista um fim, preferindo chamar a atenção dos discípulos para a sua própria história de construção do Reino.

Em primeiro lugar (vv. 8-11) acautela os discípulos em relação aos falsos messias, sobretudo numa linha política, como nos refere o livro dos Actos no caso de Teudas (ano 47) que foi morto com cerca de 400 seguidores (Act 5,36); depois dele Judas, o Galileu, que arrastou o povo consigo, tendo morrido e o povo disperso (Act 5,37). Igualmente o movimento zelote e outros grupos rivais que levaram à destruição de Jerusalém. Não os sigais!

Jesus alerta para o facto de em todos os tempos haver confusões, guerras e cataclismos de toda a ordem. Efectivamente, do ano 41 até ao ano 70 houve muita confusão no império romano: assassinato de Calígula (ano 41); assassinato de Messalina (ano 48); invasão dos partos (ano 52); envenenamento de Cláudio por Agripina (ano 54); guerra com os partos (ano 58); assassinato de Agripina, sua mãe, por ordem de Nero (ano 59); paz com os partos (ano 63); conjura de Pisão contra Nero (ano 65); início da guerra judaica contra Roma (ano 66); Vespasiano ocupa a Gália (ano 67); suicídio de Nero e luta civil entre os generais Galba, que foi assassinado; Otão morto em batalha; Vitélio, morto em batalha por Vespasiano com o resultado deste último como imperador (ano 68-69). Nem guerras nem conspirações violentas são os sinais esperados antes da destruição de Jerusalém, ou se queremos interpolar o texto, antes da manifestação de Jesus. Portanto, não vos aterrorizeis!

Igualmente haverá fome como a que ocorreu em todo o império romano no ano 49-50, a começar pela Grécia. Em Jerusalém a fome foi agravada pela circunstância de o ano anterior ter sido sabático,ou seja, um ano de pousio das terras. Como exemplo de terramotos temos a narração de Actos 16,26 quando um deles libertou Paulo e Silas abrindo as portas do cárcere e arrancando as cadeias das paredes. A erupção do Vesúvio em 79 d.C. destacou-se como uma das mais devastadoras da história da humanidade. A catástrofe destruiu completamente as cidades romanas de Pompeia e Herculano.

Jesus lembra também as pestes, como aquela que matou muita gente em Roma, inclusive o imperador Marco Aurélio.

Para além disto, haverá sempre fenómenos celestes que, não sendo habituais, são naturais, como os eclipses do sol e da lua e as estrelas cadentes.

Porém, a grande preocupação de Jesus está centrada na história concreta dos discípulos que irão continuar a sua obra, prolongando ao mesmo tempo a sua paixão: serão perseguidos, entregues às sinagogas, arrastados diante de reis e governadores, «por causa do meu nome», precisamente o que o livro dos Actos nos vai apresentar. É a ocasião de dar «testemunho», pela palavra (martyrion – testemunho) e pela vida (martyr – testemunha). Por causa do nome de Jesus, muitas vezes serão odiados e nem nos mais próximos encontrarão acolhimento.

Toda esta experiência de ser odiado e rejeitado não deve fazer esmorecer nem desorientar o discípulo, certo da protecção divina, como recorda o provérbio: «nem um só cabelo da vossa cabeça se perderá» (cf. 1Sm 14,45, aplicado a Jónatas, filho de Saul) e da recompensa final que só acontecerá pela perseverança e constância, apesar das provações e dificuldades em ser discípulo de Jesus.

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro


 

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