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HOJE ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO

DOMINGO XXXIV: FESTA DE CRISTO REI

Georgino Rocha

Jesus responde, com esta certeza/promessa, à súplica do condenado à morte que está crucifixado à sua direita. A súplica brota do reconhecimento da inocência de Jesus, injustamente sentenciado. Não assim, ele e o seu parceiro de aventuras malfeitoras. “Lembra-te de mim quando vieres com a tua realeza”, pede confiante, após ter censurado o colega pelos insultos e imprecações que vociferava. Apesar de ambos quererem salvar-se, que contraste de atitudes e sentimentos, de perspectivas e desejos! Um queria voltar à fase anterior à condenação, outro abre-se confiadamente à nova situação que intui de Jesus e humildemente faz-lhe um pedido comovedor. Lc  23, 35-43.

“Lembra-te de mim” é prece que tem sentido profético e ecoará por todo o tempo, fruto dos corações silenciados pela violência torturante, pela fome e pelas doenças esgotantes. Escutar e dar resposta a estes dramas é respeitar a humanidade, viver a solidariedade, potenciar a fraternidade. E está ao alcance de todos, sobretudo de quem, autorizado pelo povo, detém o poder. Sejamos humanos, escutemos os gemidos dos nossos irmãos!

As pessoas que estavam a ver Jesus crucificado, reagem de várias maneiras: Umas observam, curiosas, para ver como tudo vai acabar; outras, cínicas, proferem palavras injuriosas e provocadoras; chefes e soldados fazem troça e oferecem o vinagre da amargura; malfeitores adoptam atitudes contrastantes: a injúria e o respeito, o menosprezo e a confiança. Um pequeno grupo chora o sucedido e alimemta alguma pequena esperança silenciosa. E hoje, como se olha para Jesus e sua cruz, para o Evangelho e sua mensagem de vida, para a Igreja e sua instituição? Oxalá o coração humano encontre a felicidade que tanto deseja e o caminho para a alcançar.

“Hoje estarás comigo” é garantia dada por Jesus, o agonizante que, em breve, irá morrer e ressuscitar. Estar com ele participando do seu reino, da sua felicidade repartida ao longo de toda a vida em missão e, agora, prestes a entrar numa dimensão qualitativamente diferente. Estar com ele deixando-se cair nos braços do Pai, como o filho pródigo que regressa a casa. Estar com ele, confiando como os leprosos, que mendigam a cura sanadora e como Madalena que chora os seus pecados. Estar com ele como a ovelha tresmalhada e encontrada entregando-se, sem reservas, para ser conduzido ao paraíso.

O reino de Jesus visualiza-se na novidade que estas situações indiciam: apreço pelo sentido da vida, abertura ao futuro de Deus que, por sua bondade, será também o nosso, relação filial com Deus e fraterna com todos os seres humanos, serviço generoso adequado à necessidade de cada pessoa, sobretudo dos mais vulneráveis, respeito por todas as criaturas e por toda a criação. Enfim, a harmonia do universo!

“O Reino de Deus, afirma Juán Monserrat, comentador da Homilética, é esse modo de conviver com tal grau de justiça, fraternidade e misericórdia que merece ter a Deus por rei. Ou seja uma sociedade humana de tal qualidade que não desdiz do seu Criador. E isto é, sem dúvida, o que aparece nos evangelhos como pregação constante de Jesus”.

O reino de Jesus é realizado, germinalmente e por antecipação, na sua vida terrena. A festa de Cristo Rei celebra esta feliz novidade: O amor que se faz serviço até à morte na cruz, a afirmação, clara, da verdade integral, a riqueza dos silêncios bem geridos, a paixão firme pelo bem-estar dos outros, a bondade e a misericórdia para com todos. Um Rei que desvenda horizontes humanizados a todos os que querem servir o povo organizado em sociedade, sociedade aberta ao futuro definitivo que já brilha, de modo exemplar, em Jesus Cristo e nos santos, seus amigos e nossos modelos.

Antoine de Saint Exupéry (1900-1944) refere que “Cada um que passa na nossa vida, passa sozinho… Porque cada pessoa é única para nós, e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa na nossa vida passa sozinho, mas não vai só… Leva um pouco de nós mesmos. E deixa-nos um pouco de si mesmo. Há os que levam muito e os que não deixam nada. Esta é a mais bela realidade da Vida… A prova tremenda de que cada um é importante. E que ninguém se aproxima por acaso…”.

Proteger a vida é o lema da Viagem Apostólica que o Papa Francisco está a fazer, de 20 a 26 de Novembro de 2019, à Tailândia e ao Japão. Em mensagens dirigidas a estes povos, afirma: “Os japoneses também sabem como é importante «a cultura do diálogo, da fraternidade», especialmente entre as diversas tradições religiosas, que «podem ajudar a superar as divisões, promover o respeito pela dignidade humana e avançar no desenvolvimento integral de todos os povos».Confio que minha visita os encorajará no caminho do respeito mútuo e do encontro que leva a uma paz segura e duradoura que não volta no tempo. A paz é tão bela que, quando é real, não retrocede: É defendida com dentes”.

E aos Tailandeses: “Espero que a minha visita contribua para colocar em relevo a importância do diálogo inter-religioso, da compreensão recíproca e da cooperação fraterna, especialmente ao serviço dos pobres, dos mais necessitados e ao serviço da paz. Neste momento precisamos trabalhar muito pela paz”.

Acompanhemos o Papa e envolvamo-nos na promoção dos valores do Reino, hoje celebrado na festa de Cristo Rei.

 

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