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I Domingo do Advento – Ano A

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Breve comentário

Com este domingo, 1º do Advento, começa um novo ano litúrgico, em que será o evangelho segundo S. Mateus a oferecer-nos a Palavra que guia o nosso caminho de fé. Uma das características deste evangelho são os cinco grandes discursos que recolhem ditos de Jesus à volta de temas fundamentais para a vida da Igreja. O texto de hoje é uma pequena parte do 5º discurso, que apresenta a vinda do Filho do Homem e a necessidade de estar atento e preparado para a sua vinda.

Jesus tinha anunciado a destruição da cidade de Jerusalém (23,38) e do Templo (24,2). Ao tempo dos leitores do evangelho de Mateus, que escreveu à volta do ano 80 d.C., tudo isto já se tinha tornado realidade. Efectivamente, dez anos antes, no ano 70 d.C., as legiões romanas comandadas pelo general Tito, que se tornaria depois imperador de Roma, tomaram a cidade e incendiaram e destruíram completamente o Templo. Estes factos são, para os cristãos de origem judaica da comunidade de Mateus, uma confirmação de todas as palavras de Jesus.

O texto deste Domingo insere-se no discurso que Jesus faz, respondendo à pergunta dos discípulos: «Quando vai ser isso, e qual o sinal da Tua Vinda e da consumação dos tempos?».

Jesus fala da vinda do «Filho do Homem», uma expressão que, embora lida ou ouvida muitas vezes, não é de compreensão imediata. No Antigo Testamento a expressão «filho do homem» tem habitualmente o significado e sentido apenas de ser humano, homem. No livro de Daniel, a expressão aramaica bar ’en?sh («filho do homem») aparece em 7,13 pela primeira vez para indicar «uma figura semelhante a um filho de homem» (uma figura humana) a quem é dado poder eterno, glória e um reino indestrutível e a quem todos os povos servirão. Não se trata dum título mas duma comparação para descrever um ser celeste com aspecto humano, que depois identifica com o povo dos «Santos do Altíssimo» aos quais foi conferido o reino e o império, apresentando-se assim com um significado colectivo.

A literatura apocalíptica judaica não bíblica retomou e reelaborou a figura humano-divina do livro de Daniel, apresentando-a com traços pessoais, ligando-a a outras imagens da tradição de Israel, tendo assim adquirido novas funções. Progressivamente, a figura do Messias foi sendo identificada com a figura do Filho do Homem, ser preexistente, celestial e dotado do Espírito, adquirindo assim um colorido que ultrapassa a simples descendência de David para restaurar o reino de Israel. É neste ambiente que Jesus (e também os evangelistas) se situa e vive.

Acerca da consumação dos tempos e da vinda do Filho do Homem, com quem Jesus se identifica, é indicada a certeza, mas não a data: «Daquele dia e daquela hora, ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, só o Pai» (24,36). Em vez de satisfazer a curiosidade dos discípulos, Jesus prefere chamar a atenção para a necessidade de estar vigilantes e preparados, usando três exemplos.

O primeiro exemplo, tirado da Bíblia, aponta duas categorias diferentes de pessoas: as despreocupadas que apenas pensam nas futilidades da vida e as atentas aos sinais do dilúvio que, por isso, se salvaram.

O segundo exemplo é um apelo a cada um viver a sua vida quotidiana, com as ocupações normais do dia-a-dia, mas deixando-se guiar pela luz de Deus e pela sabedoria do Evangelho. Quem assim faz é «tomado», isto é, entra na totalidade do Reino de Deus que o Filho do Homem virá oferecer na sua Vinda final. Os outros são «deixados», ficam de fora da nova realidade do Reino de Deus. Daí o apelo de Jesus: «Vigiai porque não sabeis o dia em que o vosso Senhor vem!».

O terceiro exemplo reforça este apelo, com a imagem do ladrão que vem a qualquer hora, quando menos se espera. Parecendo um exemplo mais de ameaça do que de salvação, é um convite a estar sempre preparados, na atitude de quem está à espera duma pessoa querida, cuja chegada é fonte de alegria e de paz.

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro


 

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