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ACOLHER COM AMOR O SENHOR QUE VEM

ADVENTO DOMINGO I   

ACOLHER COM AMOR O SENHOR QUE VEM

Georgino Rocha

Chega o Advento que nos vai levar à celebração do Natal de Jesus. Nos seus quatro domingos, faz-nos contemplar as promessas de Deus ao seu povo narradas pelo Evangelho de Mateus. Estas promessas estão centradas na vinda do Messias que é anunciado por profetas, sábios e reis e realizam-se em Jesus de Nazaré. O Ano litúrgico faz-nos celebrar a maravilha do acontecimento da salvação e aguardar a vinda gloriosa de Cristo Senhor com alegria e esperança.

Jesus, segundo a leitura de hoje, dirige uma exortação veemente aos discípulos e, por eles, a todos os cristãos, ao longo da história: Estai preparados. Vigiai. “Não sabeis em que dia virá o vosso Senhor”. Trata-se de uma vigilância activa para acolher Quem vai chegar, de estar desperto e preparado, de ver os sinais que indiciam a sua proximidade, de entender o que acontece e de não se deixar enganar pelas aparências. De contrário, a sonolência, o ram-ram das rotinas, a obsessão das preocupações e tantos outros estados de espírito provocam a inadvertência ou semeiam a confusão e o distanciamento. De contrário, os prazeres da vida, de que fala a 2ª leitura, a correria do trabalho e do lazer, a desatenção e a indiferença isolam e amortecem os sentidos face ao que está prestes a acontecer. Assim, as pessoas serão apanhadas pela surpresa que pode ser fatal. Mt 24, 37-44.

“O Senhor vem” constitui uma certeza de fé, uma promessa de esperança, uma garantia da caridade. Como podia ser de outra maneira, se Ele nos ama tão radicalmente? Como “sonhar” uma ausência permanente, uma separação definitiva, se Ele anuncia o feliz regresso, embora não marque local nem dia, e a sua palavra é eficaz? Como descobrir e apreciar os vestígios da sua presença num mundo caótico e necessitado de fazer dos escombros ruinosos uma construção digna da condição humana que prefigure o gérmen do Reino de Deus?

“Certeza, promessa e garantia” fazem parte do envolvimento de Jesus neste processo libertador. E apontam as exigências correspondentes dos discípulos: fé confiante, esperança activa, caridade solícita para com todos, sobretudo para com os mais aflitos e excluídos.

O Papa Francisco na sua recente visita apostólica ao Japão teve várias intervenções, de que extraímos algumas declarações significativas. “Vim como um peregrino da paz, para chorar em solidariedade com todos os que foram feridos e mortos naquele dia terrível na história desta terra. Rezo para que o Deus da vida converta os corações à paz, reconciliação e amor fraterno”. (Mensagem do Papa no Livro de Honra – Memorial da Paz de Hiroxima).

E noutra ocasião, afirma: “Quero unir-me convosco para dar graças ao Senhor por todos aqueles que, ao longo dos séculos, se dedicaram a semear o Evangelho e a servir o povo japonês com grande unção e amor; tal dedicação conferiu uma fisionomia muito particular à Igreja japonesa”.

Após uma vaga de perseguições nos séculos XVI e XVII, o Cristianismo foi oficialmente banido do Japão; os que se mantiveram cristãos tiveram de praticar a sua fé em segredo durante mais de dois séculos.

Antes tinha convidado os bispos, dizendo: “Pensemos também nos ‘cristãos escondidos’ da região de Nagasáqui, que mantiveram a fé durante várias gerações graças ao batismo, à oração e à catequese. Autênticas Igrejas domésticas que resplandeciam nesta terra, talvez sem o saberem, como espelhos da Família de Nazaré”.

A vigilância recomendada pelo Evangelho faz-nos estar atentos à vida e suas circunstâncias. A certeza do amanhã reforça as exigências do presente; não as dilui nem adia. A esperança de novos tempos faz-nos lançar, desde já, as suas sementes. O amor ao Senhor Jesus impele-nos para o serviço gratuito dos nossos irmãos em humanidade e na fé. E será a realização do Advento do Senhor que vem!


 

 

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