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Festa da Apresentação do Senhor

Breve comentário

Neste domingo, 2 de Fevereiro, a Igreja celebra a Festa da Apresentação do Senhor, meditando um texto do evangelho segundo Lucas. José e Maria são apresentados como dois israelitas observantes da Lei do Senhor, que depois do rito da circuncisão e da imposição do nome, no cumprimento normal da Lei, levam o menino ao templo quarenta dias depois do seu nascimento, a fim de ser resgatado como qualquer primogénito. Ora, esta prática não estava difundida entre os judeus ao tempo de Jesus, e não era necessário levar o menino ao Templo. Esta apresentação no Templo assume um significado teológico: o Senhor entra no seu Templo, purifica-o com a sua presença.

Jesus veio trazer uma novidade, mas não completamente separada e distante dos costumes e expectativas do seu povo.

Segundo a lei de Moisés (Lv 12,1-8) a mulher que deu à luz um filho era considerada impura durante 7 dias e ainda devia permanecer em casa durante outros 33 dias (no caso de ter uma menina o período era alargado até aos 80 dias). No fim deste período, a mulher devia apresentar-se no tempo e oferecer um cordeiro em holocausto uma rola ou uma pombinha em sacrifício de expiação. Se não tinha condições para oferecer um cordeiro, bastavam duas rolas ou duas pombinhas.

A purificação dizia respeito apenas à mãe, mas Lucas fala da «purificação deles», incluindo também José. Qual o motivo? Talvez Lucas seguisse uma convicção de tipo grego, segundo a qual a impureza incluía a mãe, o filho e também todos aqueles que tinham assistido ao parto. Mais provável é que Lucas, não conhecesse bem os costumes hebraicos e se limitasse a recordá-los de modo genérico. De facto, o acento está posto na apresentação do menino ao Senhor.

O primogénito de qualquer família humana (e também dos animais) era consagrado ao Senhor (Ex 13,11ss). Num segundo momento a Lei prevê o seu resgate, através do pagamento de cinco siclos de prata (o salário de 20 dias; Nm 8,14-16). Mas, no tempo de Jesus, já não se fazia a apresentação do primogénito e, por isso, na sua narração Lucas não fala de resgate do primogénito.

            Além disso, para realizar este resgate não era necessário levar o menino ao Templo: o pai podia pagar a importância requerida a um sacerdote da aldeia. Lucas cita Ex 13,12, adaptando-o ao anúncio que o anjo Gabriel tinha feito a Maria: «o menino será chamado santo». Portanto, Jesus pertence a Deus desde o seu nascimento e não somente no momento da sua apresentação.

A purificação seria, portanto, apenas o pretexto para levar Jesus ao Templo. Enquanto descreve esta cena, Lucas está a pensar que Jesus, filho primogénito de Maria, é primogénito de Deus e, por isso sublinha que ele é apresentado ao Pai. O sentido mais profundo só se compreende à luz do Calvário, onde Jesus é a vítima sacrificada que se «entrega» ao Pai.

Entra em cena Simeão, homem justo e piedoso, obediente à vontade de Deus, fiel ao culto no templo, confiante nas promessas de Yahweh. Também ele é um pobre de Yahweh que espera «a consolação de Israel». Não é sacerdote e aproxima-se mais da categoria dos profetas que falam e agem pela força do Espírito Santo, várias vezes referido no texto. Assim, Lucas sugere que a Lei e os profetas são as referências indispensáveis para acolher Jesus e proclamar a sua messianidade.

A promessa feita pelo Espírito Santo é que Simeão não veria a morte sem ver o Ungido do Senhor. Os pais que vieram ao templo trouxeram o menino Jesus; Simeão tomou-o nos seus braços. E é por este menino de nome Jesus que ele louva o Senhor. A Salvação de Deus que Simeão é uma pessoa, é Jesus. Aquele que foi anunciado como Salvador é a própria Salvação incarnada.

A salvação prometida a Simeão não é reservada apenas ao seu povo, é destinada a todos os povos, às nações tal como a Israel. Em Jesus, o Deus que se tinha revelado a um povo particular, será manifestado a todos. A glória de Israel estará no facto de ser caminho pelo qual a salvação chegou aos confins da terra, de ter dado ao mundo o Salvador de todos os homens.

As palavras do cântico de Simeão sintetizam a perspectiva que o evangelista expressa em toda a obra: Jesus está no centro da história da salvação, ponto de chegada das promessas do Antigo Testamento e ponto de partida duma salvação destinada a estender-se a todas as nações chamadas a formar o único povo de Deus e que vai ser o tema central do livro dos Actos já antecipado no Evangelho.

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro


 

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