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Formação do Clero | dia #01

Famílias em mudança
1º dia: Famílias fragmentadas

Na sequência do Plano de pastoral da nossa diocese de Aveiro para este ano, “Famílias em Mudança, problemáticas e caminhos” foi o tema escolhido para estas Jornadas de Formação do Clero que, no primeiro dia, juntaram à volta de 70 participantes numa das salas do Seminário de Aveiro.

O primeiro dia tinha por objetivo uma análise da família que temos hoje e a que o programa deu o nome de família fragmentada. Tinha a tarefa de nos conduzir o P. Miguel Almeida recém-nomeado Provincial da Companhia de Jesus. Começou por uma exposição das famílias de hoje servindo-se de alguns números publicados em Portugal onde recordou: a grande diminuição de casamentos quer civis quer católicos sendo estes em muito menor número que os civis, já desde 2007; o grande aumento de divórcios, mais em famílias com apenas um filho que em famílias numerosas; a diminuição da natalidade e a constatação de que a maioria das crianças já nasce fora do casamento. Também não deixou de alertar para falsos alarmismos que, se vão levantando, por exemplo percentagem do número de divórcios que um determinado estudo apontava para os 70% quando não é essa a realidade.

Partindo destes números, o P. Miguel Almeida voltou a lutar conta a palavra alarmismo que pode reinar nas nossas reflexões para nos dizer que este tempo e estes números podem ser um tempo de conversão, também para a Igreja. “ A nossa cultura é diferente, os modelos são outros daí que a pergunta, e referindo S. João de Brito, santo jesuíta que hoje se celebra e que se vestiu de indiano para que a sua mensagem melhor chegasse ao coração dos indianos, a pergunta será: como é que nos temos de vestir para que a nossa mensagem chegue à cultura de hoje?”

Mais adiante, e citando um filósofo actual, disse que a religião privilegia a doutrina e o culto, mas a fé cristã privilegia a pessoa que experimenta o amor de Deus. A doutrina e o culto são importantes, mas começar por aí, hoje, não toca as pessoas. Nós não vamos levar Deus a lado nenhum, acrescentou Ele citando o papa Francisco, porque Ele já lá está, mas vamos ajudá-LO a descobrir.

E terminou a sua reflexão com outro pensamento do papa Francisco: “O tempo é superior ao espaço” porque o espaço divide e o tempo abre e privilegia o caminho, acentuou o novo provincial dos Jesuítas.

A terminar a manhã tivemos o prazer de contar com dois testemunhos sobre “ a família fragmentada” , Couberam a Dr.a Ana Isabel Miranda que fez um recorrido sobre as fissuras na sua família que não chegaram à fragmentação e falou de confiança, do perdão e no respeito pela caminhada de cada elemento do agregado familiar seja ele pai, mãe ou filhos.

O Dr. Juan Carlos falou da família como uma obra absoluta de arte embora sujeita a muitos perigos. E apontou os milhares de opinadores que nos cercam e nos chegam através dos mais diversos meios de comunicação; a ideia de que temos de ser diferentes, mas de verdade, temos de ser iguais para não sermos apontados e a agenda excessiva de compromissos que assumimos e que nos tiram tempo para coisas importantes como o estar juntos . Daí, concluiu, a necessidade de filtros para preservarmos esta obra de arte que é a família.

A parte da tarde tentava encontrar “pistas para uma reflexão pastoral” também conduzida pelo P. Miguel Almeida que, depois de uma breve introdução sobre: “discernimento, dinâmicas e processos”, sugeriu um trabalho em grupos sobre dois casos de caminhada familiar ao ritmo do “acompanhar, discernir e integrar”. No pôr em comum todos viram este tempo como um tempo de conversar, discutir e desabafar entre os elementos do grupo. E todos, também, salientaram a necessidade de um bom acolhimento, de ouvir cada um dos elementos do casal individualmente em ordem a poder discernir porque cada caso é um caso. Depois, a necessidade de um acompanhamento mais técnico, canónico, ou espiritual em ordem a uma integração. Esta exige discrição e tempo necessário. Para isso é urgente uma mudança de paradigma, de mentalidade para vencer resistências e aceitar novas exigências quer da parte de cada um, casal ou sacerdote quer da comunidade em geral.


 

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